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Pot-pourri espacial: SpaceX, Bezos, Israel, notícias da galera toda

1 ano e meio atrás

Essa semana foi bem agitada, e não acalmou, ainda temos pela frente dois lançamentos antes do dia de 2 Março, quando a SpaceX lançará a Dragon V2 para a ISS, no primeiro teste da versão tripulada, mas não nos adiantemos, vamos ao monte de notícias enchendo minha mesa:

1 - Jews in Space!

O Lunar XPrize não deu certo, nenhuma das equipes envolvidas conseguiu lançar sua sonda a tempo, mas depois de anos de desenvolvimento a israelense SpaceIL se recusou a abandonar o projeto, ao contrário da equipe brasileira que só fez a página no Facebook. Formada por quase 200 voluntários e financiada com doações e apoio tecnológico de gente do mundo todo, empresas e até a Agência Espacial Israelense, eles investiram US$95 mihões criando a sonda בְּרֵאשִׁית‬.

Transliterando o termo é Beresheet, ou BreSheet, que em hebraico significa no "no princípio", é a primeira palavra da Bíblia, Gênesis 1:1. Ela foi lançada em uma missão perfeita da SpaceX:

Viajando como carga secundária em um vôo que lançou um satélite de comunicações da Indonésia e um cubesat da Força Aérea dos Estados Unidos, a Beresheet levará 2 meses e meio para chegar na Lua, mas não acredite nas más-línguas que dizem que é porque estão desviando dos pedágios.

A sonda é muito pequena, são só 585 Kg sendo que desses 400Kg são combustível. Como o Falcon 9 não tinha como dar o empurrão necessário até a Lua (carona não apita) o jeito é colocar a sonda em uma órbita onde a cada perigeu o motor seja acionado por tempo, aumentando o apogeu aproximando-a da Lua, até ser capturada pelo esfera de influência gravitacional lunar.

Com isso o grosso do combustível sobra pra manobra de pouso, 11 de Abril se tudo der certo.

A Beresheet fará alguns experimentos científicos, transmitirá imagens mas funcionará principalmente como uma cápsula do tempo. Ela está levando 50 milhões de páginas de informação, incluindo uma cópia da Wikipedia, uma bandeira de Israel, desenhos de mais de 200 mil crianças que acompanharam o projeto, uma cópia da Bíblia (a hebraica, que é curtinha), o hino nacional israelense e as memórias de um sobrevivente do Holocausto.

Infelizmente ela só vai funcionar por uns dois dias, como não tem proteção térmica, inevitavelmente irá superaquecer e morrer, mas não sem antes encher Israel de orgulho nacional, ao se tornar o quarto país a pousar na Lua, depois de Estados Unidos, União Soviética e China.

2 - SpaceX

O lançamento do dia 22 foi um sucesso, e mesmo o pouso foi impressionante, as condições climáticas estavam muito ruins, mas nem os ventos nem chuva nem ondas foram obstáculo pro software de pouso do Falcon 9. O que não deu muito certo foi a tentativa de recuperar a carenagem.

O barco da SpaceX com aquela rede gigante, o Mr Steven voltou no meio do caminho e quando chegou ao porto dois dos braços que seguram a rede estavam faltando.

Aqui um dos últimos testes com a carenagem sendo solta de um helicóptero, veja como foi um quaaaaaaaase lá:

Quanto ao foguete, pousou muito bem, foi o terceiro vôo do núcleo B1048, mas ele só voará mais uma vez, em Abril. E nem é por ter sofrido algum dano por ter feito a reentrada mais rápida de todos os Falcon 9s, ele terá um fim bem mais nobre.

Será usado para o teste do sistema de ejeção de emergência em vôo, algo tão sinistro que a NASA nem havia exigido. Basicamente o Falcon 9 levará uma Dragon, e quando estiver em Max-Q, momento de mais pressão aerodinâmica no conjunto, acionarão os motores de escape, simulando o que aconteceria se algo tivesse dado muito, muito errado durante o vôo e os astronautas precisassem fugir dali em segundos.

Será espetacular, o segundo estágio irá de esfarelar, destruindo o primeiro estágio e criando uma linda explosão, enquanto a cápsula voará para longe em segurança. Imagine algo ainda mais épico do que o teste do sistema de escape da Apollo, que deu mais certo do que esperado quando instalaram errado alguns sensores e o foguete Little Joe deu defeito de verdade:

Elon Musk também deu mais informações sobre o projeto como um todo. Ele estima que a vida útil de um Falcon 9 seja entre 20 e 30 missões, e pretende manter uma frota de 20 foguetes, incluindo os núcleos do Falcon Heavy, que não diferentes. Essa frota deve se manter até a Starship estiver operacional.

3 - Jeff Bezos

A versão espacial da briga Record vs SBT, nenhuma das duas empresas têm foguetes de verdade, tanto a Blue Origin de Bezos quanto a Virgin Galactic de Richard Branson fazem vôos suborbitais, mas nessa categoria ainda há briga, e Bezos criticou a SpaceShipTwo por fazer vôos abaixo da Linha de Karman, o limite "oficial" do espaço, a 100Km de altitude.

Segundo Bezos não dá para chamar de astronauta quem voa abaixo disso. Já segundo a Virgin Galactic eles usam o limite determinado pelo governos dos EUA para dizer se alguém é astronauta, 80Km, então chegando como a SpaceShipTwo voou a 82.7km de altitude, quem voa nela é astronauta sim e chegaram (ainda que momentaneamente) ao espaço.

Picuinhas à parte, Bezos disse que pela primeira vez está dizendo que o New Shepard levará astronautas ao espaço este ano. Até então ele só dizia "ano que vem".

Branson por sua vez vai avançando, ele falou umas semanas atrás que está muito perto de inaugurar os vôos de passageiros da SpaceShipTwo, e hoje foi mais um teste. Atingiram altitude de 89.9Km:

 

Pela primeira vez além dos dois pilotos, levaram uma passageira, Beth Moses, engenheira espacial, ex-NASA e chefe de treinamento de astronautas da Virgin Galactic. Ela nem gostou do passeio...

4 - Japão

Depois de uma longa viagem e muito tempo orbitando, a sonda japonesa Hayabusa 2 finalmente pousou no asteróide Ryugu, mas antes disparou contra ele uma bala de tântalo, provavelmente enquanto gritava "Essa foi pelos dinossauros!"

O objetivo do projétil era deslocar fragmentos da superfície, que serão capturados pela sonda e mais tarde trazidos para a Terra.

5 - Katherine Johnson

Quando começou na NASA Katherine Johnson nem café podia tomar com os outros matemáticos, mas cavou seu espaço em meio ao preconceito e racismo dos Anos 60, se tornando uma figura respeitada e acima de tudo, querida. Sua vida foi contada no ótimo (embora impreciso) filme Hidden Figures, e a velhinha continua firme e forte, com 100 anos de idade vendo o fruto de seu trabalho.

Em 2015 ela ganhou a Presidential Medal of Freedom das mãos de Barack Obama, e em Dezembro de 2018 outro presidente, bem mais alaranjado assinou um decreto com uma homenagem bem mais duradora, que agora está sendo implementada. Oficialmente, dia 22 de Fevereiro, este prédio mudou de nome:

É o Centro Independente de Verificação e Validação da NASA, na Universidade da Virgínia Ocidental. Eles fazem todas as validações e certificações de software da NASA, para garantir que os componentes de missão crítica não falhem e a segurança de astronautas e equipamentos seja prioridade máxima.

Agora o centro se chama Centro Independente de Verificação e Validação Katherine Jonhson.

Mais que merecido.

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