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O dia em que o Pica-Pau, aquele canalha, empacou um lançamento da NASA

Não é só o Zeca Urubu e taxidermistas em geral, ninguém menos que a NASA também teve problemas sérios com um... pica-pau.

3 anos atrás

Nem só de Apollo 13 vive a NASA, às vezes as mais humildes situações causam os maiores impactos, foi o caso do voo STS-70, que deveria ser lançado dia 22 de junho de 1995, mas não foi.

O ônibus espacial é uma das máquinas mais complexas já criadas, fora a máquina de costura da minha mãe. Seu maior componente é outra maravilha tecnológica, o tanque externo de combustível.

Junto com os motores auxiliares de combustível sólido, o tanque externo proporciona quase toda a energia necessária pra colocar o ônibus espacial em órbita. Ele é um monstro de 46,9 metros de comprimento e 8,4 metros de diâmetro. Pesa vazio 26,5 toneladas e é construído com uma liga de alumínio e lítio.

Internamente ele tem uma baia de equipamentos eletrônicos e dois tanques principais, um para hidrogênio, o outro para Oxigênio. Aqui uma visão de dentro:

O tanque de oxigênio tinha 16,6 metros de comprimento e levava 629 toneladas de oxidante. Já o de hidrogênio tinha 29,6 metros de comprimento, mas levava somente 106,2 toneladas de combustível, por causa da baixa densidade do hidrogênio.

Ter essa quantidade enorme de coisas que fazem cabum quando misturadas não é uma boa, e era imperativo proteger o tanque externo contra qualquer tipo de dano, incluindo aquecimento com a fricção do ar durante a subida. A NASA pensou em várias formas até que chegou a uma solução: espuma. Mais precisamente um spray que aplicado se tornava uma espécie de isopor.

E tome isopor, eram 2,1 toneladas de proteção térmica, que não era ideal (foi um pedaço dela que se soltou e danificou mortalmente a Colúmbia), mas quebrava o galho.

Infelizmente a NASA não era a única que achava a espuma uma grande ideia. O material atraiu um visitante indesejado, este sujeito aqui:

OK, sendo pedante nível 11, o Pica-Pau do desenho é um Grande Pica-Pau (Dryocopus pileatus) e o que arrumou encrenca com a NASA foi um Pica-Pau Northern flicker (Colaptes auratus), mas o importante é que o infeliz descobriu que seu bico era excelente abrindo buracos na espuma, vendo a chance de construir fácil vários ninhos e se dar bem com as franguinhas, ele mandou ver.

Depois que os engenheiros começaram a monitorar o pica-pau, perceberam que o bicho estava insano, e não era um ou outro furo causado por uma bicada. No total eles identificaram mais de duzentos buracos, indo de bicadas simples a buracos de mais de 10 centímetros de diâmetro.

Foram feitas tentativas de reparar os danos ainda na torre de lançamento, mas depois acharam melhor levar a Discovery de volta para o hangar, e pacientemente recobrir todos os furos com uma nova camada de espuma protetora.

Isso adiou o lançamento, e fez com que a missão STS-71 pulasse na frente da STS-70, que só foi subir dia 13 de julho, pousando com sucesso dia 22 do mesmo mês. O pica-pau nunca foi encontrado, mas foi eternizado na versão semi oficial do emblema da missão:

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