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Um filme de Dragon's Lair via Netflix talvez com Ryan Reynolds

Dragon's Lair é um videogame clássico dos fliperamas dos Anos 80, que agora vai virar um filme da Netflix, provavelmente com Ryan Reynolds

18 semanas atrás

Dragon's Lair era uma porcaria, pronto falei. Dito isso foi o videogame mais revolucionário, ousado e único dos Anos 80, sendo premiado por crítica e público e entrando para sempre para o Rol das Lendas. Agora essa história vai virar um filme da Netflix com Ryan Reynolds.

O ano era 1983, o fogo ainda era uma novidade na maioria das cavernas, nos videogames o Atari ainda reinava absoluto, com o NES, Famicom e similares ganhando espaço. Foi o ano de lançamento do Mario Bros. e do MSX. Ainda era a era dos consoles e computadores de 8 bits, os gráficos e performances eram, do ponto de vista moderno, primitivos.

Como ainda não era a era da Master Race, o grosso da qualidade gráfica dos jogos ainda se resumia aos arcades, engines 3D não existiam, os jogos eram todos line art ou baseados em sprites. Wolfenstein 3D ainda estava nove anos no futuro, só seria lançado em 1992.

A ideia de um jogo de fliperama com qualidade gráfica comparável a um desenho animado era total e completa ficção científica, mas o pessoal doa Cinematronics não foi avisado, e sem saber que era impossível, criaram e lançaram Dragon's Lair.

Lembre-se, era um tempo de CPUs de 8 bits e clocks na casa de (poucos) MHz. Não havia GPU, VRAM, Nvidia, nada. Tudo mostrado na tela precisava ser mastigado por uma CPU já sobrecarregada, sem o conceito de multicore, hyperthreading ou mesmo conjunto de instruções MMX.

Um computador da época sequer tinha resolução gráfica para exibir uma imagem estática com qualidade suficiente para ser confundida com um desenho animado, que dirá 30 delas por segundo, mais o tempo de processamento para responder a comandos. A solução encontrada pelos desenvolvedores?

Que tal pular toda essa parte e ir direto pro desenho animado? E se houvesse a possibilidade de fazer um jogo todo de cutscenes pré-renderizadas, ou melhor ainda, pré-desenhadas?

A tecnologia incrivelmente já existia, era de 1978 e se chamava Laser Disc.

Embora hoje em dia seja risível, a resolução do Laser Disc era o dobro das fitas VHS, mas ele não era um CD, que também não havia sido inventado. O Laser Disc era... analógico. Em essência era um LP a laser, com uma vantagem fundamental para nosso caso: Ele podia acessar qualquer frame nos 64 minutos de vídeo de capacidade por lado, individualmente.

Com isso o Laser Disc era muito usado para catalogar documentos e fotos, bem como bibliotecas de clipes e efeitos sonoros.

O que os desenvolvedores pensaram: Ao invés do jogo desenhar na tela as imagens, você tem toda uma árvore de decisão com cenas prontas, de acordo com os comandos do joystick, o software decide qual cena passar.

Em verdade o jogador tinha muito pouco controle, a gente assistia a animação até o momento propício, então movia o joystick ou acionava o botão da espada. Se você não fosse absolutamente preciso, morria e voltava pro começo da cena.

Era tedioso, repetitivo, comia fichas feito água e cada cena era curtíssima, além de ter uma pausa de até dois segundos com a tela preta, enquanto o Player movia a cabeça de leitura até a próxima cena. O resultado? Ninguém ligava pra esses problemas e Dragon's Lair se tornou o jogo mais popular de 1983, com resenhas que sequer acreditavam que estavam vendo e jogando um verdadeiro desenho animado.

Aqui o walkthrough completo:

A história de Dragon's Lair é a mais simples possível: Uma princesa, Daphne está presa em uma masmorra de um feiticeiro malvado, vigiada por um dragão. Um herói valente mas desajeitado tem que salvá-la.

Como a história provavelmente foi criada pelo caixa do McDonald's aonde os desenvolvedores almoçavam, o resto da verba foi suficiente para contratarem Don Bluth, ex-animador da Disney responsável por filmes como Titan AE, Anastasia, Fievel e Cool World, aquele Roger Rabbit pra adultos e sim a Kim Basinger era mais totosa na versão animada, todo mundo acha isso.

Com seu estilo inconfundível Bluth e seu estúdio produziram uma animação completamente dentro do estilo da época, por mais que o figurino e postura da Princesa sejam extremamente problemáticos pelos padrões de hoje. Como não havia Twitch, todo mundo dependia das descrições dos amigos de como era o final e a tal princesa. Incrivelmente, a realidade não decepcionava.

Dragon's Lair infelizmente tinha baixa repetibilidade, e as futuras tentativas de criar outros jogos usando a técnica de desenhos interativos, como Space Ace não deram tão certo, apesar de mais avançados tecnologicamente, sem as famigeradas telas pretas entre as cenas. Note no gameplay que o jogo emite um bip dizendo qual o momento de mover o controle:

E sim, o tema é o mesmo, resgatar a mocinha indefesa raptada.

Hoje em dia até telefones conseguem rodar jogos com qualidade de desenhos animados em tempo real, jogos como Cuphead não só possuem resolução gráfica de desenhos animados, como se dão ao luxo de simular os defeitos de filmes antigos, como sujeiras na projeção e chiados e arranhados no áudio.

Mesmo assim Dragon's Lair vive nas memórias e nostalgia de toda uma geração, e por mais que sua história seja mínima, muita gente vai gostar da ideia de ver o jogo transformado em um filme.

Isso foi tentado antes, inclusive pelo próprio Don Bluth, mas parece que agora vai. A Netflix fechou um acordo para conseguir os direitos do jogo para produzir um longa, que conta com Don Bluth como um dos produtores, além de Gary Goldman e Roy Lee, e -essa a parte mais importante- Ryan Reynolds.

O que esperar de um filme de Dragon's Lair? Sinceramente, não sei. Pode ser uma farofa completa como Kröd Mändoon and the Flaming Sword of Fire, uma bobagem deliciosa que você deve conferir, podem fazer uma história incrivelmente séria e complexa, ou até uma aventura simples e direta, aonde a princesa vai resgatar o cavaleiro (tempos modernos, crianças).

Tudo vai depender das suas expectativas. Eu admito que me diverti com PixelsBattleship, pois fui esperando um filme-farofa feito com base em um joguinho de minha infância. Cidadão Kane é na sala ao lado.

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