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Avell G1550 RTX: lobo em pele de cordeiro — Review

Mais fino do que a média, Avell G1550 RTX é um notebook gamer equipado com processador Intel de 9ª geração e GPU nVidia GeForce RTX 2060

39 semanas atrás

O Avell G1550 RTX não se parece com o que normalmente se espera de um notebook gamer: seu visual externo não traz ângulos exagerados, LEDs e logos espalhafatosos, e tem um ar de laptop corporativo. Porém, por baixo do capô reside uma fera com processador Intel Core de 9ª geração, GPU RTX 2060 da nVidia com suporte a Ray Tracing e um SSD M.2 como unidade de armazenamento padrão.

Avell / Avell G1550 RTX MUV

Afinal, o notebook da fabricante brasileira vale os R$ 9.799 da configuração básica? Eu o testei por duas semanas e conto tudo a seguir.

Design

O Avell G1550 RTX é um notebook bem menos chamativo do que produtos similares da Dell ou Acer. Seu corpo em plástico imita aço escovado na tampa e interior, com um tom preto fosco nas laterais que passa a impressão de um laptop sério, que você encontraria em ambientes corporativos.

Há alguns detalhes angulados no exterior, mas nada que comprometa o visual "belo, recatado e do lar".

Avell / Avell G1550 RTX MUV

Na parte interna, a Avell introduziu um sistema de refrigeração com uma grande grelha e duas ventoinhas, que jogam o ar quente para fora e mantêm o sistema em temperaturas minimamente sustentáveis, principalmente se você está jogando ou rodando alguma aplicação mais exigente. O problema é que embora a área inferior, onde as mãos são apoiadas fiquem bem fresquinhas, a parte superior, próxima do botão Liga/Desliga permanece bem quente, ao ponto do usuário não conseguir manter os dedos ali por muito tempo.

Nas portas a Avell nunca economizou: temos duas USB-A 3.1 e uma USB-A 2.0, essencial para quem usa periféricos externos, principalmente um mouse dedicado. Uma Ethernet Gigabit, o leitor de cartões SD e duas portas P2, para microfone e fone de ouvido, dispostas nas laterais, junto com a porta Kensington de segurança.

Avell / Avell G1550 RTX MUV

Todas as demais, como a entrada para alimentação externa, uma HDMI 2.0, duas Mini DisplayPort 1.2 e uma USB-C 3.1 se encontram na parte traseira do notebook, o que é muito estranho para o último conector em si, que estaria melhor posicionado em uma das laterais.

Já o som é bem... meh. O conjunto de alto-falantes faz apenas o básico e sofre quando as ventoinhas estão trabalhando na potência máxima. Ao menos ele não distorce nada, mas a meu ver está bem abaixo do esperado para um produto desta faixa de preço, já que não se destaca nem nos graves e nem nos agudos. Use uma caixa de som Bluetooth no dia a dia e fones de ouvido para jogar, que você terá resultados melhores.

Tela

Ah, a tela... temos aqui um display LCD WMA de 15,6 polegadas, resolução Full HD (1.920 x 1.080 pixels) e recursos excelentes para gamers, como uma taxa de atualização de 144 Hz e um tempo de resposta de apenas 5 milissegundos.

Avell / Avell G1550 RTX MUV

A reprodução de cores e o ângulo de visão são muito bons, e trabalha muito bem com as ferramentas GeForce Experience, mesmo não trazendo G-Sync. As bordas não são ultrafinas, mas também não são exageradamente grossas, permanecendo na média.

Teclado e touchpad

O teclado me agradou mais do que a média; ele traz um layout completo e padrão ABNT2 com retroiluminação RGB, mas o grande destaque é o fato das teclas serem mecânicas, algo não muito comum em laptops e que propicia uma sensação muito boa para trabalhar e jogar.

O espaçamento entre as teclas é bem pequeno, mas isso não incomoda quem está acostumado a trabalhar em notebooks que trazem o teclado numérico, que muita gente não curte. Eu sempre prefiro que ele esteja presente, minha memória muscular agradece.

Avell / Avell G1550 RTX MUV

O destaque nas teclas WASD e setas não é nada muito berrante e com uma configuração dos LEDs RGB mais comportada, pouca gente vai perceber que se trata de um notebook gamer. O touchpad, por sua vez é bem grande, com um bom tempo de resposta e resistência, sendo excelente para trabalho e navegação em geral. Para jogos, como de praxe o periférico nunca é o suficiente, logo, ter um mouse à mão é sempre a melhor opção.

Software, desempenho e autonomia

Temos aqui o i7-9750H, um processador Intel Core de 9ª geração, com 6 núcleos, 12 threads e clock base de 2,6 GHz, chegando a até 4,5 GHz com TurboBoost. Aliado a ele, a placa de vídeo RTX 2060 da nVidia, com 6 GB de RAM GDDR6 e suporte a ray tracing, a tecnologia que reproduz reflexos e luzes com fidelidade, se baseando na Física. Por fim, um SSD M.2 de 512 GB e 16 GB de memória RAM DDR4 a 2.666 MHz, que pode ser expandida facilmente a até 64 GB.

