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Governo da Índia está prendendo jogadores de PUBG pra celular

Governo de lá culpa PUBG Mobile por atitudes violentas das pessoas

18/03/2019 às 12:19

O governo do estado de Gujarate, Guzerate ou Gujaráti (sério, eu encontrei vários nomes pro mesmo lugar que fica no noroeste da Índia) baniu um jogo de tiro bastante popular nos celulares, no começo deste mês: PUBG Mobile. A ideia de impedir que pessoas joguem o game é tão séria que as autoridades locais já prenderam 26 pessoas por desrespeitarem a lei.

As primeiras 10 prisões aconteceram na cidade de Ahmedabad, antiga capital do estado com vários nomes em português e que você pode ler no parágrafo acima, com outras 16 prisões na cidade vizinha, a Rajkot.

A justificativa do banimento do jogo é a mesma que nosso querido governo já falou (pela boca de Mourão) depois do episódio triste da escola de Suzano: as pessoas estão violentas e a culpa é dos jogos. Afinal de contas, é mais fácil culpar um game, do que pessoas ou atitudes de líderes e governantes.

Um ministro em outro estado da Índia, Goa e que fica bem distante de Gujarate (prefiro esse nome e é o que está no Google Maps), diz que o jogo é “um demônio em cada casa” (!!!).

Tudo bem que existem alguns casos meio que do lado extremo da coisa, sendo um deles de um jovem de 18 anos, morador de Mumbai, que aparentemente resolveu cometer suicídio depois de ter negado o pedido pra ganhar um smartphone pro jogo, pra PUBG Mobile e que é de graça no Android e no iPhone, iPad e iPod Touch - é pago no PC e consoles.

A imprensa de lá diz que o celular custava umas 35 mil rúpias indianas, o que dá perto de R$ 2 mil. Aparentemente a família chegou a dar o OK pra um smartphone que custava 20 mil rúpias (que dá pouco mais de R$ 1,1 mil), mas o guri queria o mais caro - e, provavelmente, mais potente.

Aparentemente ele não percebeu que com o jogo rodando na menor qualidade possível, a grama deixa de ser conteúdo que aparece na sua tela e deixa mais visível quem está deitado no chão, achando que está escondido. Fica a dica pra quem joga.

A Índia é enorme!

A Índia sempre é colocada como mercado importantíssimo pra uma quantidade enorme de fabricantes. A IDC diz que o mercado de lá cresceu 14,5% em 2018, com força muito grande de empresas que trabalham mais pra venda online do que no varejo ou em operadora. A Xiaomi liderou o último trimestre do ano passado, com 28,9% do mercado só dela - seguido de Samsung com 18,7% e Vivo com 9,7%.

A Apple, com todo dinheiro quase-infinito que tem, trabalha com problemas sérios pra conseguir entrar de vez por lá. A Samsung, que também tem uma quantidade gigantesca de dinheiro e vontade de fazer marketing, sofre e não passa do segundo lugar em vendas. Ela tem menos de um quinto do mercado, enquanto que no Brasil dá braçadas largas com números próximos de 50% de mercado só da coreana e basicamente com os Galaxy J.

Celulares que não custam tanto, com uma população gigantesca (a Índia tem 1,3 bilhão de pessoas e isso significa mais de seis vezes o que temos no Brasil) e um jogo gratuito, que roda bem em muito intermediário simples e que oferece mecanismos de chat por voz dentro do próprio game, sem necessidade de acessório ou configuração chata: receita de sucesso.

Voltando pro caso do PUBG Mobile

Claro que muita gente ficou pistola com o que aconteceu por lá. Uma busca rápida pela hashtag #PubgBan no Twitter mostra isso (sério, coloca lá). A própria polícia de Ahmedabad diz que está revisando suas atitudes e que entende que muita gente joga PUBG Mobile na tranquilidade de um jogo, nada mais. Diz também que o banimento do game acaba no dia 28 deste mês.

Por outro lado, o comunicado oficial diz que a polícia está atenta aos efeitos colaterais que podem aparecer com o vício em PUBG de celular e que está reunindo informações pra saber se continua ou não com a proibição.

PUBG tá tentando resolver

A empresa responsável pelo jogo, chamada de PUBG Corporation, também está de olho no que vem acontecendo na Índia. “Estamos trabalhando para entender a base legal de tais proibições e esperamos que possamos ter um diálogo construtivo com as autoridades competentes, para explicar nossos objetivos e que eles retirem a proibição”, diz a empresa.

O curioso é que Fortnite, que é até mais popular do que PUBG Mobile e é de graça em todas as plataformas onde existe (isso inclui computador e todos os consoles desta geração), não recebeu o mesmo tratamento do governo. O jogo é de tiro, faz pessoas matarem outros personagens, mas muda apenas em uma coisa que me fez abandonar o jogo: você pode subir um prédio quando leva tiro e isso é bizarro.

Com informações: CNET, The Indian Express, BGR e The Times of India.

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