Meio Bit » Mobile » Motorola Moto G9 Plus: "bom e barato" ficou no passado — Review

Motorola Moto G9 Plus: "bom e barato" ficou no passado — Review

Motorola Moto G9 Plus é um intermediário com boa performance e duração de bateria, mas preço sugerido o torna menos que o ideal

22/09/2020 às 9:41

O Moto G9 Plus é novo celular de ponta da clássica linha intermediária da Motorola. Equipado com um processador Snapdragon 730G, 4 GB de memória RAM e uma bateria de 5.000 mAh, ele é um aparelho potente e robusto para as tarefas cotidianas, reprodução de vídeos e encara até jogos pesados, com uma boa autonomia de uso.

Como nem tudo é perfeito, seu preço sugerido de R$ 2.499 destoa completamente da linha Moto G, aparelhos com histórico de serem decentes e acessíveis.

Motorola / Moto G9 Plus

Créditos: Ronaldo Gogoni / Meio Bit

O Moto G9 Plus vale o que custa? Eu o testei por duas semanas e conto o que achei dele a seguir.

Nota de transparência

Desde 2004, o Meio Bit sempre publicou análises opinativas com o intuito de ajudar os leitores a tomarem sua própria decisão de compra, seja de um gadget, um game ou um serviço/software/app.

Nós sempre fomos francos em nossas opiniões e destacamos pontos positivos e negativos dos produtos de igual maneira, não importando a natureza dos mesmos, como forma de manter a integridade e transparência do site.

Dessa forma, ninguém externo à redação do Meio Bit teve acesso a este texto de forma antecipada, bem como não houve qualquer tipo de interferência ou direcionamento da Motorola, ou de terceiros, em relação ao seu conteúdo.

O Moto G9 Plus foi fornecido pela Motorola em caráter de empréstimo e será devolvido à empresa.

Design

O Moto G9 Plus se assemelha bastante aos aparelhos da família Moto G8, mas traz algumas características de seus "primos" da linha Motorola One, especificamente na apresentação das câmeras. Ele traz o "dominó" que acomoda as câmeras traseiras, enquanto a selfie é acomodada no notch em forma de furo na tela, ao invés do de gota, presente nos demais modelos.

O design com efeito metalizado na traseira passa um ar de produto premium, embora atraia marcas de dedos, o que é contornado pela capinha de silicone, adicionada no kit. Porém, as maiores mudanças estão nos botões.

Do lado direito há os controles de volume e o Liga/Desliga, sendo que este acumula também a função de leitor de digitais; além de desbloquear a tela, ele permite acionar atalhos rápidos com dois toques.

Motorola / Moto G9 Plus

Créditos: Ronaldo Gogoni / Meio Bit

Motorola / Moto G9 Plus

Créditos: Ronaldo Gogoni / Meio Bit

Já do lado esquerdo há um botão dedicado à Google Assistente, uma decisão um tanto questionável se considerarmos que ela pode ser acionada por voz; acionamentos acidentais se tornarão mais comuns, e eu particularmente não acho esse botão tão útil.

Na minha opinião, o espaço interno poderia ser melhor ocupado com uma bandeja de cartões completa, com dois slots SIM e um dedicado ao cartão de memória, ao invés da bandeja híbrida presente.

Tela e som

O Moto G9 Plus traz um display LCD de 6,8 polegadas, com proporção 20:9 e resolução Full HD+ (2.400 x 1.080 pixels). Esta é, como dito corretamente pela Motorola, a maior tela já equipada em um celular da linha Moto G, com bordas finas e ótima definição de cores.

A decisão de equipar uma tela tão grande cobra seu preço e ela, aliada ao circuito interno de carregamento ultrarrápido, deixaram o aparelho grande e pesado. São 17 cm de altura e 223 g, maior e mais gordinho que o Motorola One Hyper.

Motorola / Moto G9 Plus

Créditos: Ronaldo Gogoni / Meio Bit

Embora eu prefira aparelhos com telas grandes, usar o Moto G9 Plus com uma mão só é complicado mesmo para meu caso particular, que tenho mãos grandes e dedos longos, e talvez nem todo mundo se sinta confortável. Por outro lado, o display traz pela primeira vez certificação HDR10, provendo maior qualidade na reprodução de vídeos.

O som, por sua vez é bem simples, o alto-falante único na parte inferior é alto e nítido em volumes medianos, com leve distorção nos mais altos e sem definição de graves e agudos. Como sempre, prefira usar caixas de som ou fones de ouvido, sejam Bluetooth ou com cabo, já que o Moto G9 Plus manteve a porta P2 em seu lugar.

Software

O Moto G9 Plus roda Android 10 quase puro, com as tradicionais customizações pontuais da  Motorola; temos as Moto Ações, as funções de alerta do Moto Tela, os gestos clássicos para abertura do app de câmera e acionamento da lanterna, e o Moto Gametime, que desliga as notificações ao rodar jogos.

Em termos de usabilidade, as modificações da Motorola continuam melhores do que a experiência de um Android completamente puro, mas isso é uma gosto.

Motorola / Moto G9 Plus

Créditos: Ronaldo Gogoni / Meio Bit

O ponto negativo, como sempre é o pós-vida: assim como acontece com todos os aparelhos das linhas Moto G e Motorola One, o Moto G9 Plus receberá apenas uma atualização de software para o Android 11, e tão somente.

