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Pepsi e startup russa querem colocar anúncios no espaço

Startup russa quer utilizar cubesats para refletir a luz do Sol de volta para a Terra, na forma de anúncios; a Pepsi seria sua primeira cliente

1 ano e meio atrás

A Pepsi se meteu numa tremenda sinuca de bico na última semana: ela teria contratado os serviços de uma companhia russa, chamada StartRocket, que  começou a lançar diversos cubesats, no intuito de usa-los como o primeiro "outdoor espacial" da história: eles seriam projetados para exibir nomes e marcas de volta para Terra, usando velas para refletir a luz do Sol.

O mais interessante (para o bem e para o mal), é que algo assim não deve realmente demorar para acontecer.

Sunrise / Cena de Cowboy Bebop / pepsi

O conceito em si não é tão mirabolante quanto parece: o anúncio espacial utilizaria uma rede de cubesats conectados, posicionados a uma altitude de 450 km, que dependendo da configuração, alguns deles abririam velas de mylar que atuariam como painéis reflexivos, redirecionando a luz do Sol de volta para a Terra. É mais ou menos uma "constelação personalizada".

A PepsiCo., como sua primeira cliente, inicialmente planejou exibir um anúncio do energético Adrenaline Rush, como parte de uma campanha para "combater estereótipos e preconceitos injustificados contra gamers". Até porque, você sabe, eles são as maiores vítimas da sociedade, a ponto de valer a pena investir em um anúncio espacial nisso.

O vídeo abaixo ilustra como a rede de cubesats funcionaria:

De acordo com  Vlad Sitnikov, líder do projeto da StartRocket, a ideia é utilizar o anúncio da Pepsi como prova de conceito, e a partir daí, vender espaços publicitários para grandes marcas, como a Coca-Cola, ou para eventos de grande porte, como o Super Bowl, as Olimpíadas de 2020, e Copa do Mundo de 2022. Ele mencionou inclusive a possibilidade de vender espaço para anúncios do Brexit e do muro do Trump, afinal, russos.

Desnecessário dizer que o anúncio espacial despertou reações acaloradas, em especial da comunidade científica. O professor Patrick Seitzer, da Universidade de Michigan disse ao site Astronomy que "lançar projetos de arte como esse, sem nenhum valor científico, comercial ou para a segurança nacional, parece imprudente".

Já o astrônomo John Barentine chamou a ideia de "repulsiva", uma ameaça à observação celeste (a poluição luminosa vindo dele suprimiria a luz das estrelas, ainda mais do que as luzes das cidades), e que ninguém que olhe para o céu e veja um anúncio vai achar que esta foi uma ideia. O jornal Express foi ainda mais incisivo, e acusou Pepsi e StartRocket de "quererem arruinar o céu".

Depois que o assunto bateu no ventilador, a PepsiCo. mudou o tom: em nota enviada ao site Gizmodo, a empresa afirmou que o teste inicial feito com balões foi único, e que não pretendem levar o projeto adiante. Por outro lado, tanto a StartRocket quanto Olga Mangova, porta-voz da divisão russa da companhia de água açucarada, afirmam que o plano de levar o anúncio gamer do Adrenaline Rush ao espaço continua.

Pepsi / anúncios no espaço

Logo depois, em um nova nota enviada ao site Futurism, o porta-voz da matriz Nicole Tronolone afirmou categoricamente que os cubesats não vão subir, e que houve um "problema de linguagem" entre as divisões. Falando francamente, ninguém fora do núcleo da Pepsi e da StartRocket sabe o que vai acontecer a seguir.

O grande problema não é se alguém vai conseguir um dia lançar um anúncio em órbita, e sim quando. Arthur C. Clarke e Isaac Asimov aventaram essa possibilidade a décadas, e mais: conforme define o Tratado do Espaço Exterior, assinado por Estados Unidos, Reino Unido e União Soviética em 1967, e ratificado por 108 países (Brasil incluso), o espaço fora da Terra não pertence a nenhuma nação, e logo, qualquer empresa privada pode fazer o que quiser com ele. Até colocar anúncios.

Além disso, colocar cubesats em órbita não é caro; qualquer colégio com alunos interessados e professores que incentivam o pensamento científico consegue, até mesmo no Brasil (vocês não, INPE e ITA). O Tancredo-1 ficou dez meses em órbita e funcionou perfeitamente, para explorar a tecnologia comercialmente, é um pulo.

E nesse dia, para a infelicidade de quem só quer observar o céu em paz, a poluição luminosa não estará mais restrita ao chão.

Com informações: Futurism (aqui e aqui), Astronomy, Gizmodo.

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