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Twitter verifica conta de um político que não existe

Adolescente sobe dados de político fictício a site que cataloga candidatos dos EUA; Twitter verificou conta sem checar

35 semanas atrás

O Twitter suspendeu o processo de verificação de contas em 2017 e, desde então, só concede o cobiçado selinho azul a quem acha que merece. Em geral, apenas empresas, órgãos, sites e pessoas públicas como empresários, artistas, influenciadores, jornalistas e autoridades são contemplados, considerando a relevância e sob um suposto processo rigoroso de verificação dos dados dos usuários.

Só que um adolescente demonstrou que não é bem assim que a banda toca ao conseguir fazer com que o Twitter verificasse a conta de um político dos EUA que simplesmente... Não existe.

Twitter / conta verifica do político fictício Andrew Walt

Este político não existe, mas recebeu o selinho azul do Twitter

Quando o Twitter derrubou o processo de verificação, onde um usuário poderia solicitar o selo azul desde que atendesse certos quesitos, a justificativa dada foi de que o recurso foi mal interpretado pelo público. Segundo a rede social, ele deveria servir como um indicativo de que a conta em questão era mantida por uma pessoa ou entidade reais, de modo a filtrar bots e similares.

No entanto, todo mundo interpretou a verificação como um símbolo de status (a bem da verdade, o Twitter também o tratou assim), concedido apenas a seletos perfis, e também como um indicativo de endosso por parte da rede social. Por isso se criou uma tremenda confusão quando a conta de Jason Kessler, o organizador do evento neonazista de Charlotesville foi verificada.

Para evitar abuso por parte dos usuários, o Twitter removeu o selo de Kessler e suspendeu todo o processo, prometendo que o reativaria para torná-lo acessível a todos, mas até agora, nada. Na prática, a verificação foi de fato transformada em um símbolo de status e endosso, já que hoje, só recebe o selo quem a rede social julgar merecedor, sob seus próprios critérios.

Ainda assim, pessoas públicas óbvias como políticos e candidatos são em geral verificados rapidamente, e é aí que o adolescente entra.

Em entrevista ao CNN Business, o garoto de 17 anos (cujo nome não foi revelado) disse que sua "prova de conceito" consistia em provar que o processo de verificação do Twitter poderia ser facilmente burlado, já que ele não checaria a veracidade das informações se uma das fontes fosse comprometida.

Para isso, ele criou Andrew Walz, um republicano de Rhode Island concorrendo a uma vaga no Congresso, em que tudo é falso.

Selo de verificação do Twitter

Segundo o jovem, o processo de "gestação" de Walz durou cerca de 25 minutos, entre a criação de um site e a geração da foto do perfil, através de softwares de IA. A seguir, os dados foram cadastrados no Ballotpedia, site similar ao Wikipedia que reúne fichas de candidatos dos Estados Unidos.

Alguns meses depois o Twitter concedeu o selo a Walz, mesmo com ele tendo pouco mais de 10 seguidores; o jovem afirma que não promoveu a conta, já que não era a intenção dele enganar o público e sim, burlar o sistema de verificação do popular site de microblogs™️.

A conta de Andrew Walz só foi cancelada quando o CNN Business entrou em contato com o Twitter; o adolescente diz que a plataforma não pediu nenhum tipo de confirmação de dados, apenas inferiu que o cadastro do Ballotpedia era real, e liberou o selinho azul.

Ao site, o Twitter disse que "a criação de um candidato falso é uma violação das regras, e a conta foi suspensa permanentemente". A companhia implementou em dezembro de 2019 um processo de ampliação nas verificações, voltado a políticos para a campanha norte-americana de 2020. Desde então, mais de 1.500 perfis de políticos receberam o selo azul.

O jovem diz que com o aumento nas verificações de políticos, resolveu testar se os dados estavam sendo de fato verificados de perto ou se o selinho estava sendo distribuído a esmo; seu teste demonstrou que era a segunda opção.

O Twitter ainda não tem planos para liberar novamente o processo de verificação aos usuários.

Com informações: CNN Business

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