Um notebook gamer com essa configuração tem que rodar jogos com alta fidelidade, e nisso o Avell G1550 RTX não decepciona. Em testes com jogos mais modestos e menos comilões, como Counter-Strike: Global Offensive e Fortnite o notebook sem suou. Mesmo títulos razoavelmente mais comedores de recursos, como Hellblade: Senua's Sacrifice, Battlefield 1, Gears of War 5 e The Outer Worlds rodaram tranquilamente, nas configurações mais pesadas e com uma taxa de quadros entre 60 e 90 fps.

 

Geekbench 4

Pontuação do G1550 RTX no Geekbench 4.4.2

O único jogo de que eu dispunha em meu acervo compatível com ray tracing era Metro Exodus, mas ativar o DLSS cobra seu preço: com ele ativo e as configurações no Ultra, a taxa de quadros ficou entre 25 e 35 fps; reduzindo os gráficos para o High, a taxa subiu para 55 fps; voltando ao Ultra e diminuindo a qualidade dos reflexos, atingi marcas em torno de 65 fps.

Há de se levar em conta que a RTX 2060 é o modelo de entrada da nVidia para Ray Tracing e há modelos da Avell equipados com as mais poderosas RTX 2070 e 2080 (apenas nos modelos de 17 polegadas), mais capazes. Obviamente, o preço sobe bastante ao fechar com tais configurações.

A versão testada veio com o Windows 10 home instalado, mas como de praxe, os modelos mais baratos não trazem nenhum sistema operacional instalado, nem mesmo Linux. A Avell defende essa estratégia como forma de baratear o preço final, mas convenhamos, há opções no mercado tão poderosas quanto com o sistema da  Microsoft pré-instalado, e muitas vezes, por um preço até menor.

Sobre a autonomia, vale a velha regra: notebooks gamers dependem de tomadas o tempo todo. Em meus testes, duas horas de Netflix foi suficiente para derrubar a carga de 100% para 10%; já jogos, Metro Exodus com Ray Tracing ligado drenou a energia completamente em 32 minutos.

O carregador de 230 W, embora potente, não faz milagres e levou 2 horas e 15 minutos para injetar 100% de carga.

Conclusão

 

O Avell G1550 RTX é uma senhora máquina, sem sombra de dúvida. Ela possui um kit processador/GPU potente e que vai durar um bom tempo para usuários razoavelmente exigentes, em especial os que trabalham e jogam em seus notebooks e querem rodar tanto títulos AAA recentes.

O problema é que algumas coisas deveriam estar presentes em um produto que parte de R$ 9.799: a porta USB-C podia ser compatível com Thunderbolt 3 e o display podia muito bem ser Quad HD (2.560 x 1.440 pixels), embora a taxa de atualização de 144 Hz seja um belo recurso que funciona melhor em telas Full HD.

E claro, já passou da hora da Avell vender todas as suas configurações com Windows pré-instalado; por mais que a companhia brasileira não seja tão grande quanto concorrentes diretas, fechar uma parceria com a Microsoft para ter acesso à versão OEM do SO não deve encarecer seus produtos tanto assim.

Ainda assim, o grande problema do Avell G1550 RTX é a concorrência: por R$ 800 a menos você leva para casa o modelo de ponta do Samsung Odyssey 2, que traz os mesmos processador, GPU, quantidade de RAM e capacidade do SSD, com um HD de 1 TB de lambuja.

Na minha opinião, se você não faz questão de ray tracing, mas deseja um notebook gamer potente para vários anos, talvez seja melhor investir no G1550 MUV da própria Avell, equipado com a nVidia GTX 1660 Ti e que parte de R$ 8 mil.

Avell G1550 RTX — Ficha técnica

  • Processador: Intel Core i7-9750H, hexa-core Coffee Lake com clock de 2,6 GHz, TurboBoost de até 4,5 GHz e 12 MB de memória cache;
  • Placa de vídeo: nVidia GeForce RTX 2060, com 6 GB de RAM GDDR6;
  • Memória: 16 GB de RAM DDR4 a 2.666 MHz (expansível até 64 GB);
  • Armazenamento: SSD M.2 de 512 GB, expansível via slots SATA e M.2;
  • Tela: LCD WVA retroiluminada de 15,6 polegadas;
  • Resolução: 1.920 x 1.080 pixels;
  • Taxa de atualização: 144 Hz;
  • Tempo de resposta: 5 ms;
  • Teclado: Mecânico padrão ABNT2, com retroiluminação RGB;
  • Câmera: 720p;
  • Conectividade: Wi-Fi 802.11 ac e Bluetooth 4.2;
  • Portas: HDMI 2.0, duas USB-A 3.1, uma USB-A 2.0, uma USB-C 3.1, duas Mini DisplayPort 1.2, Ethernet Gigabit, duas P2 para fone de ouvido e microfone e leitor de cartões SD;
  • Bateria: 3 células, acompanha carregador de 230 W;
  • Dimensões: 35,9 x 24,43 x 1,99 cm;
  • Peso: 2 kg;
  • Sistema operacional: Windows 10 Home.

Pontos fortes:

  • Excelente performance para games e programas pesados;
  • O teclado mecânico é legal.

Pontos fracos:

  • Muito caro para não ter Windows na configuração de entrada;
  • Conjunto de som mequetrefe;
  • Porta USB-C podia ser Thunderbolt 3.

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