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China considera impedir compra da ARM pela nVidia

Imprensa estatal vê compra da ARM pela nVidia como ameaça a empresas locais; aquisição precisa ser aprovada por EUA, China, UE e Reino Unido

21/09/2020 às 9:13

A China estaria pronta para fazer um novo ataque na guerra comercial contra os Estados Unidos: o alvo seria a compra da ARM, divisão britânica de semicondutores responsável pelo design dos chips de celulares e outros dispositivos, pela norte-americana nVidia, fabricante especializada em processadores gráficos (GPUs).

JHVEPhoto / Getty Images / sede da nVidia em Santa Clara (detalhe) / China

Créditos: JHVEPhoto / Getty Images

A proposta de compra da ARM, feita pela nVidia ao Grupo SoftBank foi orçado em US$ 40 bilhões, mas o processo de regulamentação é tudo menos rápido. Como a fabricante de placas gráficas e a divisão de chips atuam no mesmo mercado, há a preocupação legítima de que a ARM perca sua independência e se torne uma divisão fechada, o que colocaria em risco os negócios de inúmeras companhias, em diversos setores.

A notícia não foi recebida de forma amigável por todo mundo: Hermann Hauser, co-fundador da ARM, expressou preocupação quanto ao acordo de cooperação da divisão com a Universidade de Cambridge (a nVidia se comprometeu a mantê-lo, mas as coisas podem mudar), sem contar que ele também foi contra a aquisição da mesma pelo SoftBank, em 2016. Nas suas palavras, a compra é "um absoluto desastre" para o Reino Unido.

Independente de observadores externos serem contra ou a favor, a compra da ARM pela nVidia precisa ser aprovada pelas comissões antitruste dos Estados Unidos, Reino Unido, União Europeia e China para ser considerada válida (não por uma ou duas, mas por todas as quatro, ou nada feito), um processo que costuma levar até 18 meses.

No entanto, há indícios de que Pequim irá barrar a compra.

Processador ARM / China

Crédito: ARM

Na última terça-feira (15), o site estatal chinês Global Times publicou um editorial alegando que a compra pela nVidia representa um sério perigo para as companhias de tecnologia locais, que dependem  dos designs dos chips ARM em seus produtos.

No artigo, o site diz que "se a ARM cair nas mãos dos EUA, companhias de tecnologia chinesas poderão ser colocadas em uma posição de séria desvantagem no mercado". É uma preocupação válida, considerando a possibilidade da Casa Branca tratar a divisão de chips como um setor estratégico.

Como a compra pela nVidia transformaria a ARM em uma empresa americana, o governo teria disposições legais para bloquear o acesso a seus designs por empresas da China, como extensão dos atuais bloqueios por conta da guerra comercial entre os dois países.

Indo mais longe, a ARM poderia ser inclusive barrada de licenciar sua arquitetura para outros mercados, empresas e instituições, e isso poderia incluir até mesmo Cambridge, por mais que a nVidia diga o contrário.

Oficialmente, o governo chinês não teceu nenhum comentário quanto o processo de aquisição da ARM, mas é consenso que as notas publicadas pelo Global Times sinalizam o estado de espírito de Pequim; o tom do texto dá a entender que o governo estaria disposto a barrar a aquisição pela nVidia.

Vale lembrar que isso já aconteceu antes: em 2018, o governo chinês bloqueou o processo de aquisição da fabricante holandesa de processadores NXP pela Qualcomm, um acordo avaliado em US$ 44 bilhões, mais do que a nVidia está disposta a pagar pela ARM.

Fontes: Global Times, CNN

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