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Índia em uma mini-guerra com outro país com armas nucleares

Índia e China estão se estranhando, mas estranhamente os dois lados estão fazendo o possível para não trazer armas nucleares para o conflito

17/06/2020 às 18:00

Não estou falando do Paquistão, embora eles troquem uns sopapos na região da Caxemira, mas da fronteira com a China, que também possui armas nucleares. São 3400km aonde por década indianos e chineses vem se estapeando (literalmente) em uma disputa que lembra algum quadro dos Trapalhões, mas bem mais mortal.

O Cenário

O problema, como sempre, é territorial. Países costumam ser apegados às suas fronteiras, mas raramente elas são tão bem demarcadas, não há linhas gigantes pintadas na paisagem. E é inviável murar cercar ou instalar postos de controle por toda uma fronteira, só há uma Muralha da China, por uma razão.

Quando a fronteira é entre países amigos em geral não há muito stress, como no começo de junho de 2020 quando a Polônia meio sem-querer invadiu a República Checa. Em outros casos como na disputa Peru-Equador rolaram várias guerrinhas e o Brasil teve que intervir, botando o bilau na mesa diplomática e forçando os lados a chegar a um acordo de paz.

No caso da Índia e a China, o arranca-rabo foi próximo ao lago Pangong, na região de Ladakh. Isso fica (óbvio) na fronteira entre os dois países, e é um fim de mundo daqueles aonde não há literalmente nada, e esse é o problema. A Índia começou a fazer umas obras de infraestrutura modestas na área, e a China, que conhece a máxima “quem não dá atenção gera condição” não gostou.

Isso não é de hoje, desde 1962 os dois países disputam várias áreas de fronteira. Algumas com menos de 20Km de comprimento. Em momentos de maior tensão eles mobilizam tropas e equipamentos. Atualmente a China tem tanques, helicópteros, blindados e mais de 10000 homens em prontidão, mas isso não é exatamente a Terceira Guerra Mundial, como alguns sites estão anunciando.

Complicado guerrear no teto do mundo.

Não que não tenha sido guerra, em 1962 por causa dessas disputas aconteceu a Guerra Indo-Chinesa (ou Sino-Indiana, dependendo pra quem você torcer), com direito a mobilização de 80 mil homens por parte da China, e 20 mil do lado indiano.

Os EUA não quiseram se meter, e como os chineses na época estavam se apresentando como um adversário em potencial para os russos, tivemos o curioso caso da União Soviética vender armamentos avançados para a Índia usar contra a China Comunista de Mao Tse Tung. Quem disse que a esquerda é solidária?

Mesmo com a ajuda soviética a China venceu, depois de um mês e um dia de combates. Eles perderam 722 soldados, contra 1383 mortos indianos.

A Guerra não escalou apenas por ser feita em Ruby, a China só teria armas nucleares em 1964 e a Índia dez anos depois. Hoje o jogo virou. Ambos possuem armas termonucleares suficientes para fazer um bom estrago.

O Combate

Dia 17 de Junho de 2020 um confronto resultou em 20 soldados mortos do lado da Índia e 43 baixas do lado chinês, mas não foi um combate convencional.

Ambos os lados têm horror da ideia de uma escalação do conflito, que poderia levar a uma troca de sopapos nucleares, então as ordens explícitas de ambos os comandos-supremos é: Briguem se quiser, mas ninguém ouse disparar um tiro.

O que aconteceu: A região é extremamente montanhosa, são literalmente os Himalaias. Os soldados indianos estavam patrulhando uma trilha na montanha, ou melhor MONTANHA, de noite em frio abaixo de zero. Eles esbarraram com uma patrulha chinesa fazendo a mesma coisa, e seguindo a tradição desses encontros, caíram na porrada. Sem usar armas, nem mesmo facas, os dois grupos começaram a se estapear, jogar pedras uns nos outros, acertar paulada na moleira.

Dizem os indianos que foram 40 deles contra 300 chineses, alguns usando canos de metal com arame farpado, mas parece mais o velho papo “tinha que ver como o outro cara ficou”.

Isso tudo aconteceu no meio da noite em uma trilha aonde dependendo do lugar mal passa um, resultou em um monte de gente despencando pelas ribanceiras e caindo no rio, morrendo consequentemente de hipotermia.

Foi um incidente bem sério, com muita gente morta, mas nem foi o primeiro. Fora outros, em 2015 os dois países se pegaram no tapa com direito a um constrangedor vídeo documentando a briga de torcidas:

Os EUA já avisaram que estão acompanhando com atenção, a turma do deixa-disso já deve estar agindo por baixo dos panos diplomáticos. A China por sua vez como quem não quer nada anexou 60Km2 do território disputado.

As Consequências

Para os parentes e amigos dos falecidos, foi uma tragédia. Para os estudiosos de história militar, é uma palhaçada. Raramente dois adversários com menos interesse em brigar se embatem com tantas luvas de pelica. Não vai sair nada dali. A Índia tem experiência nesses conflitos eternos e em manter a situação sob controle. Três dias atrás um soldado indiano foi morto por fogo de artilharia vindo do Paquistão, e ninguém falou que era a Terceira Guerra Mundial. No máximo um domingo mais animado.

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