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Microsoft BUILD 2020: confira as principais novidades

Keynote online da Microsoft BUILD 2020 revela nova plataforma de nuvem para o setor médico, novidades para desenvolvedores e usuários

18 semanas atrás

Começou nesta terça-feira (19) a BUILD 2020, a conferência anual da Microsoft para desenvolvedores, que devido à pandemia da COVID-19, será realizada online.

Entre as novidades, uma nova plataforma de nuvem voltada ao setor médico e novidades para produtos corporativos, de desenvolvimento e para usuários finais.

Microsoft / Satya Nadella / BUILD 2020

Microsoft Cloud for Healthcare

Não é novidade que a pandemia da COVID-19, causada pelo novo coronavírus (SARS-CoV-2) afetou todo mundo, e a Microsoft não é exceção. Ao mesmo tempo, a companhia se comprometeu a usar seus recursos no combate à doença, e anunciou sua primeira aplicação de nuvem voltada especificamente a setores da indústria, o Microsoft Cloud for Healthcare.

Disponível como um preview público de testes por 6 meses, é uma espécie de Google G Suite direcionada para uma especialidade, com todas as suas ferramentas voltadas para fins específicos. Programas e plataformas como Teams, Azure IoT e chatbots buscarão, dentro do contexto voltado à medicina:

  1. Melhorar as relações com pacientes;
  2. Fortalecer a colaboração entre equipes de saúde;
  3. Melhorar a análise de dados operacionais e clínicos.

Microsoft Healthcare Bot / BUILD 2020

Uma das partes mais importantes do processo do atendimento é o pós atendimento, onde não há tantas ferramentas disponíveis para acompanhar o quadro de saúde do paciente. Nesse aspecto, o Healthcare Bot pode ajudar a responder dúvidas dos usuários, sendo ele uma ferramenta aprimorada em cima de mais de 1.500 instâncias baseadas em bots coletando dados de pacientes, sobre dúvidas a respeito da COVID-19.

Microsoft Edge + Pinterest (?!)

O Microsoft Edge hoje roda Chromium de vez, agora que uma atualização recente do Windows 10 substituiu definitivamente a versão legada pela atual. Disponível para macOS, iOS e Android além dos sistemas Microsoft, ele receberá alguns aditivos curiosos, enquanto se esquiva dos realmente relevantes.

Primeiro, foi revelado uma nova barra de pesquisa, que ficará do lado direito e que dispensa a abertura de outra aba na hora de realizar uma busca. Ela é obrigatoriamente atada ao Bing assim como a barra original, mas ao menos o Edge permite ao usuário selecionar um texto, clicar com o botão direito do mouse e mandá-lo para a busca.

O outro estranho recurso é uma integração com o Pinterest, a rede social de fotos e vídeos que é usada principalmente para postagens de moda e receitas. Ele irá se ligar às Coleções, função do navegador que permite reunir páginas, imagens e textos a um grupo único, para facilitar a organização. Aqui, o Pinterest oferecerá sugestões e o usuário poderá importar suas coleções para a rede social.

Segundo a Microsoft, o recurso de importação será ligado também ao OneNote no futuro.

O que a Microsoft não menciona são recursos essenciais a qualquer navegador, que o novo Edge ainda não possui: sincronização de Histórico e abas com outras instâncias do browser, através da conta Microsoft. Prometidos para o terceiro trimestre de 2020, ainda não há menção de quando eles estarão disponíveis.

Microsoft Lists, novo app para profissionais

Para empresas e profissionais que fazem uso pesado do Office Microsoft 365, o Lists é um aplicativo que se integra à suíte para organizar tarefas. Voltado à troca simplificada de informações dentro de uma equipe, ele permite acompanhar contatos, destaca problemas no fluxo, facilita o monitoramento de problemas e de atualizações no andamento dos trabalhos.

Por padrão, o Lists será profundamente ligado ao Teams (a plataforma de trabalho online, similar ao Slack), o SharePoint e o OutLook, sendo basicamente uma versão mais parruda do SharePoint Lists, ao invés de outro To Do.

O Lists já pode ser experimentado dentro ou launcher do Microsoft 365.

HoloLens 2: mais recursos

A segunda geração do óculos de Realidade Virtual da Microsoft continua caro (US$ 3,5 mil), continua fechado para empresas e educadores e continua avesso a jogos, mas há demanda o suficiente para expandir seu alcance.

A Microsoft pretende lançar o HoloLens 2 até o fim do ano em países como Espanha, Coreia do Sul, Taiwan e Hong Kong, visando principalmente a necessidade de ferramentas do tipo em salas de aula. A Case Western Reserve University de Ohio, por exemplo, encomendou 185 unidades para alunos de Anatomia, e isso antes da pandemia.

Microsoft / HoloLens 2 / BUILD 2020

O HoloLens 2 também está recebendo novos recursos: o Azure Spatial Anchors oferece auxílio na renderização de modelos 3D, sendo também compatível com iOS e Android, e o Azure Remote Rendering renderiza conteúdos na nuvem e os transmite a dispositivos em tempo real.

Por enquanto, não há a menor menção de quando ou se o HoloLens 2 chegará ao Brasil.

Fluid Framework no Office Online

O Fluid Framework, anunciado na BUILD 2019 está sendo integrado à versão online do Microsoft Office e ao Outlook, com esta sendo a primeira oportunidade de usuários poderem testar a ferramenta.

