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Motorola One Hyper: intermediário com uma câmera "popstar" — Review

Com uma boa experiência de uso, o Motorola One Hyper chama a atenção pela câmera pop-up, mas conquista o usuário com todo o resto

19 semanas atrás

O Motorola One Hyper é o mais recente lançamento da Motorola para sua linha intermediária premium, que deixou o Android One para trás de vez. A linha, que se caracteriza por smartphones com experiências de câmera diferenciadas, traz uma selfie com mecanismo pop-up, que permitiu à tela ocupar quase toda a frente do aparelho.

Afinal, o celular com a câmera oculta é tudo isso? Eu testei o Motorola One Hyper por um mês e conto minhas impressões a seguir.

Design

Ao sair da caixa, o Motorola One Hyper chama a atenção por ter um design muito bem feito, embora não seja discreto. Seu corpo abusa do plástico com efeito metalizado, nas três chamativas cores disponíveis (azul, vermelho e rosa) e as câmeras traseiras foram dispostas em uma elevação difícil de ser ignorada. Ele tem personalidade, é preciso admitir, e eu particularmente o achei bem bonito, embora outros possam discordar.

Seu tamanho (16,2 cm de altura) e peso (210 g) são um pouco avantajados para a categoria de intermediários, especialmente o segundo, o que pode incomodar quem prefere aparelhos mais esbeltos, principalmente quem carrega o celular no bolso.

Motorola One Hyper

Claro que o grande atrativo do design é a câmera selfie pop-up, que fica escondida no canto superior direito do gadget. Ela é acionada automaticamente ao abrir o app de câmera e selecionar a frontal, ou usando o clássico movimento das Moto Ações, que é girar o pulso duas vezes. É um gimmick que muita gente vai usar constantemente para exibir aos amigos, está sujeito a danos, mas só o tempo dirá se esta foi ou não uma boa ideia.

O kit vem com uma capinha de acrílico, com espaços óbvios para a câmera e o leitor de impressões digitais, que permanece na traseira como na linha Moto G.

Tela e som

O display é um LCD de 6,5 polegadas, com proporção 19,5:9 e resolução Full HD+ (2.340 x 1.080 pixels), que graças à câmera pop-up, ocupa quase a totalidade da área frontal e não é recortada por nenhum tipo de notch.

As bordas são mínimas, com exceção de um suave "queixinho" na parte inferior, que poderia ser menor, e as cores são vivas e bem definidas, mesmo não sendo OLED como em modelos premium de outrora (Moto Z2 Force, por exemplo).

Motorola One Hyper

A sensação de ter um celular com uma frente dominada pela tela é extremamente satisfatória, tanto em vídeos quanto em jogos e navegação, ainda que muita gente torça o nariz para o mecanismo da câmera. Afinal, novas partes móveis são novos elementos para dar defeito, já dizia Arthur C. Clarke.

Na parte do som, o alto-falante único presente no Motorola One Hyper é alto e tem suporte a Dolby Audio, e embora bem equilibrado, não possui graves muito definidos como de praxe. Para uma melhor performance, use fones de ouvido com ou sem fio, já que a entrada P2 está presente.

Software

O Android 10 presente no Motorola One Hyper recebeu as tradicionais customizações da Motorola, que outra vez optou por não usar o Android One. Aliás, sejamos francos: em se tratando de experiência de uso, a iniciativa do Google é inferior à experiência quase pura oferecida pela fabricante.

O ponto negativo é o pós-vida: segundo a Motorola, o One Hyper receberá tão somente o Android 11, mais atualizações de segurança por dois anos. Com o Android One (que na mão da empresa nunca foi "puro"), os fabricantes são obrigados a atualizar o sistema por dois anos, além de prover updates de segurança por três.

Motorola One Hyper

Em última análise, a Motorola abriu mão do Android One para impôr à linha o mesmo tratamento dado à família Moto G, esta elegível a apenas uma atualização do Android. Ainda assim, usuários cativos fa empresa encontrarão as Moto Ações, os widgets clássicos e as funções do Moto Tela, de notificações personalizáveis com a tela bloqueada.

