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Putin aprova lei que pode isolar a internet da Rússia

Lei de Soberania sancionada por Vladimir Putin prevê que a internet da Rússia possa funcionar independente de servidores externos; ato gerou protestos

2 anos atrás

A Rússia está muito perto de criar uma internet nos moldes da chinesa: nesta quarta-feira (01), o presidente Vladimir Putin sancionou a controversa lei de Soberania da Internet, bastante criticada por ativistas e defensores do livre acesso, que cria mecanismos para que a rede do país possa funcionar de maneira completamente independente de servidores externos.

Vladimir Putin e notebook / internet rússia

O projeto de lei, apresentado em dezembro por oficiais do governo foi aprovado em tempo recorde, em parte graças ao lobby promovido pelo próprio Putin: ele desde o início defende que a Rússia precisa ter uma internet "sustentável, secura e completamente funcional", mas que seja protegida de interferências externas à nação, ou mesmo que dependa de infraestrutura externa.

Em teoria a lei, que entrará em vigor em novembro, determina que provedores locais sejam desconectados de servidores estrangeiros, e propõe a criação de um domínio nacional centralizado, que possa garantir a manutenção da rede em caso de um blecaute em outras regiões, e que também administre e supervisione todo o seu conteúdo. Resumindo, que ela possa operar dentro dos limites impostos pelo Kremlin, e de forma totalmente independente ao resto do mundo.

Não surpreende, portanto, que tal órgão central ficará subordinado ao Roskomnadzor , o departamento federal responsável pela regulamentação dos serviços de mídia e telecomunicações da Rússia. Ou, em outras palavras, o censor do governo. Ele inclusive teria o poder de "puxar a tomada" do acesso à internet externa a qualquer momento, se for julgado necessário.

Obviamente que a lei, desde que foi apresentada acionou todos os alarmes entre os que defendem uma internet livre, já que ela fornece todos os meios para que Putin crie uma versão do Escudo Dourado, o firewall que blinda completamente a internet da China, não permitindo que seus cidadãos possam acessar nenhum tipo de conteúdo externo, ou censurado por Pequim. E desde a sanção, tem havido protestos na Rússia e fora dela, contra a aplicação da lei.

Agora, apontemos para o óbvio ululante: nos últimos anos, Putin vem fazendo de tudo para exercer um controle ferrenho sobre a internet russa, como banir o Telegram e IPs do Google e Amazon, obrigar blogs e influenciadores digitais a se registrarem como veículos oficiais de mídia, editar entradas na Wikipedia, oferecer uma recompensa para quem quebrasse o Tor, ameaçou banir Google, Twitter e Facebook do país, proibiu memes com figuras públicas, baniu o LinkedIn e soluções Microsoft de computadores públicos, além da Intel e a AMD, em prol de processadores locais, e por aí vai.

A mais recente, vinda do Roskomnadzor é a proposta de banir 10 programas de VPN do país (desses, apenas o mantido pela Kaspersky Lab é russo), por permitirem que cidadãos russos acessem conteúdos censurados pelo governo.

Vale lembrar que eles já foram limitados na China (em teoria, eles podem operar desde que de acordo com o governo, ou seja, não furem o firewall ou exibam conteúdos sensíveis), embora ainda seja possível usa-los, com dificuldade, e o mesmo vem acontecendo na Rússia, porque é assim que as coisas serão por lá de agora em diante.

Portanto, não estranhe se a partir de novembro, Putin erguer uma Cortina de Ferro digital em torno da internet da Mãe Rússia.

Com informações: Financial Times, CNN, Engadget.

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