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Google coletou dados de apps do Android para competir com terceiros

Google teria usado acesso a dados de apps de terceiros do Android para desenvolver soluções próprias, ganhando vantagens sobre os competidores

27/07/2020 às 10:32

Outro dia, outra polêmica envolvendo o Google e o Android: segundo o site The Information, a gigante das buscas teria usado da dominância de seu sistema móvel no mercado de celulares para coletar dados de aplicativos de terceiros para um fim específico, desenvolver apps similares para garantir vantagens sobre a concorrência.

Android / Google Play Store

O vilão da semana é uma ferramenta chamada Android Lockbox, componente do Google Mobile Services criado para monitorar o uso de aplicativos pelos usuários. A princípio e segundo o Google, em resposta aos questionamentos do The Information, tal coleta de dados de uso é totalmente controlada pelo usuário, que pode permiti-la ou não, e o acesso seria feito por uma API também acessível a desenvolvedores terceiros, de modo a permitir iguais condições competitivas.

O Android Lockbox monitoraria a frequência com que os usuários abrem apps que não pertencem ao Google, por quanto os usam, como os usam e quais são suas funções. Depõe contra Mountain View, apesar de suas alegações de usar o recurso na legalidade, o fato de que como empresa dona do Android, ela possui uma visão muito maior sobre o que seus usuários consomem e fazem em seu sistema.

Note que a coleta aqui diz respeito ao uso de apps e não sobre aquisição de dados sensíveis, e em todo caso, é uma repetição do que vimos antes com o Screenwise Meter, o "olheiro" que usava certificados corporativos como o Facebook Onavo, ambos extirpados do iOS quando a Apple descobriu a tramoia.

O usuário Android por sua vez não tem escolha, visto que o Lockbox é parte integrante do sistema e vem no pacote dos Termos de Uso do sistema operacional. A descrição da opção "Uso e Diagnósticos" diz que os dados podem ajudar o Google a melhorar o SO e favorecer seus parceiros, como devs terceiros, mas o texto não entra em detalhes.

Google Play Services / Uso e Diagnósticos

A reportagem do The Information apurou a existência de um time interno do Google dedicado a rastrear tais dados, compara-los com as soluções da casa e prover alternativas para melhorar seus produtos, onde muitas vezes o resultado seria competir diretamente. Tomemos como exemplo o YouTube Shorts, um concorrente do TikTok que teria sido desenvolvido com dados obtidos via Android Lockbox.

Google e cia. enfrentam processos antitruste nos EUA

A reportagem veio à tona em um péssimo momento para o Google, visto que a companhia está sendo investigada por práticas anticompetitivas nos Estados Unidos, junto com Apple, Facebook e Amazon. A nova polêmica envolvendo o Android Lockbox se assemelha a uma das investigações direcionadas à rede social, como ter usado o Onavo para copiar de forma sistêmica o Snapchat em seus produtos, após a companhia ter rejeitado uma oferta de aquisição.

Tempos depois descobriu-se que o Google também ofereceu uma bolada pela plataforma, oferta também rejeitada, e não muito tempo depois a gigante das buscas começou a igualmente copiar recursos do Snapchat.

Ainda que as acusações não tragam nenhuma novidade, elas surgem em um momento que os reguladores norte-americanos estudam abrir um processo contra a Apple pelo mesmo motivo, usar o iOS para coletar dados de apps de terceiros e copiar recursos, e com estas novas evidências, o mesmo pode ocorrer com Mountain View.

Sundar Pichai / Google

Sundar Pichai poderá ter que explicar se o Android Lockbox é uma ferramenta anticompetitiva

A audiência marcada para ouvir os CEOs Tim Cook (Apple), Sundar Pichai (Google), Mark Zuckerberg (Facebook) e Jeff Bezos (Amazon), que deveria ocorrer nesta segunda-feira (27) foi adiada para quarta-feira (29) às 13:00, horário de Brasília; espectadores poderão acompanha-la pelo YouTube, ao vivo.

Os executivos, que poderão comparecer via videoconferência devido à pandemia da COVID-19, serão questionados acerca das inúmeras práticas anticompetitivas praticadas por suas empresas que a grosso modo, fariam delas um oligopólio nos mercados de tecnologia, serviços e comunicações.

Com informações: The Information, Ars Technica

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