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Impedidos de competir, pilotos recorrem aos games de corrida

Devido a paralisação das temporadas de Formula 1 e da NASCAR por causa do coronavírus, vários pilotos estão participando de provas nos games de corrida

15 semanas atrás

Com praticamente todas as competições esportivas tendo sido interrompidas por causa da pandemia do novo coronavírus, o que inclusive deverá fazer com que as Olimpíadas de Tóquio seja adiada, atletas do mundo inteiro estão buscando maneiras de passar o tempo e se manterem ativos. Pois no caso dos pilotos profissionais, alguns deles estão encontrando nos games de corrida uma ótima válvula de escape para esse período de isolamento social que muitos países estão enfrentando.

F1 2019 - games de corrida

Tudo começou no dia 13 de março, quando a NASCAR comunicou aos competidores que não realizaria a tradicional corrida de Atlanta Motor Speedway. Sem saber muito bem o que fazer no domingo seguinte, quando deveria estar a beira da pista passando instruções para seus pilotos, TJ Majors resolveu entrar em contato com algumas pessoas.

Sua intenção era juntar um grupo de pilotos ou profissionais ligados à modalidade para disputar uma corrida no iRacing e após a ideia ser muito bem recebida por alguns, o pessoal da Podium eSports aceitou ficar responsável pela transmissão. Nascia ali a The Replacements 100, prova que teve o seu nome inspirado no filme Virando o Jogo e cujo número faz referências as voltas que seriam dadas.

O que os idealizadores talvez não pudessem imaginar era o sucesso que a corrida faria. Desde o momento em que começaram a divulgar a prova virtual, a resposta dos fãs foi muito boa e durante a transmissão eles registram um pico de 23 mil espectadores simultâneos, além de 70 mil no total. Até o site da NASCAR destacou alguns momentos da prova.

Mas além da participação de figuras conhecidas do meio, a excelente transmissão que imitava aquilo que vemos na TV também teve um importante papel para agradar o público, o que acabou chamando a atenção de profissionais de uma modalidade ainda mais importante, a Formula 1.

Vendo uma prova após a outra ser cancelada e com a sua temporada estando bastante ameaçada, a FIA decidiu criar o F1 Esports Virtual Grand Prix. Nesta competição alguns pilotos, ex-pilotos e convidados espaciais se juntam (virtualmente) para disputar a corrida que deveria acontecer no final de semana.

Neste domingo (22) foi a vez do Grande Prêmio do Bahrein, que assim como o da Austrália teve que ser cancelado por causa da COVID-19. As regras diziam que todos os carros teriam performance igual, com danos tendo sido reduzidos e algumas assistência habilitadas. Além disso, o grid seria definido após uma sessão de qualificação de 18 minutos e a prova teria 28 voltas (metade da corrida real).

Curioso, ontem sentei diante do PC para assistir um pouco desta corrida virtual e confesso ter gostado muito mais do que imaginaria. Com a transmissão sendo muito parecida com a da televisão, por alguns momentos foi fácil esquecer que aquilo não passava de um videogame, exceto apenas pela ausência da maioria dos pilotos famosos ou por um ou outro erro nos gráficos.

Além disso, como os carros contavam com desempenho semelhante, algumas disputas por posições foram muito mais emocionantes do que no geral temos visto na competição real. O ponto negativo foi para algumas batidas bizarras, principalmente na parte final, o que estragou a imersão.

Mas o que essas competições tem mostrado é como os games de corrida estão se aproximando da realidade, servindo como uma ótima válvula de escape não só para os jogadores casuais, mas também para pilotos profissionais. Não é de hoje que títulos como o F1 2019 ou o iRacing tem sido utilizados por essas pessoas para poderem aperfeiçoar suas técnicas e esses torneios online servem para termos uma melhor noção do quão precisos podem ser os simuladores.

Além disso, esta pode ser uma ótima oportunidade para tanto as desenvolvedoras de games de corrida quanto os responsáveis por ligas de eSports atraírem a atenção do público. Embora inúmeros torneios de videogame tenham sido cancelados nas últimas semanas, acredito que os jogos que recriam modalidades esportivas possam aproveitar esse vácuo que a falta de campeonatos deixou.

Tudo bem, partidas via internet podem não ser tão legais quanto vermos os competidores sentados no palco de algum ginásio, mas basta olharmos para o sucesso que alguns atletas reais estão fazendo em suas transmissões online para percebermos o quanto as pessoas estão sedentas pela volta dos esportes. E no fundo, na atual situação qualquer forma de entretenimento é muito bem-vinda.

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