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Neil Peart: um tributo ao genial e eterno baterista do Rush

Nos deixou esta semana o mestre da bateria e escritor Neil Peart, que entrou para a história do rock com o Rush, banda do qual também era o letrista

30 semanas atrás

Infelizmente nos deixou na terça passada o baterista Neil Peart, que é indiscutivelmente um dos maiores de todos os tempos, então estou eu aqui de novo com mais um daqueles posts de tributo que eu queria muito não ter que escrever, ou pelo menos não tão cedo, pois ele morreu com apenas 67 anos.

Baterista do Rush nos deixou aos 67 anos de idade

Depois de estudar música na Inglaterra e voltar pra sua cidade natal, Neil Peart acabou fazendo uma audição em Toronto para substituir o baterista do Rush, e união deles gerou o que pra mim é um dos melhores trios da história do Rock ao lado do Jimi Hendrix Experience e do Cream.

A primeira bateria de Neil

Mas vamos começar do começo. Neil só ganhou sua primeira bateria, um kit vermelho de três peças, depois que fez um ano de aulas, e segundo ele mesmo, a primeira coisa que tocou foi Wipeout do The Surfaris. Ele também adorava Big Bands e era fanático por Buddy Rich e Gene Krupa, e escreveu um texto tocante em homenagem a Rich quando ele morreu em 2017 na Rhythm Magazine.

Nesse solo incrível em um show em Frankfurt, dá pra apreciar todo o talento e meticulosidade de Neil Peart, e também o seu amor pelas Big Bands de antigamente.

Mais jovem que John Bonham e Keith Moon, Neil foi influenciado principalmente pelo último, ainda que os dois tivessem um estilo bem diferente. Outras influências grandes de seu período na Inglaterra foram Mitch Mitchell e Ginger Baker dos citados Experience e Cream, mas Neil acabou se diferenciando totalmente de qualquer outro baterista ao desenvolver uma sonoridade própria, absolutamente genial.

Neil também tinha um jeito especial com as palavras, que tratava com tanto carinho quanto as baquetas, pois além de baterista, ele também era escritor, e publicou vários livros, a maioria deles sobre suas viagens, e alguns sobre música. No dia em que Baker nos deixou, ele assinou a nota de tributo do Rush, declarando como a influência do baterista do Cream tinha sido importante para ele, aos 15 anos de idade.

Como chamei Neil no meu post em homenagem a Ginger Baker que escrevi no ano passado, ele era o mestre por trás das baquetas do Rush, uma banda realmente fantástica e incrível. Ao longo de sua carreira, a banda passou por vários estilos, desde um começo com um som mais pesado que chegava a lembrar o Led Zeppelin, encontrando seu próprio estilo único nos anos 70 e começo dos anos 80 dentro do rock progressivo. Também nos anos 80, a banda favoreceu os sintetizadores, mas sem nunca perder a sonoridade original da banda.

Se o Rush não foi formado por Neil, podemos dizer com tranquilidade que sua entrada foi absolutamente fundamental para que se tornasse a banda que foi. O primeiro disco do Rush foi gravado em 1974 com o baterista John Rutsey, que teve problemas de saúde e precisou se desligar do grupo logo depois do lançamento do álbum.

Lançado no começo de 1975, Fly By Night pode ser definido como o momento exato em o Rush finalmente encontrou seu propósito e estilo musical, muito por conta da entrada de Neil Peart na banda. Ainda em 75, no disco Caress of Steel, o Rush deixou o rock inspirado em blues para um som mais progressivo.

Em 1976, o Rush gravou seu quarto álbum 2112, que chegou ao quinto lugar da parada canadense e ao 61o da Billboard, e turnê do disco foi a primeira que incluiu shows na Europa, que foi registrada no disco All The World's a Stage, frase retirada de uma peça de Shakespeare, que também foi citado por Neil Peart na letra da então futura música Limelight, uma das minhas favoritas.

O próximo disco de estúdio foi A Farewell to Kings, que tinha a linda Closer to the Heart, aumentando ainda mais a fama do grupo. Nesse disco, Neil tocou vários tipos de instrumentos de percussão. Hemispheres, do ano seguinte, foi mais fundo na pegada progressiva, com a música Cygnus X-1 Book II: Hemispheres, de 18 minutos de duração. Ele também conta com a clássica La Villa Strangiato, na qual Neil Peart dá um verdadeiro show, mas não foi um sucesso de vendas.

Nos anos 80 eles já começaram bem com Permanent Waves, que tinha a belíssima The Spirit of Radio, e logo emendaram com o meu disco favorito da banda, Moving Pictures, disco que tinha a excepcional Tom Sawyer, além de Red Barchetta, Limelight, Witch Hunt e a instrumental YYZ.

