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Celular de entrada ainda é um bom negócio?

Saiba o que você deve levar em conta ao considerar a compra de um celular de entrada, com base na evolução do mercado e a alta do dólar

20/07/2020 às 11:00

Comprar um celular de entrada no Brasil ficou mais complicado. Por um lado, a a evolução do mercado trouxe recursos para as categorias inferiores que tempos atrás, eram exclusivos dos produtos premium. Por outro, isso e a alta do dólar elevaram bastante os preços, levando à maioria dos produtos decentes da categoria partirem de R$ 1 mil.

Celular bom de R$ 500? Ficou no passado.

Philco Hit PCS01 / celular de entrada

Philco Hit PCS01: decente, mas com design datado

Existem diversos argumentos em defesa de um celular de entrada em comparação a um intermediário ou premium, desde o preço a uma performance hoje mais do que usável, mas algumas verdades a respeito desses produtos precisa ser dita, em prol de evitar o velho jargão "o barato sai caro".

DISCLAIMER: Custando a partir de R$ 3.699, o iPhone SE não é aparelho de entrada e sim um dispositivo premium. Logo, ele não será levado em conta aqui.

Preço do celular de entrada

Vamos abordar direto o principal fator, o preço. É fato que um celular de entrada continue sendo muito mais barato que um aparelho premium, mas hoje em dia eles estão em uma faixa de preço muito próxima dos intermediário, que tendem a trazer uma melhor performance.

A alta do dólar, a redução na produção e importação de componentes devido à COVID-19 (redução de oferta frente à procura) e a própria evolução do mercado, que agregou mais recursos aos smartphones baratos, como telas melhores e maiores, visual com bordas mais finas (o que nem sempre acontece), mais câmeras e etc., acabaram por ter um efeito mais do que esperado no valor de venda.

Hoje um celular de entrada realmente decente não sai por menos de R$ 1 mil, e com um pouquinho mais é possível adquirir um intermediário da Motorola, LG ou Samsung, por exemplo.

Alcatel 3C em mãos / celular de entrada

Alcatel 3C: só como reserva e olhe lá

Como esstamos falando exclusivamente de aparelhos Android, é preciso cutucar o calcanhar de Aquiles do sistema, que é seu ciclo de atualizações. As fabricantes normalmente oferecem dois updates de versão para os modelos premium (o Motorola Edge+ e Edge teriam só um, a empresa mudou de ideia depois que o público reclamou) e um para intermediários; os de entrada, por sua vez recebem uma atualização ou nenhuma (linha Moto E), sendo mais comum a segunda opção.

Hoje, o usuário que opta comprar um celular de entrada tem que manter em mente que eu aparelho poderá nunca ser atualizado, e o valor dele em si nem é mais tão atrativo como no passado, o que torna os modelos intermediários mais atraentes.

Performance

Aqui as coisas variam. Eu já testei modelos simples com uma experiência geral muito boa dentro de sua proposta, enquanto outros foram um pesadelo do início ao fim. Em geral, smartphones baratos sofrem para rodar apps pesados, possuem pouca memória RAM para multitarefa, e não são as melhores plataformas para jogos em geral.

Há também recursos a menos, como NFC, reconhecimento facial, feedback háptico, suporte a redes mais novas como Bluetooth 5.0 e Wi-Fi 6 (5G é novidade até para os premium, deixemos ele de fora), certificação IP, conector USB-C (a maioria ainda usa o microUSB 2.0) e etc.

Embora muitos recursos tenham sido incluídos nos modelos mais modestos, existem vários outros que ainda não chegaram, o que acaba por limitar um pouco a experiência de quem espera algo mais.

Tela, câmeras e design

Falando primeiro da tela, poucos são os modelos que trazem displays com resolução acima de 720p, seja em proporção 16:9 ou outra. Mesmo modelos intermediários mais simples costumam usar tais componentes, logo é bem difícil encontrar um celular baratinho que seja Full HD.

A tecnologia da tela normalmente reservada para a categoria é a LCD, obviamente por ser mais barata que a OLED, esta usada nos modelos mais caros. A Samsung, por ter muita margem de corte até lança intermediários com displays AMOLED, mas seus modelos mais em conta ainda usam LCD TFT.

Moto E6 Plus / celular de entrada

Moto E6 Plus: no limite, mas sem atualizações do Android

As câmeras variam. Em geral, modelos simples trazem apenas uma na traseira e a selfie, mas é possível encontrar alguns aparelhos com um conjunto principal duplo ou até triplo, embora os fabricantes economizem na qualidade dos sensores. Embora tais câmeras sejam suficientes para o dia a dia, não são as mais indicadas para capturar momentos que o usuário deseja mesmo imortalizar em um foto. E convenhamos que hoje em dia, usuários finais tendem a abrir mão totalmente de câmeras dedicadas.

Já o design é pensado para não ser tão atraente aos olhos. Fabricantes costumam lançar tais modelos com bordas mais largas, acabamento em plástico e outras coisinhas que tornam um celular de entrada menos apelativo aos olhos, quando não feio mesmo. E ao menos no Brasil, smartphone é símbolo de status e muitos gostam de ostentar.

Um celular de entrada vale a pena?

Eu costumo ver um celular de entrada como um aparelho secundário, para situações de emergência, ou para casos onde o usuário se vê sem celular e com grana curta. O problema é que dado o atual mercado, você não vai achar um smartphone realmente decente por menos de R$ 1 mil.

O famoso "celular da vovó" também não deveria ser um pé-de-boi, idosos têm direito a produtos de qualidade e a interface diferenciada é meramente um app. Para eles, assim como para os consumidores em geral, um smartphone intermediário costuma oferecer uma melhor relação custo/benefício, com pelo menos uma atualização do Android garantida, melhores tela, câmeras e design, uma melhor performance.

E não raras são as vezes onde é possível adquirir um intermediário com um bom desconto, o que os aproxima ainda mais dos modelos de entrada, sem as limitações.

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