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Melhores jogos de terror para quem morre de medo

Não é porque você se borra de medo que não pode apreciar um belo jogo de terror

2 anos atrás

Eu sou uma pessoa que ama a temática de terror. Tenho vários livros e quadrinhos do gênero (Clive Barker e Stephen King são ídolos) e sou rata de filmes e séries de assombração. No entanto, eu ODEIO interagir com o horror. Em outras palavras, acho fascinante assistir gameplays de jogos de terror, mas passo longe o quanto puder de jogá-los.

Pode me chamar de fresca, cagona, o que for. Estou me lascando para você, nesse sentido. Fico extremamente tensa e minha ansiedade atinge níveis psicóticos ao andar por corredores, literalmente, entregue às baratas de Outlast ou Amnesia: The Dark Descent, por exemplo. Pior é que eu joguei esses e outros títulos do tipo. Às vezes para pagar apostas idiotas que fiz enquanto bêbada.

outlast / reprodução

Mas, por favor, não me interpretem errado. O gênero do terror, quando bem explorado em games, é algo sensacional! A forma como ele te prende na narrativa, para quase te fazer expelir os pulmões pela boca de susto, é incrível. Resident Evil 7, por exemplo, fez isso com maestria ao testar nossa sanidade com aqueles teasers jogáveis, antes do lançamento oficial do game.

Apreciar um game de terror, com tesão mesmo (para ser bem enfática), é para um público mais específico. No meu caso, eu sou mais uma "voyeur" de quem está jogando mesmo.

É claro que é divertidíssimo assistir aqueles vídeos de gente se borrando de medo, gritando e varrendo toda a dignidade ralo abaixo (quando não é você, é claro) ao cair de paraquedas em algo do tipo Layers of Fear e achar que só vai admirar obras de arte com uma história meio distorcida.

O que fazer quando você não quer, mas quer jogar games de terror?

Depois desse quase desabafo, porém clara confissão da minha bipolaridade para o horror, a real intenção desse artigo é tentar humildemente ajudar almas sofridas, assim como a minha, a tentar jogar algo horripilante sem a necessidade de usar fralda.

Para isso, fiz uma lista de games de terror que já testei (por total falta de amor próprio), não necessariamente terminei todos, mas sobrevivi.

Dica: se procura algo cabuloso e diferente para jogar, não esqueça de dar uma atenção aos indies. Às vezes, o melhor susto não está nos blockbusters, mas sim escondido nos calabouços do Steam, por exemplo.

A seleção, a seguir, está ordenada a partir dos games que considero que “dão uns sustos, mas dá para manter a dignidade”, até os títulos do tipo “nunca mais chego perto dessa p****!”.

resident evil 7 / reprodução

"Welcome to the family, son."

1. Until Dawn

Admito que, assim que assisti aos primeiros trailers de Until Dawn, não dei muito crédito para o jogo. Não que o título vá entrar para o hall da fama dos games de horror, mas ele cumpre o seu papel, que é te desesperar ao ponto de você cometer um ou vários erros e, consequentemente, matar a todos que ama.

Until Dawn é extremamente baseado em narrativa e tomada de decisões. Algumas são mais fáceis, pois acontecem em momentos “tranquilos”. Outras são feitas no susto, no caso de decidir ou não entre pular de algum lugar ou se esconder, enquanto é perseguido por uma espécie de zumbi maratonista, que se guia pelo som.

Parece que você está assistindo um daqueles filmes de terror, bem clichê, de adolescentes que só fazem m****. A diferença é que quem escolhe a m**** que eles vão cair (ou não) é você. E as mortes são lindas, tenho que dizer. Enfim, Until Dawn dá uns sustinhos interessantes, mas pausando o jogo e respirando um pouco dá para fechá-lo tranquilamente (só não sei se com todos vivos).

2. Amnesia: The Dark Descent

A série Amnesia é uma daquelas agradáveis, porém agonizantes, surpresas vindas de estúdios independentes. Muitos dizem, e eu concordo, que The Dark Descent resgatou (na época do seu lançamento, em 2010) a essência do terror de sobrevivência. Você não tem armas, você não luta contra os monstros… Seus únicos “amigos” são uma lanterna e sua vontade de sair da situação miserável que se meteu.

Basicamente, você precisa perambular pelos corredores de um castelo, fugir de monstros humanoides (semi derretidos e sem mandíbula), enquanto tenta entender o que está acontecendo e prometendo, a si mesmo, nunca mais beber uma gota de álcool sequer e correr o risco de acordar, novamente, sem memória num lugar assim.

3. Resident Evil 7

Os fãs da franquia Resident Evil há tempos esperavam por um jogo que realmente desse medo de jogar. Até porque, ao menos para mim, ter a chance de me defender com uma shotgun ou um lança foguetes sempre tornou os chamados horror games mais “fáceis” de lidar.

No entanto, ser obrigado a sobreviver, pura e simplesmente, com o que estiver por perto (ou não) eleva o nível de tensão a outro patamar. Ah, as maravilhas do terror psicológico! E Resident Evil 7 soube trabalhar bem essa tensão antes mesmo do seu lançamento. Com teasers jogáveis, era necessário assistir à última gravação de uma equipe de um reality show para descobrir o que aconteceu com os coitados.

