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União Europeia anuncia aceleração de seu programa espacial

União Europeia vai destinar orçamento para foguetes reutilizáveis e adiantar expansão do sistema de geolocalização GALILEO em três anos

29/06/2020 às 10:30

A União Europeia não pretende continuar para trás na Segunda Corrida Espacial por muito tempo: em entrevista à Reuters, Thierry Breton, comissário europeu para o Mercado Interno (que inclui desenvolvimento aeroespacial), revelou que a os planos acerca da ESA (Agência Espacial Europeia) estão sendo acelerados em pelo menos três anos.

O movimento é uma resposta europeia aos sucessos recentes da China (a conclusão do sistema BeiDou e o pouso na Lua com a Chang'e-4) e da parceria NASA/SpaceX (a cápsula Crew Dragon).

ESA / lançamento de foguete Ariane-5

Créditos: ESA

Não é novidade que boa parte da atual empolgação em torno do espaço se deve ao envolvimento da SpaceX, que sozinha definiu um novo patamar ao propor a reutilização dos foguetes e cápsulas. Com o sucesso da Crew Dragon e o endosso da NASA, que até pouco tempo atrás era completamente contra o reuso do que quer que fosse, os concorrentes de maior porte deverão começar a se coçar.

As principais concorrentes da SpaceX no espaço são a ULA, joint entre a Boeing (que também desenvolve sozinha) e a Lockheed Martin, e a Arianespace, que fornece foguetes para a ESA. A agência europeia, aliás vem tentando buscar independência total das soluções de outros países, mesmo de aliados como os Estados Unidos, de modo a prover soluções próprias para o bloco sem depender de ninguém.

O grande problema é que os europeus estão sentados em cima do Ariane V, um foguete desenvolvido em 1996, e não buscavam investir em tecnologias mais modernas; reutilização de estágios então, nem pensar. Isso levou Gwynne Shotwell, presidente da SpaceX, a basicamente chamar a Arianespace de cabide de empregos.

Do outro lado do continente, a China concluiu seu próprio sistema de geolocalização BeiDou (ou BDS), que passou a oferecer cobertura global e graças a isso, agora concorre com o americano GPS E o europeu GALILEO, o único dos quatro (incluindo o russo GLONASS) que foi desenvolvido para uso exclusivamente civil e comercial. O cronograma original previa o lançamento de novos satélites... em 2027.

Outro feito recente da China foi o da missão da sonda Chang'e-4, que levou um microbioma fechado, com ovos de bichos-da-seda para o satélite. Somando todos os achievements recentes de outros países, era de se esperar que uma hora, a União Europeia iria perceber que estava ficando para trás, o que aconteceu somente agora.

Na entrevista, Breton disse que "o espaço é um dos pontos fortes da Europa" (risos) e que por causa disso, o bloco irá pela primeira vez investir seu orçamento diretamente no desenvolvimento de tecnologias para a reutilização de foguetes, uma clara reação à SpaceX. Ao todo, serão destinados € 2 bilhões, metade para a Arianespace e o restante para a criação de um fundo de financiamento, focado em startups.

Ao mesmo tempo, o comissário (e ex-CEO da francesa Atos) revelou que o lançamento da nova geração de satélites GALILEO foi adiantada em três anos, para 2024; segundo Breton, essas unidades são "as mais modernas do mundo" e capazes de interagir com os demais sistemas, a fim de fornecer um sinal com maior precisão. Por fim, ele apontou para o lançamento de um novo sistema anti-colisão, já pensando no crescente número de satélites em órbita.

Embora a reação da União Europeia seja um pouco tardia, ainda é um cenário melhor do que certos países que possuem bases de lançamento sem internet, sem sistema de câmeras e lançam buscapés em clima nublado.

Com informações: Reuters

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