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Aves de Rapina — Resenha (sem spoilers)

Em Aves de Rapina, Arlequina volta acompanhada de um grupo de mulheres em busca de seu lugar ao Sol, e deixa bem claro que não é uma cidadã-modelo

27 semanas atrás

Aves de Rapina: Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa é o mais novo filme do universo compartilhado da DC, quase uma aventura solo da Arlequina (Margot Robbie) acompanhada de outras mulheres p... da vida com o mundo, que buscam tomarem o rumo de suas vidas.

A palhaça lunática e pessoa horrível, como ela mesma diz, que muita gente tomou como heroína volta para mostrar que definitivamente, não é um exemplo a ser seguido por ninguém.

Warner Bros. Pictures / Aves de Rapina

Afinal, o filme estrelado pela vilã mais doida de Gotham City e um bando de mulheres em busca de independência, respeito e vingança mandou bem? Confira na resenha sem spoilers a seguir.

Passarinhas porradeiras

As Aves de Rapina surgiram pela primeira vez na revista Showcase '96 Vol.1 #3, em uma história que envolvia Lois Lane e a Canário Negro, mas que sem a dona do Pulizter que mal consegue descobrir a identidade de um cara que se disfarça com um óculos soubesse, Dinah estava trabalhando junto com a Oráculo (Barbara Gordon, ex-Batgirl, que ganhou +20 de proeminência em computadores depois de ficar paraplégica), sendo as duas as fundadoras do grupo.

A formação clássica inclui também a Caçadora, mas com o passar dos anos o grupo incluiu membros dos mais diversos, como Mulher-Gato, Lady Falcão Negro, Mulher-Gavião (não confunda as duas), Rapina, Columba (Dawn Granger), Katana, Lady Shiva e até J'onn J'onzz, o Caçador de Marte.

Após Os Novos 52, Barbara voltou a ser Batgirl e a formação das Aves de Rapina se resume às três originais, com Mulher-Gato e Hera Venenosa servindo como reservas. Katana e Starling, entre outras já passaram pelo grupo, mas não ficaram. O grupo é uma extensão da Bat-família com agenda própria, tanto que no universo Pós-Crise nas Infinitas Terras (pré Os Novos 52), era financiado pelo Batman.

DC Comics / Terry Dodson / Aves de Rapina (Os Novos 52)

Para o filme, a Warner fez algumas modificações na formação, principalmente removendo a Batgirl/Oráculo e adicionando Cassandra Cain, uma pós-adolescente que nas HQs já foi uma das Batgirls, e Renee Montoya, uma detetive do GCPD linha dura, que surgiu na série animada do Batman e depois migrou para os quadrinhos.

Outra que fez o mesmo caminho que Montoya foi a Arlequina. A popularidade da vilã piradinha explodiu graças à ótima performance de Margot Robbie em Esquadrão Suicida, mesmo o filme não sendo lá muito bom. Curiosamente, Aves de Rapina é quase uma aventura solo da ex do Coringa com outras garotas a tira-colo, mas a trama foi muito bem conduzida.

Fogo no parquinho

O filme ocorre algum tempo depois de Esquadrão Suicida, que termina com a fuga de Arlequina da prisão, cortesia do Coringa. No entanto, o palhaço se enche de vez dela e lhe dá o pé na bunda definitivo (ela diz que foi mútuo), mas Quinzel fica de boca fechada por um motivo: por ser a namorada do maior vilão de Gotham, Arlequina goza de imunidade e ninguém, nem a polícia nem outros vilões, se metem com ela.

Warner / Aves de Rapina

As coisas mudam quando a despirocada, completamente bêbada detona a Ace Chemical, a fábrica onde ela "nasceu", o que é prontamente entendido por todos como "Arlequina e Coringa terminaram". Assim, ela consegue colocar um alvo enorme na própria testa, com todo mundo que ela ferrou no passado tentando mata-la, além da polícia, especialmente Montoya (a atriz e ativista porto-riquenha Rosie Perez, de Faça a Coisa Certa e Homens Brancos Não Sabem Enterrar) cortando um dobrado para enjaula-la de vez.

A fábrica pertencia à família de Roman Sionis (Ewan "Obi-wan" McGregor), o vilão também conhecido como Máscara Negra, que manda em boa parte dos bandidos de Gotham. Ele está a procura de um diamante que contém a chave para uma fortuna incalculável. O problema é que a joia acaba nas mãos da trombadinha Cassandra Cain (Ella Jay Basco), que se torna a garota mais procurada de Gotham da noite para o dia.

