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Novas Séries: Mais um Stargate e RoboCop sem RoboCop

Stargate e RoboCop vêm aí! Duas séries estão em estágio inicial de preparação mas com um plot twist: RoboCop virá sem o... RoboCop

14/09/2020 às 17:49

Muito se fala de uma epidemia de remakes, mas desta vez as notícias são boas. Dois universos muito queridos pelos fãs não serão rebotados, mas expandidos: Stargate e RoboCop.

Crédito: MGM/Divulgação

Remakes e Reboots são uma necessidade da vida. Os gostos e expectativas da sociedade mudam com o passar do tempo. Cosmos, de Carl Sagan é magnífico, mas um jovem™ moderno acharia chatíssimo, o ritmo é extremamente lento pra geração multitarefa que tuita, assiste TV, joga Fortnite e faz prova de geometria ao mesmo tempo.

Nota: Remake e Reboot não são sinônimos. Um remake tenta contar a mesma história, atualizando o texto e as situações. O ótimo Endiabrado (Bedazzled – 2000), com Brendan Fraser e Elizabeth Hurley é um remake do filme britânico de mesmo nome de 1967.

Na versão original o diabo era homem, a história se passava em Londres, e havia a mesma subtrama do personagem inseguro que queria se declarar para uma moça. O remake manteve toda a essência, apenas trocando o sexo do diabo, o que além de ficar excelente me permitiu usar esta imagem absolutamente gratuita:

Essa mulher é o capeta (Crédito: 20th Century Studios - Divulgação)

Já um reboot atualiza mais que as situações. O reboot de 2011 de Thundercats mostrou os heróis sob uma perspectiva completamente diferente, aonde os felinos eram os opressores das outras espécies, e Lion apenas via tudo pelas lentes rosadas de dentro do Palácio Real.

Talvez o melhor exemplo de reboot seja Battlestar Galactica, que começou como um kibe de Star Wars e d'O Livro de Mórmon (sério) mas tinha potencial suficiente para criar um grupo de fãs leais. O reboot expandiu toda a mitologia da série, e os humanos deixaram de ser heróis em vários momentos.

Na notícia de hoje temos duas séries que se encaixam no meio.

1. Stargate

A primeira é Stargate. Lançado em 1994, o filme de Dean Devlin e Roland Emmerich fez relativo sucesso, mas foi esquecido rapidamente, com continuações canceladas, mas havia potencial ali e depois de muito bater porta os criadores conseguiram vender Stargate SG-1 para o canal Showtime.

O mais bizarro da história é que o Showtime é um canal “adulto”, e os produtores receberam ordem de incluir cenas “quentes”. Obviamente eles não queriam, mas foi o jeito de vender aos executivos o piloto, por isso SG-1 é provavelmente a única série de ficção científica da História que em seu primeiro episódio tem cenas de nu frontal.

Esses Goaul'd é tudo cobra-criada (crédito: Showtime)

Depois disso nenhuma cena mais quente foi incluída nos outros episódios, mas os produtores já podiam demonstrar aos executivos que Stargate mantinha o primeiro lugar de audiência sem ficar mostrando a Naqada das moças gratuitamente.

Depois disso foram mais duas séries Atlantis e Universe, uma série animada que a gente prefere não falar sobre e uma websérie, Stargate Origins que definitivamente é melhor não comentar.

Brad Bird, produtor-executivo de SG-1, entre outras séries da franquia, está preparando uma proposta para a MGM de uma nova série no mesmo universo. Isso foi noticiado ano passado, mas agora Joseph Mallozzi, roteirista e produtor da franquia disse com todas as letras: “Nunca estivemos tão perto de um quarto seriado de Stargate”.  Segundo ele “5 dos 7 chevrons já estão travados”.

Stargate Universe (Crédito: MGM - Divulgação)

Pelo que já sabemos: A nova série se passará no mesmo universo, vários rostos familiares aparecerão, será uma série, não uma mini ou telefilme e várias perguntas serão respondidas, incluindo o destino da Destiny, a nave de Stargate Universe que zarpou rumo ao desconhecido no apressado episódio final da série, cancelada antes do tempo.

De minha parte, meu corpo está pronto. Sinto falta de vilões exagerados e... vilanescos como os Goa’ulds.

2. RoboCop

O filme de Paul Paul Verhoeven, lançado em 1987, ajudou a definir os Anos 80. Sua linguagem de ultraviolência, crítica social calcada no exagero e todo trabalhado em absolutos, aonde mocinhos são mocinhos e bandidos são bandidos tornaram RoboCop quase um arquétipo.

RoboCop is not Amused (Crédito: Alan Markfield - Orion Pictures)

Como todo bom filme é possível fazer várias leituras, desde um robô dando porrada em bandido a longas discussões sobre o que significa ser humano, e o quando você pode tirar de um homem antes que ele perca sua humanidade.

RoboCop rendeu vários filmes, duas séries de TV que ninguém lembra, dois desenhos animados e um remake em 2014, aonde misteriosamente ninguém entendeu como um diretor que odeia polícia não fez um bom filme sobre um robô policial, sim estou apontando pra você José Padilha.

A novidade é que Ed Neumeier, roteirista do filme original disse que está criando uma série no mesmo universo, o que a princípio soa estranho. Hollywood pegou horror a tudo que se refira a polícia, policiais nos EUA agora são vilões, um personagem como RoboCop, que adora mandar chumbo em vagabundo definitivamente não se enquadra na visão politicamente correta.

A solução? Removam o RoboCop.

Sério, a série vai ser RoboCop, sem RoboCop. O foco vai ser no personagem que ninguém, absolutamente ninguém se importa: Dick Jones, o SVP da OCP.

Veja bem, nada contra um bom e velho empresário vilão, os melhores Lex Luthors são quando ele é vilão na canetada, não roubando tortas. A melhor coisa da série do Demolidor na Netflix foi o Rei, Wilson Fisk ficou muito mais assustador do que na versão flamboyant do cinema.

O problema é que hoje em dia as plateias mais novas não gostam nem entendem sutileza, não aceitam que a gente possa gostar de um vilão. Cada vez que falo que adoro o Hans Landa de Bastardos Inglórios aparece um millenial pra me chamar de nazista.

Dick Jones é um mané! (Crédito: Orion Pictures - divulgação)

Principalmente, Dick Jones é um babaca, ele foi mostrado como um carreirista inescrupuloso, e morreu assim. Dick Jones não teve redenção, é como se fizessem um filme sobre Anakin Skywalker e acabasse na morte dos younglings.

NESSE não boto fé. A graça de RoboCop é o RoboCop, seu drama existencial, as cenas de ação e o eventual Tiro Ao Pinto (VNSFW, CUIDADO, não clique!). Se tirar o RoboCop, a série vai virar uma espécie de Gotham, mas sem os vilões.

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