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Facebook se recusou a impedir compras em games feitas por crianças

Documentos revelam que o Facebook lucrou com cobranças indevidas de microtransações em jogos, feitas por crianças com cartões de crédito dos pais

2 anos atrás

Outro dia, outra presepada do Facebook. Documentos revelados na última semana mostram como a rede social, de forma consciente e deliberada enganou diversas crianças, que realizaram compras em jogos de forma obscura, com várias acumulando dívidas enormes nas faturas do cartão de crédito dos pais, e se recusando a devolver o dinheiro.

TheDigitalArtist / cubo mágico Facebook / Pixabay

O caso não é exatamente novo, as primeiras denúncias contra o Facebook datam de 2012. Na época, uma ação coletiva buscava obrigar a companhia a devolver o montante que ela cobrou por microtransações realizadas por seus filhos, enquanto estes jogavam alguns dos títulos disponíveis na plataforma. O autor original alegou que o filho de sua cliente fez uma compra inicial de US$ 20 em um jogo, mas de forma desconhecida até para o garoto, o Facebook continuou fazendo cobranças de maneira oculta, ou não completamente clara.

Quando a fatura do cartão chegou, obviamente com um valor absurdo, a mãe da criança solicitou ao Facebook que devolvesse o valor excedente, o que ela se recusou a fazer, o que levou a uma ação de vários usuários na mesma situação. O caso foi encerrado em 2016 e de forma confidencial, mas o site Reveal solicitou judicialmente o acesso ao processo e aos documentos, por trazerem informações importantes que envolvem transações comerciais feitas por menores de idade.

Na segunda-feira (21) o tribunal concordou em divulgar alguns dos registros, e deu ao Facebook um prazo de dez dias para disponibilizar as mais de 100 páginas do processo de forma pública. Mas o pouco que o site teve acesso revelou que a rede social possuía um esquema muito elaborado, feito exclusivamente para arrancar dinheiro de crianças.

De acordo com os documentos do processo, o sistema de pagamentos do Facebook era propositalmente confuso e fornecia poucas informações, de modo a confundir crianças e adultos. A rede social armazenava os dados do cartão de crédito e meios de pagamento, e realizava novas e contínuas cobranças conforme a criança continuasse jogando, sem informar de forma clara a respeito de cada transação.

O Facebook teria reconhecido que o sistema de cobrança de games na rede social funcionava em um regime livre de confirmação, desenvolvido de forma a continuar realizando cobranças sem pedir dados ou sequer informar que estava arrancando cada vez mais dinheiro do usuário; a rede sempre soube que isso era uma falha de design, mas a implementou deliberadamente e a ordem dada aos funcionários era de "maximizar a receita", independente do resultado.

Os documentos revelam também que enquanto alguns funcionários e desenvolvedores buscaram corrigir o problema, a posição do Facebook foi a de manter tudo como estava, de modo a manter o dinheiro fluindo. O processo também mostra que a postura do Facebook foi a de sempre recusar devolver o dinheiro dos usuários que resolvessem reclamar por cobranças indevidas, o que eventualmente levaria a ações na justiça.

O Facebook até tinha um termo para tal prática: "fraude amigável".

Ainda que o processo já tenha sido encerrado, a revelação dos documentos agora vem se somar ao crescente número de escândalos em que a companhia se envolveu nos últimos anos, e é mais um exemplo de como ela lida com seus usuários.

Com informações: Reveal.

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