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10 jogos que transformaram o Dreamcast numa lenda

Soulcalibur, Shenmue, Ikaruga... Relembre conosco alguns jogos que foram lançados para um dos mais adorados consoles de todos os tempos, o Dreamcast

18/08/2020 às 12:03

Quem nasceu depois do ano 2000 está acostumado a ver uma “guerra” entre Sony, Microsoft e Nintendo pela preferência dos gamers quando se trata de consoles, mas houve uma época em que outra gigante estava nesta disputa, a SEGA. Tendo conquistado uma legião de fãs com os seus videogames, hoje iremos falar sobre o Dreamcast, um aparelho que recebeu poucos, mas excelentes jogos.

Top 10 jogos de Dreamcast

Após ter registrado um desempenho muito fraco com o Saturn, a SEGA sabia que precisaria acertar com o seu próximo console. Para isso eles decidiram apostar em uma máquina cujo custo de produção fosse o menor possível e que não fosse tão complicado de desenvolver jogos quanto no seu antecessor.

Então, em 1997 o CEO da divisão americana da companhia, Shoichiro Irimajiri, escolheu 11 pessoas para dar início a um ambicioso projeto que contava com a colaboração da 3dfx e da Microsoft, tendo ficado conhecido internamente como Blackbelt. Porém, do outro lado do mundo uma equipe diferente aproveitava o conhecimento da NEC para também tentar criar um console, projeto este que foi batizado em homenagem a personagem da série Virtua Fighter, Dural.

A ideia de pessoas “competindo” para entregar o melhor aparelho possível podia ser interessante na teoria, mas alguns fatores acabaram atrapalhando os americanos. Um deles foi a intenção de usar uma Voodoo 2 como placa de vídeo, pois assim que a 3dfx passou a oferecer suas ações na bolsa de valores, a empresa viu-se obrigada a revelar seu contrato com a SEGA. Aquilo revoltou a porção japonesa da fabricante de consoles, fazendo com que eles rompessem o contrato e escolhessem a solução oferecida pela NEC.

O problema é que no meio desta disputa estava a Electronic Arts, uma empresa que contava com franquias muito importante, mas que não gostava da ideia de desenvolver para a arquitetura PowerVR. No entanto, a possibilidade de perder uma aliada tão poderosa não parece ter assustado os executivos japoneses e em 1998 eles renomearam o projeto como Katana.

Conforme o desenvolvimento prosseguia, eles decidiram adicionar um modem de 33.3 kbps em cada unidade — mesmo com isso encarecendo o custo do console em US$ 15. Além disso, graças a aquela proximidade com a Microsoft, optaram por utilizar uma versão customizada do Windows como sistema operacional e o DirectX como API, o que facilitaria a adaptação de jogos de PC para o console.

Por fim, graças a uma parceria com a Yamaha, eles optaram pelo GD-ROM como mídia. Embora parecesse um CD, aquele disco podia armazenar até 1 GB de dados, mas ao contrário do que a SEGA esperava, a mídia proprietária não impediu que a pirataria fosse comum no seu videogame.

Mas e quanto ao nome que seria utilizado? Para isso eles criaram uma competição, onde mais de 5 mil opções foram sugeridas. A escolha acabou sendo por Dreamcast, uma mistura das palavras Dream e Broadcast, para mostrar como aquele aparelho poderia trazer a internet para a casa das pessoas.

Ao todo, estima-se que foram gastos algo entre 50 e 80 milhões de dólares no desenvolvimento do Dreamcast, além de outros US$ 200 milhões nos jogos e mais US$ 300 milhões na divulgação. Porém, nem esta exorbitante quantia nem o fato do console ter chegado ao mercado um ano e meio antes dos concorrentes foram suficiente para garantir o seu sucesso, fazendo com que em março de 2001 a SEGA anunciasse que além de estar encerrando prematuramente o ciclo de vida do aparelho, iria deixar de participar do mercado de hardware.