Já no jogo oficial, lançado em 2017, você recebe uma mensagem da sua esposa, que teoricamente estava morta há anos, e, como um bom marido, você vai até o local indicado para investigar a situação (sozinho!). Chegando lá, você conhece a simpática e receptiva família Baker. Eles são uns amores!

Destaque aqui para a vovó que esqueceu que morreu (imagem abaixo), na cadeira de rodas. Ela aparecia do nada e só ficava lá… Te olhando e julgando. Para mim, as piores assombrações são as aparentemente inofensivas e estáticas.

resident evil 7 / reprodução

Já experimentou a versão do game para PlayStation VR? Nem eu… E nem vou, não sou obrigada.

4. P.T.

P.T. foi um teaser game claustrofóbico que nasceu das mentes doentias de Hideo Kojima e Guillermo del Toro. Exclusivo para PS4, o jogo do corredor maldito foi uma das experiências mais angustiantes e desesperadoras que já tive jogando.

A sensação de achar que “agora eu vou conseguir escapar”, para abrir novamente a maldita porta e dar de cara (de novo) com o mesmo corredor é digna de algum inferno criado pelos Cenobitas de Hellraiser.

A cada nova passada pelo corredor, as coisas mudam, ficam mais sombrias, mais perturbadoras, com fetos chorando na pia do banheiro, telefones tocando e baratas… Muitas baratas! A pior parte. Odeio barata com a força da minha alma!

A grande sacada do jogo, no entanto, é não se desesperar (ata!) e prestar atenção nas dicas do cenário. Interagir com os objetos e resolver os puzzles é essencial para avançar e não ficar no looping infinito do inferno de abrir portas.

P.T. se tornou um cult. Quem jogou, chorou (eu, no caso). Sortudos são os que não apagaram o jogo do HD do PS4 e podem colocar a irmã mais nova, por exemplo, para jogar e gargalhar da reação de pavor dela... Eu jamais faria isso...

PS: como a Konami tirou o teaser do ar, não encontrei nenhum trailer oficial para colocar aqui, então vai só a foto dessa simpática aparição mesmo. Mas tem gameplay de sobra no YouTube.

P.T. / reprodução

5. Qualquer coisa de Outlast

Não. Só não. Nunca mais! Vai tomar no curupira esse jogo! Para o gênero de survival horror, a série Outlast é uma das primeiras que vem à cabeça, com toda certeza. Nunca mais me esqueci do primeiro contato que tive com o jogo. “Joga Vivi, você vai gostar", eles disseram. “É um game de investigação e o protagonista é um jornalista também!”.

Como fui tola. Hipoteticamente falando, se eu estivesse naquela situação e fosse o tal jornalista, na frente daquele hospital psiquiátrico, eu só diria: “ok, não.”. Aí eu iria embora e subiriam os créditos do jogo. Mas…

Você decide entrar, porque a vida deve estar muito monótona do lado de fora, e começa a investigar o ainda habitado asilo psiquiátrico, com sua câmera de visão noturna e as malditas pilhas vagabundas que acabam rápido demais (ou é você que não sente o tempo passar).

Ainda daria para voltar bem no início, mas não… Vamos caçar documentos e provar que é o bonzão, mostrando para o mundo as atrocidades que eram cometidas ali.

Você só não contava que, o que ainda estava ali dentro, se apaixonou por você e não irá te deixar escapar assim tão fácil. A propósito, esse é mais um exemplo de game que usa NPCs aparentemente inofensivos e sentados em cadeiras de rodas, em corredores aleatórios, só te esperando passar.

Estou falando desse cara aqui:

outlast / reprodução

Outlast II é tão desesperador quanto o primeiro. Joguei a demo e já estou ok com isso. Não tenho a mínima, nem mais remota vontade de jogar o game completo. Não quero nem de presente. Agradecida.

Menções honrosas (que também joguei)

Segue o mesmo critério de ordem da lista anterior: de “dá para manter a dignidade” até “mãe, traz a fralda”.

  1. Alien: Isolation
  2. Layers of Fear
  3. F.E.A.R.

Para ficar de olho…

1. S.O.N. (PS4)

2. Man of Medan (PS4)

3. Someday You’ll Return (PC)

Sim, eu já sei… Ainda falta muito jogo nessa lista e sequer mencionei Dead Space, Fatal Frame ou Silent Hill, por exemplo. Preferi me ater aos games que já tive algum contato, até para poder comentar melhor sobre minha experiência. E sim, também sei que não há muita informação técnica sobre cada título mencionado. Foi proposital. Este artigo não é um review, mas um apanhado geral com base no que senti ao jogar.

Por fim, sinta-se à vontade para compartilhar também seus piores pesadelos em games de terror, nos comentários. Vamos fazer um divã do desespero aqui e, quem sabe, incentivar o outro a experimentar sustos extras. No meu caso, só vou assistir mesmo.

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