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Termômetros de testa causam câncer? Descubra a verdade!

Termômetros não dão câncer, não importa o que sua corrente de zapzap diga, mas não confie na gente, leia e entenda o porquê dessa corrente ser furada

13/09/2020 às 2:16

TL;DR: Não, termômetro não causa câncer, isso é uma fake news extremamente idiota, mas como bom leitor do MeioBit você não deve se contentar com minha palavra. Vamos então entender como essa fake News é uma bobagem, mas para isso temos que aprender alguns conceitos fundamentais do Universo.

Crédito: Carlos Cardoso / Pixabay

Você com certeza já viu matérias descrevendo as características de corpos celestes, como massa, diâmetro e temperatura, mas como os astrônomos conseguem medir a temperatura de um planeta, sem espetar termômetros em Urano, o que seria inviável, além da piada não funcionar em português?

Esse tipo de medição é possível porque você treme. Todo mundo treme. A menos que você esteja num ambiente em zero absoluto seus átomos estão vibrando, e essa excitação (epa!) faz com que de vez em quando eles emitam um fóton.

Quanto mais energia mais os átomos vibram, e mais fótons com mais energia eles emitem. A isso chamamos temperatura, e nem é um conceito muito difícil de entender. Coisas muito quentes brilham, emitem luz. Vemos isso em churrasqueiras, vulcões e no Desafio Sob Fogo.

Não encosta que tá quente. (crédito:  photochur / Pixabay)

Note, cor é diferente de temperatura, sua parede ser branca não quer dizer que ela tenha a mesma temperatura do Sol. Estamos falando de energia eletromagnética emitida, não refletida.

Entra aqui um conceito chamado “Radiação de corpo negro”, no qual um objeto não-reflexivo, absorvendo 100% da energia que o atinge está em equilíbrio térmico com o ambiente. Esse objeto ideal emite radiação eletromagnética em uma gama de frequências específicas e conhecidas.

Com base nesse “ideal”, é possível estudar objetos reais e medir suas emissões. Através de algoritmos bem chatinhos e complicados é possível deduzir com excelente precisão a temperatura de um planeta ou galáxia distante, com base na radiação emitida por eles, levando em conta energia refletida, temperatura ambiente, etc.

Quando um objeto é aquecido a uma temperatura muito alta ele emite luz visível, mas nas temperaturas normais na Terra a maior parte das emissões é na faixa do infravermelho, por isso não vemos objetos do dia-a-dia brilhando, mas uma simples câmera térmica abre esse mundo invisível para nós.

Imagem térmica, note como as mãos e rosto são mais quentes e a câmera é fria. (Crédito: libreshot)

Nos Anos 80 uma empresa chamada Diatek adaptou os algoritmos do Jet Propulsion Lab da NASA para medir a emissão infravermelha do tímpano de bebês. É um ambiente ideal, um orifício escuro, sem contaminação externa, toda a energia captada pelo sensor viria do tímpano ou dos tecidos em volta.

O termômetro auricular foi e continua sendo um sucesso. Mais tarde novos algoritmos permitiram a criação dos termômetros infravermelhos como o que está sendo usado em todo canto por causa do COVID-19. Ele funciona com o mesmo princípio, mede a emissão de radiação eletromagnética na faixa do infravermelho, levando em conta a emissividade da pele humana, a faixa de temperatura possível para humanos, etc, etc.

Joga câncer nela! (crédito: ExergenCorporation /Pixabay)

Esse tipo de termômetro, principalmente os mais baratos não é tão preciso quando o auricular, mas usado direito é bom o  bastante para dar uma base, mas se tem uma coisa que esse termômetro não faz é causar câncer.

O motivo é muito simples: Ele não EMITE nada. Não existe nenhum “raio infravermelho” saindo dos termômetros, quem está emitindo é você, ou seja: Se “raio infravermelho” causasse câncer você estaria passando câncer pro termômetro, coitado.

Ele tem um sensor passivo (ui!) que capta as SUAS emissões, ter medo do termômetro faz tanto sentido quanto os índios que tinham medo que câmeras fotográficas fossem roubar suas almas.

E sim, alguns termômetros mais caros usam um laser, mas primeiro, nem infravermelho é, é um laser na faixa visível, em geral com potência de 5mw e absolutamente inofensivo. Sua única função é ajudar o usuário a mirar corretamente os termômetros.

Não esse tipo de laser. (crédito: Erik Stein / Pixabay)

Mesmo que o termômetro emitisse alguma coisa (não emite) a glândula Pienal fica na base do cérebro, você precisaria da visão de calor do Super-Homem para chegar até ela, tumores na Glândula Pienal são tratados via radiocirurgia, usando um equipamento chamado Faca Gama, quem dera radiação infravermelha penetrasse tanto.

Em resumo: Temos uma mentira, uma lenda urbana fora de controle, aonde as pessoas estão usando erroneamente o termômetro, apontando para o pulso ao invés da testa, por os malignos raios infravermelhos cancerosos penetram fundo no crânio, mas por algum motivo não dão “câncer de pulso” nas pessoas.

Há gente recusando a medição na testa, e vários lugares nem tentam mais para evitar stress. O que isso causa? A temperatura no pulso é diferente da testa, o termômetro dá um resultado impreciso. As pessoas se sentem validadas, e daí pra descobrirem e defenderem outra cloroquina, é um pulo.

Tranqilo, tranqilo. (crédito: ExergenCorporation / Pixabay)

Há muita desinformação no mundo, tudo é motivo para pânico. Soube de uma leitora com câncer (não por culpa de termômetro) que os vizinhos não deixam os filhos chegarem perto com medo de ser... contagioso.

Vivemos tempos obscuros, e não é de hoje. Brasileiro odeia ciência, mas adora uma benzedeira, uma simpatia, um bom horóscopo pela manhã e uma corrente de zapzap alertando contra um termômetro que é usado desde os Anos 80, bilhões de vezes por dia mas agora magicamente “dá câncer”.

Incrível. Tudo que ela disse está errado. (Crédito: Reprodução Facebook)

Se alguém te apontar um termômetro e for no Rio de Janeiro, entregue o celular, é assalto, mas se não for o caso, e apontarem para seu pulso, corrija a pessoa e peça para medir corretamente, na sua testa.

É um gesto simbólico, uma forma de dizer “Eu acredito na Ciência e não em correntes de whatsapp”. Temos que dar um basta, temos que valorizar mais a Ciência, e a melhor forma de fazer isso é entendendo como ela funciona, e rápido pois ninguém mais senão a Ciência vai tirar a gente de mais essa enrascada.

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