Foi um melancólico fim para um videogame que estava a frente do seu tempo em diversos aspectos, mas que felizmente deixou uma biblioteca com alguns jogos espetaculares.

Shenmue

Para mim, é impossível falar sobre o Dreamcast e não lembrar imediatamente de um dos melhores jogos de todos os tempos, o Shenmue. Idealizado por Yu Suzuki, a história de vingança protagonizada por Ryo Hazuki me fascinou de uma maneira que eu nunca imaginei que seria possível e por isso ainda tenho um carinho especial por ele.

Hoje em dia o Shenmue pode não ter o mesmo impacto de quando foi lançado, mas para quem teve a oportunidade de jogá-lo naquela época, era incrível a maneira como ele funcionava como um “simulador de vida”. Trabalhar, treinar, precisar dormir ou simplesmente andar pela cidade para conversar com as pessoas ou jogar um pouco de fliperama... Coisas simples, mas que não era comum vermos em jogos.

Por ter sido tão revolucionário, não espanta a obra prima de Suzuki ter se tornado referência para muitos outros jogos que vieram depois.

Power Stone 2

Pegue diversos lutadores, coloque quatro eles para se enfrentarem em vários lugares e deixe o caos acontecer. Se isso te lembrou um série de sucesso da Nintendo, tudo bem, mas em Power Stone os confrontos aconteciam em arenas 3D (o que na minha opinião deixava tudo muito mais divertido).

O primeiro jogo foi legal, mas com o segundo a Capcom conseguiu elevar a diversão a um novo patamar, conseguindo melhorar quase tudo o que existia no antecessor. Parecia então que estava nascendo uma franquia que nos daria muitos capítulos, mas infelizmente isso não aconteceu e até hoje vemos muita gente pedindo por um Power Stone 3.

Resident Evil: Code Veronica

Lançado exclusivamente para o Dreamcast, por algum tempo o Code Veronica foi um dos jogos que mais deram orgulho a quem possuía o console. Mantendo muito do que havia transformado a série em sucesso, este capítulo ainda contava com uma novidade muito legal: cenários totalmente feitos em 3D.

Porém, a Capcom sabia que a pequena base instalada do videogame da SEGA não seria suficiente para fazer com que o título se saísse bem comercialmente e um ano depois ele acabou chegando ao PlayStation 2 e mais para frente, até no GameCube. Ainda assim, como foi bom ser dono de um Dreamcast e ter a oportunidade de jogar antes de quase todo mundo um dos melhores jogos da franquia.

Ikaruga

Um dos títulos mais conhecidos e respeitados do gênero, Ikaruga nasceu nos arcades, mas foi no Dreamcast que ele ganhou popularidade. A primeira vista aquele título podia ser considerado mais um mero Shoot 'em up, mas a maneira como ele nos colocava para alternar entre duas cores para evitarmos os disparos inimigos (e os acertarmos) era algo simplesmente genial.

Aquela mecânica conseguia adicionar uma camada de estratégia que os jogos do estilo não possuíam, fazendo com que o título seja reverenciado ainda hoje e continue tão divertido quanto antes. Felizmente esta maravilha criada pela Treasure está disponível em diversas plataformas — do PC ao PlayStation 4, passando até mesmo pelo Nintendo Switch.

Phantasy Star Online

Se lá pelos últimos anos da década de 90 alguém me dissesse que um dia eu poderia ligar meu videogame para jogar um RPG com pessoas que moravam do outro lado do mundo, eu provavelmente duvidaria da sua sanidade. Porém, foi justamente isso o que um Dreamcast conectado a internet e com uma cópia do Phantasy Star Online nos possibilitava.

Hoje em dia, jogar online é algo comum, praticamente obrigatório em muitos títulos, mas nunca esquecerei de ter que ficar acordado até de madrugada só para poder me ligar à web e assim enfrentar algumas missões ao lado de jogadores que nem sabia quem eram. Saudosismo da limitação técnica eu não tenho, mas de sentir como se eu estivesse vivendo no futuro, disso tenho sim.

