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Treco de R$2K prometia proteger contra 5G mas era só pendrive

Se você acha que precisa se proteger contra 5G, você tem problemas mas se acha que precisa pagar mais de R$ 2 mil para isso, tem mais problemas ainda...

28/05/2020 às 19:19

“Nasce um otário a cada minuto”, diz a frase erroneamente atribuída a PT Barnum, e nesse caso nem precisa do alien vermelho, o PT está certo. O pessoal apavorado querendo se proteger contra 5G está gastando fortunas para se proteger da ameaça inexistente, e espertos estão faturando todo esse rico dinheirinho.

Claro, nem todo golpe é igual e não devemos nem podemos ver os picaretas da mesma forma. No nosso caso existem três tipos de falsificações. O primeiro envolve gente que produz medicamentos falsificados, essa gente merece no mínimo o mesmo destino da Dolores Umbridge.

O segundo tipo é o mais comum, o clássico golpe que só dá certo por ter duas pessoas achando que vão se dar bem. É o sujeito que compra um HD externo com um preço absurdamente abaixo da média, apenas para descobrir que ganhou um pendrive e uma mensagem subliminar nem um pouco sutil.

Talvez até seja possível dar um desconto, algumas pessoas podem comprar o equipamento do caso dois por extrema ingenuidade, mas o terceiro caso, assim como o pecado do filme da Leila Lopes, não tem perdão.

Nós já explicamos aqui a imensa bobagem que é achar que redes 5G “dão” Coronavirus, mas o medo da “radiação” dos celulares é bem mais antigo.

Quando a moda era dizer que celulares causavam câncer, apesar de nenhum estudo conseguir provar qualquer correlação, espertos começaram a vender “capas anti-radiação”, que eram basicamente capas com revestimentos metálicos que impediam que seu corpo fosse atingido por sinais de rádio -desculpe- radiação maligna Illuminati do celular.

Problema: Quando você envolve seu celular com uma capa que impede a recepção de ondas de rádio, você torna seu celular inútil. Mais ainda: Seu celular é mais esperto que você. O meu ao menos é mais esperto do que eu, e quando o sinal está de boa qualidade, ele automaticamente diminui a intensidade com que transmite, para economizar bateria.

Dentro de uma Gaiola de Faraday como essas capas, ele entra em desespero tentando contactar a torre mais próxima, enviando seu beacon, seu sinal de contato na maior potência possível, e diga adeus à sua bateria.

Uma alternativa melhor para quem não entende ciência básica e realmente quer se livrar de seu dinheiro são os adesivos anti-radiação. Você sabe, aqueles papéis mágicos que se o pessoal de Chernobyl usasse não teriam filhos esquisitos.

É um efeito completamente placebo, é como se você rezasse uma novena para um homeopata que produzisse uma solução na qual você deixaria uma figa por 24h depois prenderia no celular com uma tirinha do Senhor do Bonfim. Mesmo assim esses adesivos vendem HORRORES.

Claro, adesivo é muito demodê, quase tanto quando a palavra demodê, e com mais dinheiro e menos bom-senso a moda agora é o... 5GBioShield.

Esse troço é um dispositivo USB que (e eu juro que é isso que está no site deles)

“Provê proteção para sua casa e sua família, graças ao catalisador holográfico de nano-camadas, que pode ser vestido por colocado próximo a um smartphone ou qualquer outro dispositivo que emita sinais elétricos, radiação ou campos eletromagnéticos.”

Como funciona? Simples:

“Através de um processo de oscilação quântica, o equipamento USB equilibra e re-harmoniza as frequências perturbadas que surgem da neblina elétrica criada pelos dispositivos como laptops, telefones sem fio, WIFI, tablets, etc”

Antes de mais nada, esse papo de aranha merece o...

Prêmio Geordi LaForge de Melhor Technobabble

Sabe o que isso tudo quer dizer? Exato, nada, o que não impede a empresa de cobrar £799,00, ou R$5,320.66 por um kit de três dispositivos.

Embora tecnicamente seja impossível verificar a eficácia de um equipamento que protege contra ameaças inexistentes, mas o pessoal do Pen Test Parners resolveu examinar um desses dispositivos só para ver se havia algo ali dentro.

Nada. Ou melhor, quase nada. Necas de névoa quântica, neca de hologramas, neca de campo intrínseco afetando as partículas Pym e reestruturando o Interócito... a única coisa que acharam foi um pendrive. De 128Mb.

Agora a parte que vai te deixar rangendo os dentes e um pouco enciumado, pois mostra que não é só o Brasil que odeia ciência e tem representantes públicos basicamente retardados. O Conselho Municipal de Glastonbury, na Inglaterra, tem uma Comissão de Recomendação de 5G.

Esse Conselho não só usa o tal dispositivo, como linkam no site oficial, recomendam o uso e estão estudando com a “empresa” que fabrica, digo, -compra da China e cola um adesivo- o tal dispositivo uma versão para “proteger” a cidade inteira.

Achamos algo pior que Cloroquina, que ao menos serve para quem tem Malária ou Lúpus, apesar de nunca ser Lúpus.

Se serve de consolo, a polícia de Londres não é tão trouxa e já está investigando, pediram uma ordem judicial para tirar o site do ar e a unidade de fraudes está em cima.

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