Ouça o Rush tocando YYZ e The Trees na sua turnê R30.

Depois de mais um disco ao vivo, a banda ainda gravou Signals, Grace Under Pressure e Power Windows até lançar Hold Your Fire em 1987, que tinha a linda música Time Stand Still, gravada com a vocalista do 'Til Tuesday, Aimee Mann, que também participou do vídeo. Antes de encerrar a década, mais um disco ao vivo e uma volta ao rock mais clássico em Presto (1989).

O começo da década de 90 trouxe Roll The Bones (1991), que seguia a pegada de rock, e foi um disco que eu ouvi até gastar o CD. A faixa título tinha até uma espécie de hip hop, mas depois desse álbum a banda seguiu com a sonoridade mais orgânica em Counterparts e Test for Echo. Depois da turnê desse disco, Neil enfrentou duas terríveis tragédias na sua vida pessoal, as mortes de sua filha e sua esposa no ano seguinte, então a banda entrou em um hiato que durou 5 anos.

Para pensar na vida e tentar superar suas imensas perdas pessoais, Neil resolveu pegar sua motocicleta e viajar por aí. Ele foi do Canadá ao Alasca, depois dos Estados Unidos até o México e Belize. O livro que escreveu sobre suas viagens, Ghost Rider: A Estrada da Cura (Ghost Rider: Travels on the Healing Road) foi lançado em 2002.

No mesmo mesmo ano, o Rush voltou de seu hiato com o disco Vapor Trails, que deu origem a uma nova uma turnê mundial, que pela primeira vez trouxe o Rush para a América do Sul, com shows históricos no Morumbi para 80 mil pessoas e outro no Maracanã com 40 mil presentes, que acabou dando origem ao disco e DVD Rush in Rio. Depois disso, o Rush só voltou ao Brasil em 2010 na turnê Time Machine, que eu tive o privilégio de conferir.

Em 2004 a banda lançou Feedback, um disco de covers com artistas que inspiraram o Rush em sua carreira, seguido de Snakes & Arrows, lançado em 2007. O último disco da banda foi Clockwork Angels, lançado em 2012, seguido da turnê de mesmo nome, que acabou no ano seguinte, na qual o Rush era acompanhado por um conjunto de cordas.

O curioso é que as letras do disco deram origem ao livro de ficção de mesmo nome, escrito por Kevin J. Anderson inspirado em uma história de Neil. O livro Clockwork Angels foi adaptado para quadrinhos e teve uma sequência, Clockwork Lives, lançada em 2015.

Em 2013, o momento de reconhecimento merecidíssimo, quando a banda entrou no Rock & Roll Hall of Fame, sendo apresentada por Dave Grohl e Taylor Hawkins dos Foo Fighters. Em 2014, Neil foi o eleito o terceiro melhor baterista de todos os tempos pela Modern Drummer, deixando muita gente boa pra trás, e ficando atrás apenas de seu ídolo Buddy Rich e de John Bonham.

No mesmo ano, para lançar o box Rush R40, celebrando os 40 anos da banda, foi planejada a turnê R40, que acabou sendo a última do Rush, um trecho da qual você pode conferir no vídeo acima.

Neste post interessantíssimo, descrevendo sua experiência de quatro décadas no estúdio e nos palcos com o Rush, Neil conta vários detalhes da sua carreira em suas próprias palavras, desde o seu começo, quando a banda escreveu e gravou três discos em um ano e meio.

Neil Peart, baterista do Rush

No mesmo texto, Neil também fala sobre como se transformou ao longo da carreira, de um baterista que se preparava meticulosamente antes de entrar no estúdio para um mais livre e aberto a improvisações. No final do post ele incentiva os jovens bateristas que estão começando, e termina dizendo: "a mágica acontece – mas ela quase sempre precisa de algum planejamento", e logo depois completando "e determinação."

Em dezembro de 2015, Neil disse que estava se aposentando, mas um dia depois, Geddy Lee declarou que ele tinha sido mal interpretado, e que ele estaria apenas dando um tempo. De lá pra cá, Neil lutou contra a doença, mas infelizmente acabou não resistindo. No comunicado oficial, a banda pede que os fãs e os meios de comunicação respeitem a privacidade da família de Neil, e pedem doações a grupos de pesquisa sobre câncer ou organizações de caridade.

Agora uma nota pessoal. Neil músico fez parte da minha vida, me acompanhando desde pequeno, quando ouvi Tom Sawyer pela primeira vez em algum lugar dos anos 80. Felizmente tive o prazer de assistir ao show do Rush e me maravilhar com Neil Peart tocando ao vivo pra poder contar pros netos um dia.

O adeus ao baterista do Rush, Neil Peart

Descanse em paz, Neil, e muito obrigado por todas as músicas incríveis que fizeram parte das nossas vidas.

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