Skies of Arcadia

Uma coisa temos que reconhecer: para quem gosta de RPGs, o Dreamcast não pode ser considerado uma boa plataforma, mas isso não quer dizer que ele não tenha recebido alguns bons jogos assim. E entre eles, eu não tenho a menor dúvida em apontar o Skies of Arcadia como o melhor de todos.

Nele controlamos Vyse, um pirata que a bordo do seu navio voador precisará fazer o possível para impedir que o Império Valuan destrua o mundo. Com gráficos bonitos, uma história interessante e deixando de lado alguns paradigmas dos JRPGs (batalhas por turnos, pontos de experiência, etc), trata-se de um jogo que infelizmente foi jogado por muito menos pessoas do que deveria e que precisa urgentemente de um relançamento.

Quake 3 Arena

Lembra quando falei sobre a experiência de jogar o PSO via internet? Agora imagine poder disputar frenéticas partidas de Quake 3 da mesma maneira. Pois com o saudoso videogame da SEGA isso não só era possível, como era praticamente obrigatório! Tudo bem, muitas vezes a conexão não ajudava, com o lag prejudicando consideravelmente as partidas, mas nem isso me impediu de passar um bom tempo neste FPS.

Na época eu utiliza meu Dreamcast para me dividir entre os mata-matas online dele e do Unreal Tournament e se hoje não consigo ver muita graça em jogos assim, foi muito legal poder ter um vislumbre do que só se tornaria mais comum vários anos depois.

Marvel vs Capcom 2: New Age of Heroes

Alguns poderão dizer que este nem foi o melhor jogo de luta a aparecer naquele console, título que poderia ser dado ao Garou: Mark of The Wolves, ao Capcom vs. SNK 2 ou ainda ao Street Fighter III: 3rd Strike, mas caramba, como eu me diverti com o MvC2!

Depois de ter torrado tanto dinheiro nos fliperamas, era muito bom ter a oportunidade de jogar esta maravilha no conforto da minha casa e por isso este deve ter sido um dos GDs que mais tempo ficou no meu videogame. Talvez seja por isso que ainda hoje aponto este como mais do que um dos destaques do Dreamcast e sim como um dos mais divertidos jogos de luta já criados.

Jet Set Radio

Quando o Jet Set Radio (ou Jet Grind Radio) foi lançado, ele trouxe consigo uma novidade muito interessante e que seria aproveitada por inúmeros títulos depois: gráficos no estilo cel-shading. A maneira como aquela direção artística fazia parecer estarmos vendo uma revista em quadrinho em movimento era algo muito bacana e logo o título se destacou.

No entanto, não pense no JSR como apenas uma carinha bonita. Além de contar com uma trilha sonora inesquecível, sua jogabilidade era muito divertida, funcionando como um inusitada mistura entre as séries Crazy Taxi e Tony Hawk. Curiosamente, a última vez que a série recebeu um novo capítulo foi em 2002, quando o Jet Set Radio Future foi lançado para o Xbox.

Soulcalibur

E se eu comecei a lista falando de um jogo que é praticamente sinônimo de Dreamcast, a terminarei da mesma maneira. Sendo uma continuação do Soul Blade, foi com o Soulcalibur que a série ganhou mais popularidade e um dos motivos para isso foi a maneira como ele mostrou ao mundo do que a aquela geração seria capaz.

Visualmente impecável, ver aqueles lutadores se movendo pela tela era uma experiência impressionante e por isso até quem não gostava muito de jogos de luta resolvia dar uma chance a ele. É claro que se colocado ao lado dos capítulos mais recentes, o Soulcalibur pode não parecer nada demais, mas mesmo com toda a tecnologia atual, nenhum deles conseguiu causar o mesmo impacto que aquelas batalhas com armas brancas causaram ao chegar no Dreamcast.

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