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Google Chrome vai restringir bloqueadores de anúncios a usuários corporativos

Usuários finais do Google Chrome que recorrem a bloqueadores modernos terão problemas; restrições não se aplicam a quem paga para usar o browser

1 ano atrás

O Google Chrome vai mudar a forma com a qual lida com bloqueadores de anúncios automáticos: em fevereiro de 2019 o Google anunciou o Manifest V3, uma série de modificações no projeto Chromium em prol da segurança e estabilidade, mas que diminuirá a eficiência de alguns plugins populares.

Após críticas da comunidade, desenvolvedores de extensões e usuários, o Google anunciou que levaria mais tempo para por a mudança em prática, mas ela vai acontecer; a novidade é que os usuários corporativos, que pagam para ter acesso ao navegador em aplicações específicas (como desenvolvedores) poderão continuar a usar o recurso.

kpuljek / placa de Pare (alterada) / Pixabay / Google Chrome

Quando o Manifest V3 foi anunciado, ele causou um tremendo estardalhaço na internet ao revelar as mudanças propostas para o funcionamento do Chrome, especificamente no que tange a bloqueadores de anúncios automáticos. Extensões como uBlock Origin, uMatrix, Ghostery e similares, que utilizam um conjunto de regras próprias seriam forçados a migrar da API webRequest, em que todos eles estão baseados, para a nova declarativeNetRequest, bem mais restritiva.

Funciona assim: a proposta original do Manifest V3 visa impedir que bloqueadores utilizem suas regras para bloquear anúncios antes deles serem recarregados; ao invés disso, os bloqueadores serão obrigados a incluir uma lista de regras, similar ao método que AdBlock Plus utiliza.

Também semelhante ao AdBlock, que como sabemos vende proteção, as listas de filtros terão que ser submetidas ao Google para análise, e ele dará a palavra final sobre quais anúncios podem ser bloqueados e quais não podem.

A chiadeira foi geral, e com razão. Raymond Hill, criador do uBlock Origin e uMatrix botou a boca no trombone (cuidado, PDF), dizendo que o Google estaria tentando "AdBlockizar" os bloqueadores de anúncios, de forma a assumir o controle do que pode ser exibido ao usuário, e em última análise, isso significaria o fim de suas extensões automáticas, e de outros devs com funções similares.

Vale lembrar também que o Chrome já conta com um bloqueador nativo que também funciona no sistema de listas, com sites aprovados continuando a ser exibidos igualzinho à forma que o AdBlock trabalha, em acordo com o Google.

Pin do Google Chrome

Depois de muito bafafá, o Google deu um passo atrás em sua decisão, informando que avaliaria melhor os impactos da mudança do webRequest para a declarativeNetRequest. Na ocasião, a companhia declarou que "não é, nem nunca foi nosso objetivo (da empresa) impedir ou interromper o bloqueio de conteúdo", e há de se levar em conta que a atual API também é usada por extensões que bloqueiam sites de phishing automaticamente.

No entanto, nesta semana o Google deixou bem claro que para o usuário final, as mudanças serão mantidas doa a quem doer: uma resposta deixada por um desenvolvedor interno na lista de discussões do Chromium revelou o que será feito em breve:

“O Google Chrome vai depreciar os recursos de bloqueio da API webRequest no Manifest V3, mas não da API webRequest inteira (embora o bloqueio ainda esteja disponível para implantações corporativas)”.

Isso significa que se você é um usuário corporativo, seja uma empresa ou desenvolvedor que paga para utilizar o Chrome, ainda poderá utilizar os recursos de bloqueadores de anúncios. Tal decisão foi tomada provavelmente porque devs precisam de ferramentas especializadas e avançadas, especialmente para desenvolver novas extensões para o Chromium.

Para os mortais, entretanto, os planos do Manifest V3 permanecem inalterados, e os bloqueadores automáticos serão irremediavelmente restritos. Estes terão que mudar para o sistema de regras, mas é preciso lembrar que atualmente, o Chrome limita o número a apenas 30.000, enquanto listas populares como a EasyList contêm mais de 75.000 regras.

Stop Ads / Google Chrome

Diz o Google que ele está considerando aumentar o número de regras suportadas pela declarativeNetRequest, mas que isso está atrelado aos testes de desempenho do navegador, e não deu garantias de que irá mesmo fazer tal coisa. Para todos os efeitos, o modo como usuários avançados utilizam o Chrome vai mudar.

Raymond Hill novamente não se mostra contente com a situação, ao dizer no GitHub do uBlock Origin que o modelo de negócios do Google, que é exibir anúncios (mais de 90% da renda bruta da gigante vem de propaganda) é incompatível com a forma que os bloqueadores modernos funcionam, algo que Mountain View não faz questão de esconder: o Formulário 10-K, publicado pela Alphabet Inc. (holding do Google) e ao qual Hill teve acesso, deixa claro que para a gigante das buscas, tais extensões são um risco.

"Tecnologias novas e existentes podem afetar nossa habilidade de personalizar anúncios e/ou bloquear anúncios online, o que pode prejudicar nossos negócios.

Tecnologias vêm sendo desenvolvidas para dificultar a criação de anúncios customizáveis, ou para bloquear a exibição de anúncios; alguns provedores de serviços online incorporaram recursos que poderiam prejudicar a funcionalidade central da publicidade digital de terceiros. A maior parte de nossa receita (do Google) provém de taxas pagas a nós relacionadas à exibição de anúncios online. Como resultado, tais tecnologias e ferramentas podem afetar negativamente nossos resultados operacionais."

Sem muita surpresa é o Google protegendo os seus negócios; o recurso permanecerá ativo para clientes corporativos porque obviamente, eles já são uma fonte de renda, o que cobre as perdas mesmo que parcialmente.

O Google não revela quando o Manifest V3 entrará em vigor, e especula-se que o Manifest V2, em que a webRequest se baseia, permanecerá no ar por pelo menos mais um ano. Quando a mudança for feita, quem utiliza o Google Chrome e extensões modernas terá ou que se adaptar, ou mudar de navegador.

Com informações: Google, 9to5Google.

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