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13 filmes cult que foram vexame de bilheteria

Muitos dos filmes cult que adoramos não foram muito bem nas bilheterias, em alguns casos fracassaram feio. Conheça algumas dessas obras...

17 semanas atrás

Fazer lista de maiores bilheterias é fácil, qualquer idiota faz. Também é igualmente simples e satisfatório listar as piores bilheterias, mas e quando as estrelas estão desalinhadas e o filme que amamos foi um fracasso financeiro? Nesta lista vamos conhecer 13 filmes cult incensados pela crítica, amados por milhões, mas que na hora do vamos-ver, miaram bonito na bilheteria.

Regrinhas: Os filmes estão listados sem nenhuma ordem em particular. Os valores são da época do lançamento, não corrigidos. O filme não pode ser considerado ruim, nem esquecido. É preciso ser um filme que ainda seja comentado hoje.

1 – A Fantástica Fábrica de Chocolate

Na primeira versão do livro os Ooompa-Loompas eram uma tribo de pigmeus africanos contrabandeados por Willy Wonka para a fábrica. Sim, até eu acho isso problemático.

É um filme de Sessão da Tarde por excelência. Pelo menos duas gerações se apaixonaram pela história de Charlie e Willy Wonka, aquele estranho e quase mágico empresário e sua fábrica cheia de maravilhas, provando que com determinação, foco, boas ideias e trabalho escravo você consegue qualquer coisa.

Apesar de seu visual mágico, músicas contagiantes e personagens cativantes, o filme não deu certo, mesmo sendo baseado no extremamente popular livro de Roald Dahl. Talvez ele seja psicodélico demais, assustador demais, mas as pessoas simplesmente não foram aos cinemas. O filme custou US$3 milhões em 1971, mas só faturou US$4,5 milhões.

Ele foi redescoberto nos Anos 80, sendo reprisado nas TVs e se tornando um dos filmes cult da geração VHS, é referenciado em todo canto. Até Thor Ragnarok, aonde a cena de Thor no túnel assistindo ao Powerpoint do Grandmaster em Sakaar é referência direta à cena do túnel no filme de 1971, com direito até à música Pure Imagination.

OK pensando bem a cena é bem assustadora pra um filme infantil, RIP Marylou.

2 – Rocky Horror Picture Show

A parte menos estranha desse filme é ter um cientista louco que é um travesti alienígena disfarçado. RHPS é uma cria dos Anos 70, condensando todo psicodelismo, o punk, a rebeldia e a porralouquice de 1975, ao mesmo tempo parodiando os filmes de terror e ficção científica dos anos 50/60.

Considerado um dos melhores musicais de todos os tempos, é mais que um filme cult, é quase uma experiência religiosa, com fãs se reunindo até hoje para assistir e recitar as falas, mas nem sempre foi assim.

Lançado em agosto de 1975 em Los Angeles, o filme teve uma estreia razoável, mas nas outras oito cidades, a bilheteria foi quase inexistente. A estreia em New York foi cancelada, e o filme foi pra gaveta. Em 1976 um executivo da Fox percebeu que havia uma contracultura nascente e um fenômeno de sessões da meia-noite. Ele teve ideia de relançar o filme nessas sessões, que se espalharam pelo país.

Formalmente o filme nunca saiu de cartaz, Rock Horror Picture Show continua em cartaz até hoje em sessões da meia-noite espalhadas pelos EUA e pelo mundo. Custando US$4 milhões, já faturou US$140 milhões, mas só depois de fracassar monumentalmente.

3 – A Felicidade Não Se Compra

É um dos mais clássicos filmes de Natal, só perde para Duro de Matar. Dirigido por Frank Capra e lançado em 1946, é a história de George Bailey, um sujeito humilde em uma cidade no interior de NY. Apesar de ser uma pessoa muito boa o Destino não sorri para George, que se vê em várias dificuldades, até que decide que o mundo é um lugar melhor sem ele.

Um candidato a anjo chamado Clarence vem à Terra e mostra a George como seria a vida de seus entes queridos e amigos sem ele. No final, tudo dá certo. Menos a bilheteria. O público ainda na ressaca da 2ª Guerra Mundial não estava com vontade de ver histórias idealizadas e boazinhas, então o filme que custou US$3.18 milhões só faturou US$3.3 milhões.

