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Estariam os games romantizando a guerra?

Fuzileiro americano condecorado com a Medalha de Honra diz que os jogos estão romantizando as guerras e no fundo ele não está errado.

42 semanas atrás

Hoje em dia todo mundo parece ter uma opinião sobre a maneira como a violência é retratada nos games. De um lado temos os jogadores, que no geral não acham que a mídia seja capaz de influenciar o comportamento, enquanto do outro temos o restos da população, que pensa que eles são verdadeiros formadores de assassinos. Mas quando alguém que recebeu uma Medalha de Honra do congresso americano se posiciona sobre o assunto, acho que devemos prestar atenção.

Medal of Honor: Warfighter - EA e a sua "Medalha de Honra"

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Tendo servido entre 2006 e 2010, Dakota Meyer é um ex-fuzileiro que combateu no Afeganistão, tendo sido condecorado pela Batalha de Ganjgal, que aconteceu no dia 8 de setembro de 2009. O rapaz ganhou notoriedade por, mesmo contra ordens, ter se metido numa zona de tiro e após resistir por seis horas, salvou a vida de 12 soldados. Isso fez dele a segunda pessoa mais jovem ainda viva (23 anos) a receber a maior condecoração militar dos Estados Unidos, além de ter sido o primeiro a recebê-la em vida após 38 anos.

Pois bem. Recentemente Meyer participou do podcast Joe Rogan Experience e num determinado momento ele falou sobre os games e maneira como a indústria tem glorificado as guerras. Confira:

Videogames sobre guerra… A guerra agora foi romantizada, tem sido romantizado que esta é uma imagem legal… Escuto as pessoas dizendo que irão apenas chutar uma porta e atirar na cara dos outros. Bem, você provavelmente nunca fez isso antes. Temos crianças jogando videogames de coisas que me mantêm acordado a noite. E é como, qual é o ponto de começar a humanizar essas coisas?

Não existe nada legal sobre tirar a vida de outro humano. Quando você está jogando videogame, é como ‘Oh, consegui diversas mortes.’ Essas crianças estão olhando esta tela seguidamente e quanto mais gráfico se torna, menos sensibilizados nos tornamos em relação a outros humano sofrendo. Nós nos distanciamos da empatia por, ei, essas são pessoas reais. São as vidas de pessoas reais.

Nós podemos concordar ou não com o comentário de Meyer, mas não há como negar que ele possui um bom argumento. Na verdade, eu até acho que ele tem razão, pois romantizar as guerras é algo que os games tem feito há muito tempo.

Eu nunca esqueci a primeira vez que joguei o Medal of Honor: Allied Assault e da sensação que tive ao desembarcar na Normandia em pleno Dia-D. O que dizer então da travessia do Rio Volga que fiz na parte final do primeiro Call of Duty, quando me preparava para retomar Stalingrado? Pois a lista poderia continuar por muitas e muitas linhas.

No entanto, por mais que eu corra o risco aqui de cair no lugar comum, acredito que essa não seja uma exclusividade dos games. Não é preciso procurar muito para encontrarmos filmes e livros que fizeram exatamente a mesma coisa e as reclamações quanto a isso não pareciam tão incisivas. Quem aqui não sentiu vontade de se tornar um sniper ao assistir Círculo de Fogo (Enemy at the Gates) ou achou fantástica a saga vivida por um grupo de soldados que foram enviados em uma missão suicida para salvar o Soldado Ryan? O que dizer então da fraternidade criada pelos membros da Easy Company e retratada brilhantemente em Band of Brothers?

O próprio exército dos Estados Unidos sempre aproveitou essa romantização para atrair novos recrutas, inclusive criando o America's Army, jogo cujo objetivo é justamente mostrar — através da violência — como pode ser legal se tornar um fuzileiro.

Ou seja, mesmo achando que Dakota Meyer está certo na sua colocação, não compactuo com a ideia de que os videogames devam ser considerados culpados por isso. Ou então teríamos que apontar as mesmas armas para os livros, filmes, séries…

Fonte: Gamespot.

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