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iPhone Made in USA não deve acontecer, graças a problemas com fornecedores

Problemas enfrentados na montagem de Macs nos Estados Unidos seriam motivo para a Apple nem pensar em manufaturar o iPhone no país

1 ano e meio atrás

Apesar dos esforços do presidente Donald Trump, o plano para convencer a Apple a fabricar o iPhone nos Estados Unidos não está dando certo. O imbróglio comercial entre o país e a China foi usado como um pretexto para sugerir que o CEO Tim Cook montasse fábricas locais, mas se a maçã aprendeu algo com o Mac Pro e o iMac Pro, é que nada é tão simples assim.

Monoar / iPhone Xs e XS Max / Pixabay

Em 2018, o arranca-rabo entre EUA e China escalou, com ambos os lados impondo taxas a matérias-primas e produtos manufaturados do concorrente, o que invariavelmente vem afetando empresas americanas e chinesas. A Apple é uma delas, por contar com a cadeia de distribuição do País do Meio para quase todos os seus produtos, em especial o iPhone, que graças à Foxconn e ao governo chinês (e o sacrifício dos trabalhadores), é montado a um preço bem baixo.

Cook alertou que o aumento nas taxas de produtos se refletiria em alta nos preços de toda a sua linha, de iPhones e iPads a Apple Watches, Macs e acessórios, o que Trump sugeriu como "solução" a mudança da linha de montagem para os Estados Unidos, o que se refletiria em "zero impostos" e incentivos fiscais.

Trump bem que tentou. Quando a Foxconn mencionou que só montaria fábricas nos Estados Unidos se o governo oferecesse incentivos, um acordo entre a Casa Branca e o CEO Terry Gou foi firmado, para a construção de uma unidade em Wiscosin no valor de US$ 10 bilhões, mais US$ 4 bilhões de subsídios.

No entanto, as coisas não estão saindo como o planejado: segundo informes, a Foxconn agora pretende implantar uma fábrica menor do que o prometido, que fabricará telas para TVs, e nada relacionado a iPhones. Como se não bastasse, a unidade não é prioridade e vai demorar para ser inaugurada, e a comunidade de Mount Pleasant, onde a fábrica será construída virou de pernas para o ar.

Só que a Foxconn é apenas metade do problema de Trump, a Apple também não quer de jeito nenhum montar iPhones em casa. Os motivos vão desde os incentivos chineses e mão-de-obra barata, a uma já bem azeitada cadeia de suprimentos local, com uma comunicação entre a manufatura e os fornecedores de componentes e insumos muito bem estabelecida.

O que ilustra bem isso, é que um dos principais culpados de não vermos um iPhone Made in USA tão cedo é... um parafuso. Sério.

James Nieves / Mac Pro (2013) e parafuso / The New York Times / iPhone

Créditos: James Nieves / The New York Times

Quando a Apple começou a montar o Mac Pro no país em 2013, ela sofreu por meses com o fornecimento precário de parafusos, que a Flextronics, uma fornecedora de Austin, no Texas não era capaz de entregar para suprir a demanda. A empresa em questão dependia de uma terceirizada pequena, tocada por 20 funcionários que só era capaz de produzir 1.000 dos benditos parafusos por dia. Como resultado, a oferta da cervegela de luxo de Cupertino foi prejudicada por muito tempo, e a Apple foi obrigada a importar os componentes da China para manter a produção em massa.

Há outros fatores. O valor de funcionário americano é bem maior do que um chinês, e a Flextronics simplesmente não era capaz de contar com o mesmo número de colaboradores que a Foxconn e outras parceiras da Apple possuem na China, e eles não poderiam ser forçados a turnos e horários malucos com os do outro lado do mundo. E por mais irônico que seja, esse foi um dos motivos do fracasso da Foxconn no Brasil: ela não conseguiu importar seu modus operandi para cá. Hoje ela não mais fabrica o iPhone no Brasil, que voltou a ser importado.

E segundo informes, o iMac Pro (que também é montado em casa) sofre de problemas semelhantes, com a Apple tendo que recorrer à importação de peças do País do Meio. Isso explicaria por que ambos possuíam preços tão altos na época do lançamento, começando respectivamente em US$ 2.999 e US$ 4.999.

Agora imagine o que iria acontecer com a linha de produção do iPhone nos Estados Unidos.

A Foxconn não é capaz de fabricar tudo sozinha, e depende de uma cadeia de suprimentos muito bem estabelecida para se aproximar da escala de produção que atinge na China. Importar componentes não é uma opção, e de qualquer forma, o valor do custo final subiria, o que em consequência afetaria os preços de venda nos EUA e no resto do mundo, mesmo que ela continuasse abastecendo outros países com a produção chinesa. Afinal, a Apple não é santa e aumentou bastante a margem de lucro do iPhone nos últimos tempos, e as perdas seriam repassadas.

iPhone X Trump Edition

Para minimamente viabilizar a produção do iPhone no país, tanto a administração Trump quanto a Apple teriam que fazer investimentos enormes em todas as etapas, indo desde treinamento de pessoal a fortalecimento da cadeia de suprimentos, e implementação de robôs para a linha de montagem, que são mais baratos que funcionários americanos. O problema, é que os chineses custam ainda menos.

Para Cook, é muito mais lucrativo investir em manufaturas na China, o que ela já faz, do que em casa, e por mais que o Trump queira, ele não colocará suas mãozinhas em um iPhone 100% americano tão cedo.

Com informações: The New York Times.

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