No fim, quem veio de outros celulares da Motorola vai se sentir em casa com o One Hyper.

Hardware, desempenho e autonomia

O hardware interno é exatamente o mesmo do Motorola One Zoom: processador Snapdragon 675, 4 GB de RAM e 128 GB de espaço interno, expansível via cartões microSD. Não se engane com o "series 600" do chip, pois este octa-core é bastante potente.

Com dois núcleos Kryo 460 Gold de 2 GHz, dedicados a processamento pesado, e 6 Silver de 1,7 GHz, voltados a tarefas do dia a dia, o bichinho passeia em navegação, streaming de áudio e vídeo, redes sociais e processamento de documentos, e não faz feio com apps que exigem mais do kit, como jogos.

Em meus testes, não notei nenhum tipo de lentidão ou travadas em jogos relativamente comilões de recursos, como Asphalt 9: LegendsDissidia Final Fantasy: Opera Omnia, Pokémon GO e Azur Lane; todos foram executados de forma perfeita, o que me faz pensar se este celular não seria um premium disfarçado de mid-high.

A bateria de 4.000 mAh pode parecer pouco para tudo isso, mas a Motorola fez um excelente trabalho de otimização, tanto no One Zoom quanto no One Hyper. Em meus testes, eu o tirei de tomada às 8:00 e usei duas horas de Netflix, duas horas de Spotify, 30 minutos de Pokémon GO, 30 minutos de Azur Lane e navegação durante o dia, sempre no 4G e com o brilho no automático.

Às 19:00, a bateria estava em 40%, uma marca excelente.

Motorola One Hyper

Carregadores do Motorola One Hyper (45 W) e do Moto Z2 Force (15 W)

O que vai assustar todo mundo, entretanto é velocidade de recarga: o Motorola One Hyper é o primeiro aparelho da empresa que suporta carregamento ultrarrápido, e o kit é acompanhado de um enorme carregador de 45 W. O cabo possui duas pontas USB-C iguais e é bem mais espesso do que os tradicionais, também para dar conta de injetar uma grande quantidade de energia em pouquíssimo tempo.

Com o celular zerado, ele atingiu as seguintes marcas:

  • 5 minutos: 16%;
  • 10 minutos: 30%;
  • 15 minutos: 41%;
  • 30 minutos: 74%.

O peso do aparelho é explicado por esse recurso: para suportar o carregamento ultrarrápido, o circuito interno precisa ser mais complexo e ocupa mais espaço, assim, o Motorola One Hyper acabou ficando "gordinho". Para quem faz questão, será preciso conviver com isso.

Câmeras

Deixando a câmera popstar para depois, o Motorola One Hyper vem com um kit duplo mais modesto, quando comparado ao One Zoom. A principal possui 64 MP e a Ultrawide tem 8 MP e ângulo de 118º, com um sensor de profundidade para efeitos como Modo Retrato.

Motorola One Hyper

No dia a dia, as câmeras capturam fotos de boa qualidade, embora não excepcionais. O branco não é tão equilibrado e as fotos tiradas com a Ultrawide tendem a perder detalhes nas áreas extras, com um notável esmaecimento das situações.

No geral, vale a velha regra de que boas fotos ao ar livre exigem uma boa quantidade de luz ambiente, mas você terá resultados muito bons com a câmera principal. O modo Night Vision, que força o sensor a capturar mais luz funciona da mesma forma, melhor com a principal e nem tanto com a Ultrawide.

Torii / Motorola One Hyper

Câmera principal

Torii / Motorola One Hyper (Ultrawide)

Ultrawide

No que se espera de uma câmera de celular intermediário, o Motorola One Hyper não faz feio e mantém uma qualidade satisfatória: não chega a ser excelente, mas também não é desprezível, como certos outros aparelhos testados no passado. Claro, a tendência das câmeras da Motorola de captarem imagens mais escuras permanece aqui, e isso é algo que precisa ser lidado algum dia.