30 anos depois A Felicidade Não Se Compra começou a passar na TV e angariou uma audiência de filmes cult, a população amou a mensagem positiva e a pureza de seus personagens. Hoje é considerado um dos maiores filmes de todos os tempos.

4 – Blade Runner

Essa é rapidinha pois não há filme mais cult do que Blade Runner, um clássico da ficção científica, com a cena mais erótica da história do cinema, não há quem não se apaixone pela Rachael soltando o cabelo. Só que não era isso que o público de 1982 queria. Com certeza não um filme complexo, filosófico, visualmente lotado de informação e com ritmo lento.

O filme faturou US$41,5 milhões, custou US$30 milhões e deixou Ridley Scott em uma bela saia justa. Já a crítica amou, Blade Runner vem sendo dissecado e exaltado por décadas, com gente achando até mensagens ecofeministas nele, seja lá o que for isso.

5 – Clube da Luta

A crítica não gostou muito do filme de 1999 de David Fincher baseado no livro de Chuck Palahniuk. Alguns disseram que o filme era irresponsável, carregado de masculinidade tóxica e violência, outros se melindraram com a mensagem anti-consumismo e pela promoção do terrorismo, e sendo realista dois anos depois Hollywood JAMAIS faria um filme aonde o “herói” dinamita prédios.

O público inicialmente não entendeu também a proposta meio confusa, e custando US$63 milhões, os US$101 milhões de faturamento não cobriram o investimento, pois além do orçamento da produção há todo um custo de marketing envolvido, e pra zerar as contas um filme precisa faturar 2,6x o que custou.

Aos poucos o público do DVD foi descobrindo Clube da Luta, que ganhou um inegável status de um dos melhores filmes cult.

6 – Cidadão Kane

Considerado o melhor filme de todos os tempos, a Obra-Prima de Orson Welles teve uma gênese complicada. Contando uma versão altamente fictícia da vida do mega-empresário de mídia William Randolph Hearst, o filme quase não saiu. Hearst proibiu seus jornais e emissoras de rádio de sequer mencionar o filme, e saiu ameaçando de processo qualquer cinema que pensasse em exibir o filme.

A produtora ficou com medo e adiou o lançamento, a ponto de Orson Welles ameaçar processar a empresa caso o filme não fosse para os cinemas. No final várias redes desistiram de exibir Cidadão Kane, que embora tenha sido reconhecido como um grande filme por muitos críticos, não entusiasmou o público, e vários exibidores tiveram prejuízo.

Em um ano Cidadão Kane estava esquecido, mas logo foi redescoberto e tratado como a obra-prima que é. (não, eu nunca assisti)

7 – O Mágico de Oz

Esse é complicado. Foi a maior bilheteria de 1939, faturando US$3 milhões, mas apesar de ter sido amado pelo público, criar as aventuras de Dorothy em Oz custou muito, muito caro, e como só a produção enterrou US$2.8 milhões (vai tentar fazer macacos voadores sem CGI pra ver se é barato) o filme causou um baque na MGM, que ainda por cima teve que lidar com o aumento no cachê da Judy Garland. Ou seja, é possível fracassar mesmo sendo o número 1.

8 – Highlander

Esse é especialmente triste. Highlander (1986) é um dos raros filmes cult que não soube a hora de parar, com uma sequência de continuações vexaminosa, e se formos honestos, um primeiro filme feito de forma porca. Há erros primários de continuidade, equipamentos visíveis e animações muito, muito vagabundas mas a história é ótima, Sean Connery está maravilhoso como um pavão espanhol, e a trilha sonora do Queen é perfeita.

O que matou Highlander, fora uma espada no pescoço: uma história diferente demais, difícil de explicar para os amigos, e diferente do que o espectador médio estava acostumado. Mesmo mantido vivo por fãs dedicados, Highlander nunca se recuperou de ter faturado US$12,9 milhões e ter custado US$19 milhões, e surpreendente foi isso não ter impedido a produção de:

  • Highlander 2 (1991) Custou US$34M / Faturou US$15.6M
  • Highlander 3 (1994) Custou US$34M / Faturou US$12.3M
  • Highlander Endgame (2000) Custou US$25M / Faturou US$15.8M

9 – Scott Pilgrim vs. The World

Ramona Flowers é minha manic pixie dream girl preferida.