Sionis tem uma boate, onde Dinah Lance, a Canário Negro (Jurnee Smollett-Bell) trabalha como cantora, se recusando a usar seus poderes para judar os outros e que depois trabalha como sua motorista, enquanto é uma informante de Montoya. Para completar o rolo temos Helena Bertinelli, a Caçadora (Mary Elizabeth Winstead, nossa Ramona favorita), que está fazendo a limpa em criminosos que mataram sua família, o que irrita Sionis ainda mais, sem falar que ela também possui ligações com o tal diamante.

Basicamente, as cinco mulheres têm algo em comum (Sionis as quer mortas) e acabam se unindo para saírem vivas da situação. No entanto, o filme corrige uma falha não intencional de Esquadrão Suicida, onde muita gente via a Arlequina como uma "boa moça", uma vítima do Coringa e alguém buscando redenção. Teve quem a tomou como heroína, mesmo ela dizendo com todas as letras:

Warner Bros. Pictures / Esquadrão Suicida / Aves de Rapina

Arlequina não é uma heroína, tampouco uma anti-heroína. Ela é uma vilã (piroquinha das ideias) e uma pessoa horrível, sabe o que está fazendo e poderia dar um rumo diferente à sua vida, mas não quer.

Not your kind of people

Assim como na excelente animação da Arlequina (ambas obras são bem similares), Quinzel deixa claro que ela sempre foi uma garota-problema desde a infância, que escolheu ser má e ficar ao lado do Coringa, até o eventual fim do relacionamento. De qualquer forma, ela está de saco cheio de ser vista como um acessório, dependente ou submissa a um homem ou a quem quer que seja (como todas as demais) e está em busca de respeito, embora isso signifique construir sua própria carreira de vilã. Como na sua série solo animada.

Harleen está além de redenção e não quer nem saber de fazer o bem, só está interessada em salvar a própria pele, e se para isso ela tiver que ferrar com a vida inclusive de suas parceiras, ela o fará sem pensar duas vezes. Ela não é um exemplo e desta vez, desenhou isso muito bem.

O filme dirigido por Cathy Yan (Dead Pigs) e produzido por Margot Robbie fugiu da colcha de retalhos de Esquadrão Suicida, que começou sério, foi reeditado para ficar mais engraçado e acabou não sendo nenhum dos dois, e enfia os dois pés no estilo de Deadpool: Arlequina narra toda a história em off mas como ela é da pá virada, muitas vezes vai e volta para mostrar eventos passados e encaixa-los melhor na trama, conta coisas diferentes do que ocorrem na tela (como o fora do Coringa e sua "recuperação"), e faz até uma pausa para narrar a história de origem da Caçadora.

Ainda assim, Quinzel continua sendo inteligente a beça, seu doutorado em psiquiatria a permite analisar a psique de qualquer um em 30 segundos (ela quebra as mentiras da Cain só de bater o olho nela) e é uma excelente lutadora, suas sequências de ação são muito boas. Todas as demais (com exceção de Cain), especialmente a Canário batem muito bem também.

Warner Bros. Pictures

E os antagonistas... Ewan McGregor está perfeito como Roman Sionis, um homem mimado que caiu em desgraça após ser deserdado, e que resolve ser vilão para recuperar o respeito que perdeu. Ele é desequilibrado, detesta ser contrariado, é cruel mas nunca resolve nada com as próprias mãos, preferindo recorrer a seus capangas, que são muitos.

Seu braço direito é Victor Zsasz (Chris Messina, o Reese Lansing de The Newsroom), um assassino serial que adora esfolar suas vítimas e que tem um hábito bizarro: ele possui inúmeras cicatrizes pelo corpo, uma para cada pessoa que matou, sempre feita imediatamente após o ato e com a mesma arma que usou no crime.

Messina é competente, mas não consegue passar o terror que Zsasz inspirava nos quadrinhos, um lunático completo e talvez o mais perigoso assassino de Gotham, até mais do que o Coringa.

DC Comics / Batman: A Sombra do Morcego #1

Conclusão

Aves de Rapina: Arlequina e Sua Emancipação Fantabulosa possui uma história muito bem contada, um ritmo certo sem barrigas, explora bem cada um dos personagens (protagonistas e vilões) e diverte o espectador, não depende de figurões como Batman ou Coringa e é uma aventura compacta, com início, meio e fim, que deixa a porta aberta para mais tramas de todas as personagens.

Talvez a Warner e DC tenham achado um rumo: produções fechadas sem complicações que podem, ou não levar a continuações ou derivados, e não focar tanto em um universo compartilhado. Funcionou para Aquaman e Shazam!, funcionou muito bem com Coringa, funciona aqui e esperamos que funcione também em Mulher-Maravilha 1984.

Nota:

5/5 sanduíches de ovo.

/ sanduíches de ovo / Aves de Rapina

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