Para quem não lembra, ela permite que usuários compartilhem a escrita de um texto ou o desenvolvimento de uma aplicação, de modo remoto e simultâneo, com as modificações sendo sincronizadas em tempo real. Ele suporta tradução e integração entre apps, assim, é possível abrir uma célula do Excel em um texto do Word, enquanto os demais escrevem, ou cada um digitar em sua língua natal e o software traduzir todos para o idioma definido como padrão.

E mais: para permitir que o recurso seja implementado pelo maior número possível de plataformas e seja acessível a todos, a Microsoft abriu o código do Fluid Framewor; isso visa também atrair o interesse da comunidade, para sugerir melhorias e porta-lo para outros sistemas.

Developers developers developers

Sendo a BUILD 2019 uma conferência voltada principalmente a desenvolvedores, é natural que muitas das novidades apresentadas sejam voltadas a eles. Vamos dar uma olhada nelas:

Project Reunion

Através dos anos, a Microsoft vem fazendo de tudo para unificar em um só lugar os aplicativos clássicos Win32 e os da Universal Windows Platform (UWP), distribuídos via Microsoft Store. Por uma série de motivos, há desenvolvedores que preferem um ao outro e isso só ajuda a fragmentar ainda mais a plataforma, algo que Redmond vem tentando combater.

O Project Reunion é mais uma tentativa de dar um fim a essa quizumba: ele representa uma unificação das APIs Win32 e UWP em um só ambiente, de modo que o desenvolvedor só precise escrever o código uma vez, de modo a prover apps compatíveis com mais de 1 bilhão de dispositivos Windows ativos em todo o mundo, independente de que tipo de aplicativos rodem.

Microsoft / Windows 10 / computador lento

Ao mesmo tempo, o Project Reunion permite ao desenvolvedor aproveitar todos os recursos das APIs mais recentes e implementar as novidades nos programas independente da versão do sistema. Quando o Windows é atualizado, o app busca novos recursos que ele não podia acessar via NuGet, assim, o desenvolvedor pode simplesmente se preocupar com a versão mais nova e o Project Reunion faz o resto.

Para encerrar, a Microsoft tem grandes ambições para streaming de apps pelo Windows Azure, permitindo que usuários possam usar aplicações de alto nível independente da plataforma, que pode ser macOS, Linux, iOS ou Android, além do Windows.

Windows Terminal 1.0

Apresentado na BUILD 2019 como um preview, a versão 1.0 do Windows Terminal foi liberada hoje finalmente em uma versão estável, voltada inicialmente para uso corporativo, mas que qualquer um pode usar.

Microsoft / Windows Terminal 1.0 / BUILD 2020

A aplicação é de código aberto e suporta múltiplas abas, atalhos, caracteres UTF-8 e Unicode (sim, emojis), aceleração de texto via GPU, temas, estilos e configurações customizadas. Ele é voltado para assumir todas as funções do PowerShell e do Prompt de Comando, além de suportar WSL e outras ferramentas de linha de comando.

Você pode baixar o Windows Terminal 1.0 na Microsoft Store, ou instala-lo manualmente via GitHub.

WSL 2, com kernel Linux completo

Anunciada também na conferência de 2019, a segunda versão do Windows Subsystem for Linux receberá uma série de melhorias, que serão implementadas ao longo do ano, enquanto que o WSL será atualizado na atualização de maio do Windows 10.

No segundo semestre, o WSL 2 ganhará suporte a aceleração via GPU para vários cenários de desenvolvimento, como computação paralela e treinamento de modelos de Inteligência Artificial e aprendizado de máquina.

Nautilus no Windows 10 / BUILD 2020

A seguir, o WSL 2 também receberá suporte a aplicações Linux baseadas em GUI (interface gráfica), embora detalhes não tenham sido dados a respeito, mas de qualquer forma, a novidade permitirá aos usuários abrirem apps sem a necessidade de um motor de terceiros.

Por fim, o processo de instalação do WSL 2 será simplificado, através do comando "wsl.exe –install" e uma reinicialização. Isso dispensa o acesso à Microsoft Store, oferecendo um processo mais próximo de desenvolvedores Linux mais acostumados com o Terminal.

Usuários Windows Insider do Modo Rápido de atualização serão os primeiros a ter acesso às novidades do WSL 2.

A Microsoft levou anos para admitir que estava errada sobre o Linux e o código aberto, mas de uns tempos para cá Redmond reconheceu que é muito melhor (e mais lucrativo) unir forças do que fomentar brigas. Assim, com o tempo a empresa entrou para o Project Eclipse, liberou o SQL, o Skype e o PowerShell 7.0 e lançou duas distros Linux, Azure Cloud Switch e Azure Sphere OS, para clientes corporativos e Internet das Coisas.

O WSL 2 representa o ápice do casamento entre Microsoft e Linux, visto que ele traz uma versão completa do kernel na versão 4.19 LTS, rodando em uma máquina virtual que consome poucos recursos. Todos os patches e modificações feitas no código por Redmond serão devidamente publicadas e disponibilizadas, de acordo com a licença de código aberto GNU GPL (General Public License), que será seguida à risca.

A Microsoft pretende seguir as atualizações de suporte de longo prazo do kernel Linux, implementando assim apenas as versões LTS conforme forem lançadas. Ao usuário, cabe escolher qual distro mais lhe agrada entre as disponíveis (Ubuntu, OpenSUSE, SLES, Kali e Debian) e instalar.

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