Eu não peguei essa fase dos videogames de 16 bits (Master Race, desculpe, desde o TK90X) mas sei apreciar o saudosismo, e Scott Pilgrim é tudo que prometia ser um filme com uma estética de videogame no bom sentido, dirigido pelo competente e inventivo Edgar Wright. O filme parece um celeiro da Marvel, cheio de nomes que alguns anos depois custariam uma fortuna, como Brie Larson, Chris Evans, Brandon Routh e Michael Cera. Não, brincadeira, ninguém liga pro Michael Cera.

A Internet está cheia de vídeos destrinchando os milhares de detalhes do filme, o do Movies with Mikey é especialmente bom. O filme é referenciado toda hora e a Polícia Vegana se tornou um meme eterno.

Mesmo assim Scott Pilgrim caiu no mesmo problema de Alita: É um excelente filme que só tem apelo para um segmento muito específico do público. A receita de um filme cult e de um fracasso de bilheteria: Custou US$85 milhões, faturou US$48.1 milhões.

10 – The Iron Giant

O filme de 1999, dirigido por Brad Bird é uma das mais lindas histórias já animadas. Sensível, inteligente, filosófico, é comparado a E.T. mas o Gigante de Ferro consegue ser mais emotivo que a criatura de Spielberg. Ele foi a única substituição digna para Ultraman, em Ready Player One.

Incensado pela crítica, o filme tinha um elenco de peso, produção caprichada e orçamento nada desprezível de US$50 milhões, mas o marketing ruim da Fox, o medo de promover o filme e ele ser um fracasso e a inabilidade de vender seu peixe fez com que ele passasse em branco nas bilheterias, faturando apenas US$31.3 milhões. Felizmente Iron Giant foi premiado em todo lugar e angariou um status de filme cult como poucos.

11 – Labirinto

Jim Henson, Terry Jones, David Bowie e George Lucas se uniram em 1986 para trazer ao mundo Labirinto, um filme fantástico com Goblins, criaturas fantásticas e... Jennifer Connelly. A maior parte dos personagens são bonecos criados por Jim Henson, o que contribui para um visual fora do comum para o mundo mágico do Rei dos Goblins.

A química entre Connelly e Bowie é perfeita, a história da menina que precisa desvendar o Labirinto para resgatar seu irmão sequestrado por goblins cativou uma geração, ou melhor, uma pequena parte de uma geração. Embora seja um marco e tenha fãs fiéis até hoje, Labirinto custou US$25 milhões e só faturou US$12,9 milhões.

12 – Idiocracia

Esse documentário do futuro é um filme extremamente deprimente se você acompanha minimamente no noticiário. Lançado em 2006, o filme de Mike Judge conta a história de um sujeito totalmente mediano que passa por um experimento e é congelado por 500 anos, apenas para acordar em uma Terra aonde as pessoas mais burras foram muito mais bem-sucedidas que as inteligentes, e o QI médio está abaixo da temperatura ambiente. Em Plutão.

O filme tem momentos épicos prevendo coisas como vídeos de idiotas no YouTube, ou o Presidente Camacho. Idiocracia é uma distopia assustadoramente possível.

Infelizmente a 20th Century Fox não acreditou no filme, não investindo um centavo em divulgação. O filme não teve trailers, não foi exibido para a imprensa nem teve press kit. Foi lançado em apenas 135 cinemas e faturou US$444.093 com um orçamento de US$4 milhões.

Tempos depois Idiocracia foi descoberto pelo público do DVD, se tornou um filme cult e mais que se pagou.

13 – Ghostbusters 2016

Com um custo de produção e marketing somando mais de US$350 milhões, o reboot de 2016 da estimada franquia só faturou US$229 milhões em todo o mundo, mas isso não impediu Ghostbusters de se tornar um cul-nah, brincadeira, ninguém, absolutamente ninguém gostou dessa bomba. Às vezes um fracasso de bilheteria só quer dizer que o filme é ruim mesmo.

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