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Tom Cruise fará filme no espaço com NASA e SpaceX? (spoiler: sim)

Um filme no espaço, com Tom Cruise? Em qualquer outro momento soaria como um boato infundado, mas o Administrador da NASA em pessoa confirmou

25 semanas atrás

A notícia caiu como um foguete brasileiro, e a princípio todo mundo desdenhou, afinal de contas, um filme no espaço, filmado lá em cima com Tom Cruise em pessoa? Com certeza uma missão impossível, a NASA jamais aprovaria, etc, etc, mas quando Jim Bridenstine, Administrador daquela quitanda confirmou, a ficha caiu, é verdade!

Segundo o site Deadline, Tom Cruise estaria planejando fazer um filme no espaço. Não um documentário, não um reality show, um filme, de verdade, de ficção (você entendeu). Imediatamente escuta-se um barulho de freada, os custos envolvidos são MUITO altos.

Imaginando uma equipe mínima, Tom Cruise e um diretor/cameraman são dois lugares. A NASA paga aos russos US$86 milhões por assento numa Soyuz. Como Tom e o Diretor irão em uma Dragon Crew da SpaceX, o valor é mais em conta, mas não muito. A estimativa é que cada viagem custe US$55 milhões por pessoa. Só aí temos US$110 milhões.  O preço estimado por lançamento pode chegar a US$160 milhões, se colocarmos no pacote o foguete, a cápsula, sete astronautas e as barrinhas de cereal.

O custo de permanência na Estação Espacial internacional por pessoa é de US$312.500,00. POR HORA.

Se Tom e o Diretor ficarem 10 dias na ISS, o que costuma ser a permanência mínima quando fazem troca de tripulação, isso significa mais US$150 milhões na conta do tal filme. US$260 milhões e só temos algumas dezenas de horas de imagens.

Então não vai acontecer?

Calma, ninguém está dizendo que não vão fazer um filme no espaço. OK, não há roteiro, ideia ou mesmo estúdio por trás, ainda, mas Sangue de Xenu tem poder e se o Tom Cruise diz que quer fazer um filme no espaço, não vai faltar gente comprando a ideia.

Que, aliás, nem é nova. Quando foi filmar Apollo 13, Ron Howard ficou decepcionado quando descobriu que a NASA não tinha uma "câmara de antigravidade" para treinar astronautas, então teve que apelar pro Plano B: Botaram todo mundo no Cometa Vômito, construindo cenários da cápsula dentro do avião e treinaram os atores, que se movimentaram em queda livre, como os astronautas de verdade. Dá pra ver no vídeo abaixo, do minuto cinco em diante:

Apollo 13 sequer pode ter sido o primeiro filme a usar voos parabólicos para filmar cenas em queda livre, a primazia vai para o filme educativo "The Uranus Experiment 2", que em 1999 incluiu uma cena de 20 segundos entre Sylvia Saint e Nick Lang, que infelizmente apesar de ser o clímax do filme (literal e metaforicamente) é por demais anticlimática.

A principal desvantagem de usar um avião em trajetória parabólica é que você só consegue no máximo uns 25 segundos para filmar sua cena, e como Tom Cruise provavelmente não vai filma minha lua de mel, é preciso mais tempo. E no espaço tempo não é problema, afinal você está caindo o tempo todo.

Não há dúvida que os custos envolvidos serão (desculpe) astronômicos, e é muito mais marketing do que necessidade, Gravity, embora tenha sérios problemas científicos, visualmente é um filme magnífico. Que o digam os astronautas da NASA, assistindo dentro da ISS um filme passado na ISS, e provavelmente pensando que o lugar precisa de mais Sandra Bullock:

Tom Cruise fazer um filme no espaço não é um capricho de uma estrelinha de Hollywood que quer toalhas coloridas e frutas frescas no camarim. Ir ao espaço é uma atividade extremamente perigosa que exige toneladas de dinheiro e muito investimento emocional e profissional. É claramente um sonho de um sujeito que passou a vida inteira se superando -Tom tirou brevê de piloto comercial- e que agora quer ir além, audaciosamente aonde nenhum ator jamais esteve.

Esse filme será muito bem-vindo. Não pelo ineditismo em si, mas por sua capacidade de maravilhar e inspirar uma nova geração. Vivemos tempos obscuros, aonde jornais de grande circulação entrevistam astrólogas para falar sobre pandemias, aonde líderes religiosos criticam nossa "dependência da ciência".

Precisamos de heróis, precisamos de exemplos. Tom Cruise promovendo interesse pela ciência, dando continuidade ao trabalho de Matt Damon em Perdido em Marte é essencial. Nós só vamos sobreviver como espécie, só temos esperança de curar doenças, eliminar a fome e a pobreza, se identificarmos e desenvolvermos ao máximo o potencial de cada um.

Há duas opções: Você pode se esconder no reino das trevas da ignorância, do medo e da superstição, achando que cada raio é uma ameaça e cada percalço um castigo, ou pode fazer parte do Reino da Ciência, aonde aprendemos, erramos, aprendemos com os erros e melhoramos. A escolha é sua.

 

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