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Warcraft 3: Reforged — uma lição de como enfurecer os fãs

Sendo alvo de muitas críticas e tendo registrado a nota mais baixa no Metacritic, entenda porque o Warcraft 3: Reforged tem sido tão odiado pelos fãs.

27 semanas atrás

Para muitas pessoas as remasterizações costumam ser apenas uma maneira preguiçosa das empresas lucrarem com a nostalgia dos outros. Em alguns casos isso até é verdade, mas com o Warcraft 3: Reforged, a Blizzard tratou de nos mostrar o outro lado desta moeda, que é a maneira como um trabalho equivocado pode servir para atiçar a ira naqueles que amam um clássico.

Warcraft 3: Reforged

Disponibilizado no dia 28 de janeiro, o jogo era aguardado como um dos principais lançamentos do ano e tamanha expectativa não era para menos. Prometendo ser uma versão muito melhorada de um título tão adorado, tudo indicava que a desenvolvedora tinha um sucesso garantido nas mãos, com muita coisa errada tendo que ser feita para que eles não agradassem. Pois foi justamente isso o que aconteceu.

Tudo começou em novembro de 2018 quando, durante a BlizzCon, o Warcraft III: Reforged foi anunciado. Na ocasião foi dito que o jogo contaria com personagens remodelados e com novas animações, além de oferecer uma campanha single-player melhorada e trazer atualizações na interface e no editor de mapas.

Pessoas importante ligadas ao desenvolvimento chegaram a afirmar que a remasterização iria se aproximar daquilo que vimos no World of Warcraft, com a campanha nos levando a locais que ficaram famosos no MMO e assim a ideia seria aproximar os dois jogos.

A cena não interativa mostrada por eles no evento até mostrava que a nova versão teria uma pegada muito mais cinematográfica, com os personagens estando repletos de detalhes e bom… Quando o jogo finalmente foi lançado, foi isso o que recebemos:

Prejudicando até os jogadores do original

Outra promessa feita pela Blizzard foi que eles não virariam as costas para aqueles que ainda jogam o original. Se a pessoa não quisesse pular para a atualização, poderia continuar com o antigo, mas não foi exatamente isso o que aconteceu. Conforme pode ser visto neste tópico criado no Reddit, os jogadores estão reclamando da remoção de vários recursos no Warcraft 3, como a possibilidade de disputarmos partidas via LAN, criarmos campanha personalizadas ou torneios automatizados, além da ausência de clãs ou partidas rankeadas.

O problema estaria na unificação dos clientes dos dois jogos, algo adotado pela Blizzard para permitir que partidas sejam realizadas entre aqueles que estiverem jogando tanto na versão original, quanto na remasterizada. Outro efeito colateral disso foi que, se hoje você quiser jogar o título que foi lançado em 2002, será obrigado a fazer um absurdo download de 28 GB!

É claro que boa parte destes problemas podem ser corrigidos com o passar do tempo, mas é impossível evitarmos a sensação de que o jogo original sofreu um downgrade e a própria Blizzard já afirmou que, como recursos como os torneios raramente eram usados, esta ferramenta não deverá retornar.

A polêmica com as modificações

Também foi apenas depois do lançamento do Warcraft 3: Reforged que os jogadores descobriram um detalhe importante na licença para o usuário, a famosa EULA. Segundo o documento, qualquer mapa ou modificação feita no jogo passa a ser de propriedade exclusiva da Blizzard, algo que não costuma ser visto nos títulos de outras empresas.

Caso não saiba, o Defense of the Ancients, ou simplesmente DOTA, nasceu como uma modificação para o Warcraft 3 e após dar origem a títulos como League of Legends e Dota 2, ele acabou se tornando um negócio bilionário. Esta, portanto, foi uma tentativa da Blizzard de se proteger, mas o assunto deu início a um grande debate sobre até que ponto é legal — ou pelo menos ético — uma editora fazer isso.

É bem verdade que a mudança não afetará a imensa maioria dos jogadores, mas a estratégia não foi bem vista pelo público e alguns até a consideram um tiro no pé, já que muitos modders poderão preferir recorrer a outros jogos ou ferramentas para não entregarem as suas ideias de mão beijada para a empresa.

Warcraft III: Reforged

O ataque via Metacritic e a tentativa de se redimir

Foi então que, muito insatisfeitos com os problemas presentes no game, os jogadores decidiram iniciar uma campanha para prejudicar a sua imagem. O caminho escolhido para isso foi uma estratégia já antiga, que é dar notas baixas no agregador Metacritic, mas o que talvez nem essas pessoas imaginassem era a força que o ataque teria.

Contando atualmente com uma média  0.5, o Warcraft 3: Reforged tornou-se o jogo com a pior média dada por usuários em todo o site, sendo que quase 12 mil pessoas os classificaram negativamente, enquanto apenas 382 lhe deram uma nota positiva.

Porém, mesmo se ignorarmos as notas de protestos e olharmos apenas para as avaliações feitas pela mídia especializada, veremos que o jogo de estratégia tem amargado apenas uma média 6.0, um valor muito baixo se considerarmos o quão promissor era este lançamento.

Diante de tão vergonhosa situação, a Blizzard não teve outra opção que não fosse reembolsar os jogadores. Sim, permitir que um consumidor arrependido tenha seu dinheiro de volta deixou de ser incomum nas compras digitais, mas o caso se tornou tão impactante que a empresa resolveu facilitar o processo, bastando que os interessados façam o pedido por esta página e imediatamente sejam ressarcidos. Independentemente do tempo que dedicaram ao jogo, tudo sem perguntas, sem burocracia, sem letras miúdas… Mas também sem um pedido de desculpas.

Warcraft III: Reforged

O peso de um histórico conturbado

Longe de mim querer fazer de papel de advogado do diabo aqui, mas acredito que boa parte da fúria das pessoas em relação ao Warcraft 3: Reforged pode ser creditada ao histórico recente da Blizzard e da sua parceria, a Activision. Do conturbado anúncio do Diablo Immortal até o banimento de um jogador profissional por ele ter se pronunciado a favor dos protestos em Hong Kong, tudo o que acontece em relação a empresa parece tomar uma proporção muito maior que o normal.

O problema é que mesmo assim os executivos da empresa não aprendem, com seus sucessivos erros passando uma impressão de que eles não tem muita noção do tamanho do barril de pólvora em que estão sentados e parecendo que estão sempre subestimando o amor que os fãs possuem pelas suas franquias.

Tudo bem, nos últimos meses até vimos alguns membros da equipe alertando para mudanças que estavam sendo feitas em relação a remasterização, com a “desculpa” de que eles queriam deixar esta versão mais pura, mas agora está claro que não foi o suficiente e de que o hype gerado por aquela primeira apresentação foi alto demais.

Para muitos jogadores, o que esta versão do jogo trouxe não é o suficiente para considerá-la um relançamento, muito menos para que fosse cobrado por ela. Talvez, o melhor então tivesse sido eles soltarem a atualização gratuitamente, mas dado o nível de exigência dos fãs da Blizzard, desconfio que nem isso teria sido o suficiente para acalmar os ânimos.

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