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Descoberto raríssimo caso de gêmeos semi-idênticos, provavelmente são venenosos

3 anos atrás

O caso raríssimo aconteceu em Brisbane, Austrália, é apenas a segunda vez que se tem registro de algo assim, uma daquelas bizarrices que acontecem por biologia não ser uma ciência exata.

OK, biologia é coisa do século passado, mas mesmo assim ela não cansa de nos surpreender por sua complexidade e diversidade. Mesmo coisas simples (se você for o George Clooney) como a reprodução humana são uma caixinha de surpresas, vide o caso dos gêmeos de Brisbane, mas antes de chegar neles vamos ver rapidamente como são formados gêmeos:

Por definição gêmeos são duas ou mais crias nascidas da mesma gestação. Ou seja: praticamente todo cachorro ou gato é um gêmeo. Em humanos é mais raro, tendemos a ter gêmeos em 33,3 a cada mil gravidezes - gestações. O curioso é que por algum motivo misterioso esse número aumentou muito, já que em 1980 eram 18,8 gestações gemelares.

Existem alguns tipos básicos de gêmeos:

1 - Idênticos

São o tipo mais divertido, são a versão da Mãe Natureza para clones. Durante as primeiras fases da gestação, por algum motivo o blastócito, conjunto de células que, se não for menina chinesa tem boas chances de se tornar o embrião, se divide e como a natureza sempre acha um jeito de ferrar sua conta bancária, as duas metades continuam a crescer e se multiplicar, gerando dois fetos com DNA idêntico.

2 - Fraternais

Em biologia nada é exato e embora em teoria um e somente um óvulo amadureça a cada ciclo menstrual, às vezes mais de um ao mesmo tempo fica disponível pra fecundação, e como a proporção entre óvulos e espermatozoides é mais cruel que festa na Engenharia quando esquecem de chamar as meninas da Odontologia, não faltam voluntários e os dois óvulos acabam fertilizados. Cada um com DNA ligeiramente diferente do mesmo pai.

3 - Gêmeo do Climão

Também conhecido como super fecundação, é um daqueles casos que vai direto pro Ratinho ou pro Jerry Springer. Ocorre quando há mais de um óvulo disponível e a mulher é fecundada por dois homens diferentes, geralmente em Fernando de Noronha. Cada um dos gêmeos nasce com 50% de DNA da mãe (de cada óvulo) e 50% de DNA do respectivo pai.

O caso do artigo, que foi publicado no New England Journal of Medicine sob o título Molecular Support for Heterogonesis Resulting in Sesquizygotic Twinning, é diferente. E muio, muito raro.

O DNA de cada humano não-gêmeo idêntico é único (a rigor, há minúsculas diferenças mesmo entre gêmeos) então quando se fala "DNA da Mãe", não quer dizer que todos os filhos tenham exatamente o mesmo DNA e sim que diversos marcadores específicos são os mesmos, não que todas as sequências de nucleotídeos são iguais.

No caso dos gêmeos deste artigo, o quê ocorreu: dois espermatozoides conseguiram entrar no óvulo, o que nem é tão incomum, mas normalmente assim que um entra, processos celulares são desencadeados, o núcleo do óvulo diz que está com dor de cabeça, eles têm que acordar cedo pra ir pra Iguaba e o segundo espermatozóde vai pra sala pra ficar vendo SexyHot, ou é absorvido pelo citoplasma, não sei, não sou cientista.

Nesse caso os dois entraram exatamente ao mesmo tempo, começaram a se transformar em pró-núcleos paternos. Esses núcleos se combinaram com o pró-núcleo materno e com eles mesmos, mas o núcleo formado somente pelo material genético dos dois espermatozoides não é viável. Cromossomo Y é órgão excretor, não se reproduz.

NOTA: Sim, existe a chamada Síndrome YY, mas no caso o sujeito nasce com genótipo XYY, também temos XXXX, XXYY, XXXY, XYYY, XYYYY e várias outras anomalias cromossomiais pitorescas. Já os outros núcleos continuaram o processo perfeitamente e no final nasceu um casal de gêmeos com uma rara situação genética.

Eles têm DNA materno idêntico e DNA paterno diferente, são gêmeos idênticos por parte de mãe e fraternais por parte de pai. No papel isso não deveria acontecer, mas a natureza liga muito pouco pro que a gente acha.

Os cientistas da Universidade de Brisbane estão adorando e mal devem conseguir esconder a vontade de dissecar os gêmeos, é um caso que se vê uma vez na vida, muito mais raro mesmo do que gêmeos parasitas, quando um dos gêmeos é semi-absorvido pelo outro, ou até quimeras, quando nas fases iniciais da gestação os blastócitos se recombinam e alguns órgãos são criados por um dos gêmeos e outros por outro. Houve até casos de crimes onde a amostra de DNA do suspeito não combinava com a do crime por causa disso.

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