Em ambientes internos, a câmera não inventa moda e entrega uma boa qualidade de cores, embora os ruídos se tornem bem mais visíveis.

Agora, a câmera selfie. Apesar de ser o centro das atenções, o sensor frontal de 32 MP é básico e entrega uma qualidade de imagens que já estamos acostumavos a ver por aí. Por outro lado, o sensor é sensível ao ponto de capturar uma grande quantidade de detalhes, mesmo os mais sutis, como marcas na pela, cicatrizes e outras coisas.

Como eu não sou tão vaidoso assim, isso apenas abona a qualidade da câmera selfie em si; já outras pessoas podem considerar tratarem a pele antes das fotos.

Conclusão

O Motorola One Hyper é uma excelente opção para quem deseja ter algo um pouco mais potente do que o oferecido pela linha Moto G, e tem saudade da linha Moto Z. Sua performance é tão boa que o faz ser confundido com um premium, sem ser tão caro quanto.

A tela livre de notch é muito boa, a câmera pop-up é competente (só precisamos descobrir se é resistente a longo prazo) e o kit de sensores principal é satisfatório, enquanto sua autonomia é fora de série. O carregamento ultrarrápido é outro ponto positivo, entregando uma boa dose de energia com mínimo tempo conectado à tomada.

Este celular quase não tem defeitos, exceto ser mais pesado do que a média, e o preço, originalmente R$ 2.499, um tanto puxado para um smartphone de sua categoria, mesmo com todos os extras incluídos.

Hoje, ele já pode ser encontrado por cerca de R$ 1,6 mil no varejo, um pouco acima de seu "primo" Moto G8 Plus, que não é tão bom quanto deveria. Na minha opinião, se for escolher entre um ou outro, junte mais alguns trocados e feche com o One Hyper. Você dificilmente se arrependerá.

Motorola One Hyper — Ficha Técnica

  • Processador: SoC Qualcomm Snapdragon 675, octa-core Kryo 460 com 2 núcleos Gold de 2 GHz e 6 Silver de 1,7 GHz;
  • GPU: Adreno 612;
  • Memória RAM: 4 GB;
  • Armazenamento interno: 128 GB;
  • Armazenamento externo: Suporta cartões microSD de até 512 GB;
  • Tela: LCD IPS de 6,5 polegadas, proporção 19,5:9 e resolução de 2.340 x 1.080 pixels (403 ppi);
  • Câmera traseira: Conjunto duplo, com:
    • Principal Wide de 1/1,7" com 64 megapixels, abertura f/1,8, Flash LED e autofoco laser com detecção de fase;
    • Secundária Ultrawide (118°) de 8 megapixels e sensor de profundidade;
    • Captura vídeos em 4K a 30 fps;
  • Câmera selfie: Pop-up com 32 megapixels, abertura f/2,0, captura vídeos em 1080p a 30 fps;
  • Sensores: proximidade, acelerômetro, bússola e leitor de impressões digitais;
  • Conectividade: 4G/LTE Dual-SIM (bandeja híbrida), Wi-Fi 802.11a/b/g/n/ac, Bluetooth 5.0, AD2P, BLE, EDR, A-GPS, GLONASS, BDS;
  • Bateria: 4.000 mAh, com suporte a carregamento ultrarrápido de 45 W;
  • Portas: USB 2.0 Type-C e P2 para fone de ouvido;
  • Sistema operacional: Android 10;
  • Dimensões: 161,8 x 76,6 x 8,9 mm;
  • Peso: 210 g.
  • Cores: Azul Oceano, Vermelho Âmbar e Rosa Boreal.

Pontos fortes:

  • Tela que ocupa quase toda a frente é muito boa;
  • Que carregamento é esse, bicho?
  • A câmera pop-up vai ser a atração das festas... por um tempo.

Ponto fraco:

  • É mais pesado do que o padrão da categoria.

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