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Audi e Marvel alteram realidade para não confundir fãs de Vingadores: Ultimato

1 ano atrás

Existe um termo em ficção chamado "suspensão de incredulidade". É o acordo entre autor e espectador/leitor onde a gente aceita as regras de um Universo, mas em troca o autor garante que elas serão consistentes e farão sentido. Quando uma obra não respeita as próprias regras, ela se enfraquece.

Em Aladdin o gênio podia fazer tudo, menos alguém se apaixonar, matar uma pessoa ou ressuscitar os mortos. Em Jornada nas Estrelas naves camufladas não podem usar as armas. Em Matrix todo mundo era pobre e não tinha plano de dados, então só podiam fazer download por linhas físicas.

Não importa quão arbitrária seja a regra, desde que funcione de forma consistente. Gremlins não podem ser alimentados depois da meia noite, mas qual meia noite? Aonde: tempo sideral, tempo local? Não importa.

Clark Kent não é reconhecido quando tira os óculos. Por mais idiota que seja, é a regra e a gente aceita. A mira especialmente ruim dos stormtroopers do Império? Mesma coisa.

Em Guerra Infinita, Thanos se apossa de várias Gemas do Infinito, incrivelmente poderosas, mas só as usa pra socar adversários. Ficou definido que ele quer TODAS e não as usaria isoladamente. Estúpida decisão, mas consistente.

A suspensão de incredulidade faz a gente aceitar um guaxinim falante (experimento genético) e uma árvore (não muito) inteligente, por ser alienígena e não temos problema com Starlord voando, mas se em algum momento ele voasse sem o auxílio de seus jatos de calcanhar, imediatamente a plateia pensaria: "mas como assim?"

Respeitando essas regras Hollywood pode nos contar histórias de Orcs, cavaleiros, dragões de Westeros, exércitos Chitauri invadindo Wakanda e um vilão que se tornou a segunda criatura mais poderosa da existência estalando os dedos e matando metade das coisas vivas, mas uma coisa foi longe demais e teve que ser refeita: o Audi E-tron GT.

O E-tron GT é um carro conceito elétrico, com 582 HP de potência, faz de zero a 100 em 3,5 segundos, velocidade máxima de 250 km/h e autonomia de 400 km. Ele é a última encarnação da muito bem sucedida parceria entre a Marvel e Audi, que vem patrocinando os delírios automobilísticos de Tony Stark desde o primeiro Homem de Ferro.

Em Endgame um E-tron aparece, em uma cena onde um personagem faz uma entrada bem espalhafatosa, deslizando na brita com direito a barulho de freada. Até aí tudo bem, mas o Audi E-tron GT (ênfase no E-tron) faz um som... estranho.

O pessoal do Jalopnik diz que parece um motor a combustão debaixo d'água. O som foi criado pela Audi e aperfeiçoado pela Marvel, não é um carro convencional, mas definitivamente não soa como um carro elétrico.

O problema todo é que o público não está acostumado com carros elétricos e sendo honesto eles são... sem graça no quesito sonoro. Não digo nem no sentido dos carros de Formula E, que parecem uma enceradeira tendo um derrame, mas no sentido de não terem som nenhum.

No filme o liiiinnnnndo e poderoso E-tron chegaria fazendo apenas o barulho das pedrinhas no caminho, como neste filme aqui:

A cena perderia metade da graça, provavelmente muita gente acharia que o sonoplasta dormiu no ponto.

O jeito é alterar a realidade, para ficar mais real. Não que seja novidade, Hollywood nos ensinou que: 1- explosões ocorrem em câmera lenta e, 2- o som sempre chega ao mesmo tempo que a imagem. Isso acabou acostumando tão mal as pessoas, que gente se fere desnecessariamente ao não fazer nada quando testemunha uma explosão distante, mesmo tendo tempo pra se proteger.

Essa, aliás, é a alteração de realidade mais comum em Hollywood, você jamais verá em um filme um vulcão explodindo como este, com direito à onda de choque visível e um bom tempo entre o visual e o som:

Curiosamente talvez a gente não se acostume nunca com carros elétricos silenciosos, eles são um perigo para pedestres e as próprias empresas estão se antecipando à legislação. Sete anos atrás a própria Audi já estudava sons para seu E-tron, e o parlamento europeu já decidiu faz tempo que elétricos e híbridos devem fazer barulho.

Corre o risco de se o Audi E-Tron GT for produzido, ele saia da fábrica com o barulho esquisito criado para o filme, o que seria uma estranha forma da ficção alterar a realidade, mas a gente aceita guaxinins falantes, então nem dá pra reclamar muito.

Fonte: The Drive

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