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Kung Fury 2 vem aí, com direito a Arnold e tudo!

2 anos atrás

É comum vermos gente dizendo que vivemos uma era de ouro do entretenimento, com milhares de opções para consumirmos, mas a grande era de ouro atual na verdade é dos criadores. Nunca foi tão fácil criar e compartilhar sua arte com o mundo.

Antigamente quem queria escrever até podia, mas o público se resumia aos colegas de escola, isso se você conseguisse máquina de escrever e papel-carbono. A gente até brincava de fazer programas de rádio (os millenials chamam de podcast) mas a edição era mínima, exigia alguém ter dois gravadores, e as fitas, filhas únicas eram emprestadas também no colégio.

Se você fosse rico, teria uma câmera super-8, muita gente tipo Spielberg e George Lucas começou assim, fazendo filmes no quintal.

Hoje qualquer idiota tem um blog e fala com milhares de pessoas. Há gente que arregimenta milhões de fãs no YouTube usando pouco mais que uma TekPix. Computadores domésticos conseguem produzir imagens e efeitos visuais indistinguíveis de uma produção de Hollywood.

Isso não começou de repente, as pessoas sempre usaram a tecnologia disponível para criar conteúdo original. Em 1992 um grupo de finlandeses produziu um vídeo curto, Star Wreck, uma paródia de Star Trek usando imagens do vídeogame Star Control, foi um dos primeiros exemplos de Machinima, um termo usado para designar obras de ficção criadas usando engines de videogames. Red vs Blue, usando o cenário e personagens de Halo é talvez o exemplo mais conhecido.

Star Wreck evoluiu, gerando várias continuações, com efeitos melhores, começaram a incluir atores e acabaram produzindo até um longa em 2005: Star Wreck: In the Pirkinning. È tosco? Com certeza, fanfilm até o osso, mas é divertido.

Outra série famosa é Iron Sky, do mesmo pessoal do Star Wreck. Eles fizeram em 2012 um filme "de verdade", com o delicioso enredo de nazistas vivendo secretamente na Lua por 70 anos e invadindo a Terra.

O primeiro filme foi feito em regime de crowdfunding, e em 2019 usando o mesmo modelo produziram um segundo, Iron Sky: The Coming Race, e convenhamos quem não quer ver um filme com Hitler montado em um T-Rex?

De todos esses filmes o mais farofa de todos sem dúvida é Kung Fury, de 2015. Escrito dirigido e estrelado pelo sueco David Sandberg, é um maravilhoso samba do crioulo doido que mistura Anos 80, Kung Fu, animação, David Hasselhoff e Hitler.

Por algum motivo esses criadores europeus parecem obcecados por Hitler.

Kung Fury, também produzido em regime de crowdfunding, foi feito para parecer um daqueles filmes que a gente pegava na locadora quando dormia demais e chegava sábado 11:30 da manhã. Deliciosamente tosco, mistura Hitler, Kung Fu, viagens no tempo, Thor, arcades, dinossauros e guerreiras vikins usando UZIs.

É a mais perfeita obra de 80sploitation que já vi, e para nossa alegria está inteiro disponível no YouTube, com mais de 32 milhões de visualizações.

O Kung Fury original entrou no Kickstarter pedindo US$200 mil, encerrou a campanha arrecadando US$630 mil, e foi parar até no Festival de Cannes. A produção foi lindamente tosca, digna de quem tem que se virar sem verba da ANCINE.

Sandberg só tinha um uniforme de policial, então teve que vestir os figurantes um de cada vez e combinar as imagens para povoar as cenas na delegacia. O filme é quase todo rodado em cenários virtuais, e foi filmado no escritório do diretor. Sem falar no maravilhoso...

Apesar de usar e abusar dos clichês dos filmes policiais dos Anos 80, Kung Fury não é cínico, é uma carta de amor aos absurdos da época, tempos mais simples onde a gente se divertia sem fazer análise sociológica de tudo, e a gente podia rir da cena da Anna Nicole Smith no Corre que a Polícia Vem Aí 3 sem ir pra cadeia.

Kung Fury lembra muito o injustiçado Último Grande Herói, e talvez por isso (por dinheiro não foi) Arnold Schwarzenegger tenha topado participar da continuação, junto com Michael Fassbender.

É normal, artistas são gente como a gente e também fazem coisas apenas por diversão de vez em quando, vide o maravilhoso, insuperável e politicamente incorreto O Destino De Miguel.

A continuação começará a ser filmada na Bulgária e na Alemanha no final de Julho, depois que investidores abraçaram o projeto, que está bem mais ambicioso. Só é preocupante os efeitos visuais estarem a cargo da Double Negative, uma empresa que já ganhou 5 Oscars, incluindo por First Man, o filme do Neil Armstrong. Kung Fury não funciona com esse nível de qualidade, espero que saibam simular tosqueira.

Não há detalhes ainda sobre o enredo, só que será no mesmo universo, com o mesmo protagonista mas sem relação com o primeiro filme, ou seja: Nada de Hitler. O importante é que seja despretensioso e farofa como o primeiro!

Fonte: Hollywood Reporter

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