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Battle Princess Madelyn — Review

Fortemente inspirado pelo Ghouls ‘n Ghosts, Battle Princess Madelyn é um jogo que possui suas falhas, mas que consegue agradar os fãs do original.

3 anos atrás

Criar algo moderno inspirando-se em jogos antigos é uma tarefa muito complicada. Além do título novo poder cair na área do plágio e não da homenagem, corre-se o risco de repetir alguns problemas de design do original e ao desenvolver o Battle Princess Madelyn, o pessoal da Causal Bit Games acabou passando por tudo isso.

Disponível para PC, PlayStation 4, Xbox One e Nintendo Switch, a ideia para o jogo nasceu quando a filha do diretor criativo Christopher Obritsch lhe perguntou porque ela, como uma menina, não poderia lutar contra o Green Head, aquele primeiro chefão que encontramos no fantástico Ghouls ‘n Ghosts. O sujeito então explicou que outra pessoa havia feito aquele game, mas que ele poderia criar um onde uma garota fosse a protagonista.

Fortemente inspirado pela série da Capcom, Battle Princess Madelyn ainda aproveitou alguns conceitos de outro clássico da década de 80, como o Wonder Boy 3: The Dragon's Trap. Porém, a fusão que teoricamente poderia ter dado origem a algo fantástico infelizmente resultou naquele que pode ser considerado o maior defeito do jogo.

Duas aventuras para uma mesma princesa

Contando com um modo história e outro arcade, Battle Princess Madelyn merece elogios por entregar uma boa quantidade de conteúdo, já que apesar dos modos contarem com um mesmo pano de fundo, o sistema de progressão e design de estágios são bem diferentes.

No arcade teremos uma campanha sem muitas firulas, onde o objetivo será eliminar tudo o que cruzar o nosso caminho enquanto avançamos por fases totalmente lineares. Para os fãs do Ghouls ‘n Ghosts, será aqui que encontraremos algo mais parecido com o jogo que fez muito sucesso nos arcades, no Master System e no Mega Drive.

O grande problema é quando passamos para o modo história. Contando com uma campanha muito maior e uma infinidade de segredos para serem descobertos, aqui tudo acontecerá num ritmo mais cadenciado, com armas e habilidades precisando ser encontradas pelos cenários e as fases contando com diversos caminhos a serem seguidos.

É no modo história que o título se aproxima do que tínhamos no Wonder Boy 3: The Dragon's Trap, mas com estágios tão grandes, com tantos lugares para visitarmos e várias missões paralelas para serem encaradas, é decepcionante pensar que os desenvolvedores não incluíram uma mapa ou qualquer tipo de indicador que nos diga para onde ir. Para piorar, esse é o modo padrão, onde a maioria se arriscará primeiro e que provavelmente decepcionará muita gente.

Tudo bem, talvez eles tenham feito isso com o intuito de tornar a aventura mais difícil, mas se a ideia foi essa, bastaria nos dar a opção de desabilitar a ajuda. Perder-se no modo história será uma constante e no fim das contas isso acaba prejudicando muito a experiência em um jogo onde derrotar os muitos inimigos já não é uma das tarefas mais fáceis.

Prepare-se, você vai morrer (e muito)

Além de contar com uma jogabilidade fantástica e uma trilha sonora memorável, o Ghouls ‘n Ghosts sempre será lembrado pelo seu elevadíssimo nível de dificuldade. Eu não diria que o Battle Princess Madelyn é tão punitivo quanto a sua fonte de inspiração, mas se você procura moleza, não é aqui que encontrará.

Enquanto que no modo história os checkpoints normalmente ficam bem distante um dos outros, no arcade raramente teremos algum sossego, com os monstros surgindo de todos os cantos e dois golpes sendo o suficiente para nos matar. Para piorar, a interface do jogo falha ao nos dar informações claras de quantas vidas ainda temos, o que causa um desespero terrível quando estamos avançando pelo cenário sem armadura.

E não posso deixar de mencionar também aquilo que sempre foi o pesadelo de quem gosta de jogos de plataforma: ver o personagem ser jogado para trás quando somos atingidos. Responsável por causar muitas mortes e nos fazer querer atirar o controle na parede, essa animação está presente no Battle Princess Madelyn e acredite, ela será responsável por nos fazer cair muitas vezes em buracos. O que ajuda a diminuir um pouco da frustração é o fato de termos continues ilimitados.

Plágio ou homenagem?

Mas se na sua jogabilidade (ao menos no modo arcade) o Battle Princess Madelyn se aproxima muito do Ghouls ‘n Ghosts, é na parte visual que o jogo poderá ser facilmente confundido com o título da Capcom. Desde os cenários escuros até alguns monstros que encontramos pelo caminho, a todo momento lembramos da fonte de inspiração e algum desavisado poderá até pensar se tratar de uma continuação.

Isso fica ainda mais claro ao vermos a princesa se movimentando, quando cada frame da animação parece ter sido copiado descaradamente da maneira como Arthur se movia. Particularmente isso foi algo que gostei, já que remete diretamente ao jogo em que ele foi baseado, mas eu não estranharia (embora não concorde) se algumas pessoas acusassem a criação da Causal Bit Games de ser uma simples cópia.

De qualquer forma, o jogo é visualmente muito bonito, com os gráficos pixelados trazendo tantos detalhes que algumas vezes até fica difícil distinguir os elementos que podem nos causar danos daqueles que são puramente estéticos. Também merece elogios a trilha sonora composta por Gryzor87, o mesmo que assinou as músicas de outro jogo que se inspirou no Ghouls ‘n Ghosts, o Maldita Castila.

Quando mais não significa melhor

Após ler essa crítica, você deve estar pensando que o Battle Princess Madelyn não merece a sua atenção, mas acredito que não seja bem assim. Apesar de a desenvolvedora ter derrapado no modo história do game, ele ainda possui qualidade e se você tiver paciência para explorar os cenários, poderá encontrar alguma diversão ali. Já no arcade a única coisa que poderá lhe incomodar é o alto nível de dificuldade, mas por se tratar de um título que se inspirou no Ghouls ‘n Ghosts, isso já deveria ser esperado.

Talvez o melhor tivesse sido os responsáveis pelo Battle Princess Madelyn terem focado no modo arcade, talvez entregando mais estágios ou mecânicas que realmente melhorassem o jogo. Talvez eles deveriam ter deixado o modo história para uma continuação ou um DLC, tendo assim mais tempo para aperfeiçoa-la, mas a verdade é que da maneira como nos foi entregue, tal modo pode ser considerado dispensável.

Mas, como a Capcom segue ignorando os muitos fãs que o Ghouls ‘n Ghosts conquistou nas décadas de 80 e 90, o Battle Princess Madelyn pode ser uma ótima maneira de matarmos a vontade de encararmos uma nova aventura do cavaleiro Arthur. O problema é que ao fazer isso teremos que conviver tanto com as qualidade quanto com os defeitos do original, pois a princesa Madelyn se inspirou tanto no outro herói, que trouxe consigo muitos dos vícios de um título desenvolvido há mais de três décadas.

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