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Predator: Hunting Grounds — "Você é muito feio!"

Com muitos bugs, tempos de espera impossíveis e gráficos medíocres, Predator: Hunting Grounds é um desperdício de uma boa ideia

06/05/2020 às 8:00

Predator: Hunting Grounds é o mais recente multiplayer assimétrico para PS4 e Windows da Illfonic, a desenvolvedora de Friday the 13th: The Game. Aqui, a estrela é o emblemático caçador alienígena do cinema, onde as partidas são organizadas entre o bicho feio (não diga isso na cara dele) e uma equipe de 4 soldados.

E tal como aconteceu com o jogo anterior, este é outro exemplo de que a desenvolvedora talvez não saiba o que está fazendo.

Sony Interactive Entertainment / Predator: Hunting Grounds

Prepare a pipoca que nosso review já vai começar. Não desgruda daí!

Caçador caçado

A premissa de Predator: Hunting Grounds é bastante simples. Há duas formas de jogar as partidas, sendo uma controlando o alienígena caçador, e outra organizando um time de quatro jogadores, membros de uma unidade das Forças Especiais. Não há enredo, apenas combate e isso deveria bastar, ou pelo menos era essa a ideia.

A missão varia conforme o lado que você escolher: o grupo de soldados deve cumprir missões específicas, como coletar dados em computadores ou destruir equipamentos de um cartel do tráfico, enfiados na selva sul-americana (o plot é livremente baseado no filme Predador, de 1987). Adicionalmente eles precisam se livrar do Predador, cujo jogador que o controla tem uma agenda bem simples: caçar e matar todos os humanos.

Ao jogar como um humano, você tem diversas armas e equipamentos à disposição, bem como o Predador, que tem acesso a vários de seus aparatos originais, como lanças, chakrams, o canhão laser e suas habilidades clássicas, como a visão infravermelha e a invisibilidade.

Em um mundo ideal, o equilíbrio de forças entre os soldados e o alienígena deveria ser mantido para tornar a experiência agradável, mas não é bem o que acontece aqui.

Sony Interactive Entertainment / Predator: Hunting Grounds

O pior Predator de todos os tempos

A Illfonic se focou ainda mais na ação e violência desenfreada do que em Friday the 13th: The Game, sendo este um título 18+, com sangue em profusão e crânios arrancados do corpo sem cerimônia.

Isso é o mínimo do que se espera de qualquer produto da franquia Predador, mas aqui há uma série de problemas embarcados. O primeiro deles é o fato de Predator: Hunting Grounds só possuir um modo de jogo e nada mais , além do curto tutorial que ensina a como jogar com o Predador.

Os confrontos se organizam entre "Partida Rápida", que é entrar em um jogo criado por outros, ou "Partida Privada", onde você organiza a sua própria com amigos. Depois, é preciso escolher entre jogar do lado dos humanos ou do Predador, e surge então o segundo problema: o tempo de espera.

É normal que em um multiplayer assimétrico, o tempo para entrar em uma partida como o "protagonista" seja mais demorado do que o do time de personagens comuns, pois haverá gente demais e espaços de menos. Aqui isso não é exceção, mas a média do tempo de espera para jogar com o Predador gira entre absurdos 5 e 9 minutos, com alguns picos.

Sony Interactive Entertainment / Predator: Hunting Grounds

Em meus testes, eu cheguei a tomar um chá de cadeira de 13 minutos e 42 segundos até entrar em um confronto; para jogar como um humano, o tempo é infinitamente menor, embora em alguns casos eu tive que esperar mais de 2 minutos.

Nota-se que a Illfonic não conseguiu implementar um sistema de matchmaking que preste, resultando em tempos inadmissíveis para qualquer um. Esperamos que isso seja corrigido com o tempo, mas as falhas não param por aí.

A qualidade gráfica de Predator: Hunting Grounds está bem baixa do padrão atual, com um grande número de serrilhados e texturas de baixa qualidade, fazendo-o se parecer com um jogo do fim do ciclo do PS3, ou do início do PS4. Um dos poucos efeitos visuais interessantes é a visão térmica, que implementa um filtro fiel ao visto no cinema, e que acaba por disfarçar o visual tosco.

Por fim, há os bugs. A quantidade de erros no jogo é muito maior do que o tolerável, que faz inclusive que o jogo não reconheça ações dos jogadores e comprometa a jogabilidade. E a falta de ambientes variados e modos de jogo pode fazer com que os jogadores se cansem muito rapidamente.

Ainda assim, há elementos positivos. Os combates são minimamente equilibrados, os humanos possuem equipamentos em quantidade que permitem sobrepujar o Predador, obrigando seu controlador a ter cuidado na hora de ficar invisível ou de usar a visão térmica, pois eles consomem a barra de energia dos equipamentos rapidamente.

Há também inúmeras opções de customização, compradas através de caixas de loot com dinheiro ganho no jogo ao evoluir (não há microtransações). É possível alterar a aparência do Predador e dos humanos, desde o gênero ao rosto, tipos de armadura, skins para armas e muito mais. Para quem é fã da franquia e quiser investir no jogo, há muito o que desbloquear.

A localização para o português brasileiro também foi muito bem feita, desde os textos à dublagem, e som é bom, com direito à trilha sonora original de Predador, mas no fim das contas, os pontos positivos não são suficientes para salvar o jogo.

Conclusão

Predator: Hunting Grounds é a segunda tentativa da Illfonic de lançar um multiplayer assimétrico baseado em uma franquia clássica dos filmes gore dos anos 1980. No entanto, novamente o estúdio pisou na bola e aqui, conseguiu errar ainda mais do que com Friday The 13th: The Game.

A falta de esmero com o jogo pode ser percebida a todo momento, seja no tempo exageradamente longo para encontrar partidas ao jogar como o Predador, seja nas texturas, que se assemelham a jogos do fim da 7ª geração, ou ainda da quantidade absurda de bugs.

Se em 2019 a Avalanche Studios decepcionou com Generation Zero, um survival que prometia muito e se revelou um título insuportavelmente monótono, em 2020 Predator: Hunting Grounds não conseguiu nem isso; um dos motivos é o fato de que o alienígena bombadão anda numa má fase dos diabos no cinema.

Dado o baixo interesse no personagem, o lançamento do jogo foi feito sem muito alarde, e sendo franco, todo mundo estava com o pé atrás dado o histórico da Illfonic. Há boas coisas, como a localização e o grande número de itens desbloqueáveis, mas nada disso consegue amenizar o dano da bomba nuclear de pulso que é este título.

Assim, Predator: Hunting Grounds consegue a proeza de ser o pior produto de mídia de toda a franquia Predador, e um jogo para ser esquecido.

Predator: Hunting Grounds — Ficha Técnica

  • Plataformas — PS4 e Windows via Epic Games Store (análise baseada na versão para PS4 Pro);
  • Desenvolvedora — Illfonic;
  • Distribuidora — Sony Interactive Entertainment;
  • Classificação Indicativa — 18 anos.

Pontos Fortes

  • Multiplayers assimétricos são sempre divertidos;
  • Bom trabalho de localização;
  • Há muito, mas MUITO conteúdo a ser desbloqueado.

Pontos Fracos

  • O jogo é um desperdício de uma boa ideia;
  • Falta de polimento em todos os aspectos;
  • Tempo de matchmaking inadmissivelmente longo;
  • Apenas um modo de jogo.

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