Hardware, desempenho e autonomia

Processador Qualcomm Snapdragon 730G, octa-core com clock de até 2,2 GHz, 4 GB de RAM e 128 GB de espaço interno, expansível via cartões microSD de até 512 GB. O chip em particular é uma versão mais parruda do Snapdragon 730, com overclock na GPU Adreno 618 e otimizações para o público gamer.

A ideia do 730G é oferecer uma performance superior em jogos, o que de fato foi atestado aqui. Mesmo títulos pesados, como Asphalt 9: Legends e Call of Duty Mobile, rodaram sem nenhum tipo de comprometimento.

Já jogos que exibem muitos elementos na tela ao mesmo tempo, por exemplo shoot 'em ups como Azur Lane, foram executados sem nenhum slowdown.

Motorola / Moto G9 Plus

Créditos: Ronaldo Gogoni / Meio Bit

A bateria, com 5.000 mAh também impressiona. Em meus testes, eu tirei o Moto G9 Plus da tomada às 9:00 e rodei 2 horas de Netflix, 2 horas de Deezer, 1 hora de jogos (Asphalt 9: Legends e Azur Lane, 30 minutos cada) e usei o aparelho para navegar e acessar redes sociais, sempre no 4G ou Wi-Fi e com o brilho no automático.

Às 19:00 a bateria marcava 49%, provando que o aparelho é capaz de resistir a até dois dias de uso normal a moderado.

O carregamento ultrarrápido, fornecido pelo carregador de 30 W é outro ponto positivo. Embora não tão rápido quanto o de 45 W do Motorola One Hyper, ele é bem veloz. Com o aparelho desligado e totalmente descarregado, ele levou 4 minutos para ir de 0 a 1%, e estas foram as marcas seguintes:

  • 5 minutos: 3%;
  • 20 minutos: 29%;
  • 45 minutos: 62%;
  • 60 minutos: 77%.

Em média, o Moto G9 Plus leva 1 hora e 15 minutos para injetar uma carga completa, o que é uma excelente marca; como dito antes, o peso do aparelho é explicado pela bateria avantajada e o circuito de carregamento especial.

Câmeras

O kit traseiro conta com quatro sensores: um Wide de 64 megapixels e abertura f/1,8, um Ultrawide de 8 MP e f/2,2, um Macro de 2 MP e f/2,2 e um de profundidade, também com 2 MP e f/2,2.

A câmera principal usa o recurso Quad Pixel para combinar quatro pixels em um, entregando fotos de 16 MP por padrão.

Motorola / Moto G9 Plus

Créditos: Ronaldo Gogoni / Meio Bit

O kit não é muito diferente das câmeras normalmente usadas nos aparelhos da linha Moto G: ainda com uma tendência a tirar fotos escuras, mas que entregam bons resultados em situações ideais de iluminação, como ao ar livre em dias de Sol.

As fotos do sensor Wide trazem boa quantidade de detalhes, com alguma perda de definição nas bordas, e o modo Noturno é bom, embora nada muito genial; já a Ultrawide é um pouco menos sensível mas ainda é capaz de capturar boas imagens.

Ronaldo Gogoni / Meio Bit

Clique aqui para a imagem original (Créditos: Ronaldo Gogoni / Meio Bit)

Ronaldo Gogoni / Meio Bit

Créditos: Ronaldo Gogoni / Meio Bit

A câmera Macro, mais uma vez com apenas 2 MP e f/2,2, é muito fraca para capturar elementos próximos com detalhes. A baixa resolução do sensor manda a qualidade das fotos para o beleléu, por mais que o usuário se esforce.

O sensor de profundidade, no entanto, é o suficiente para permitir a captura de imagens em Modo Retrato com certa qualidade.

Ronaldo Gogoni / Meio Bit

Créditos: Ronaldo Gogoni / Meio Bit

A câmera selfie, com 16 MP e abertura f/2,0 segua a receita de bolo, sendo básica e não faz muitas firulas. Como de praxe, os resultados dependem da iluminação ambiente e em situações com muita luz, é possível captar uma quantidade razoável de detalhes.

Considerando o preço sugerido, eu acredito que o Moto G9 Plus deveria trazer o mesmo sensor de 32 MP presente no Motorola One Hyper, mas paciência.

Ronaldo Gogoni / Meio Bit

Créditos: Ronaldo Gogoni / Meio Bit

Conclusão

O Motorola Moto G9 Plus é um celular que corrige as gafes do Moto G8 Plus, Moto G8 Power e Moto G8, onde todos compartilhavam do mesmo kit interno (Snapdragon 665, 4 GB de RAM e 64 GB de espaço interno) e dos mesmos problemas de performance irregular. Aqui tudo roda bem, sem nenhum problema.

As câmeras são razoáveis, a tela é enorme e muito boa, e a bateria permite o uso por até dois dias, aliado a um carregamento ultrarrápido muito satisfatório.

Como ponto negativo é um aparelho grandalhão e pesado, que pode não ser ideal para pessoas com mãos menores, principalmente mulheres (cartas para Darwin).

Motorola / Moto G9 Plus

Créditos: Ronaldo Gogoni / Meio Bit

E então chegamos ao preço. Por R$ 2.499, o Moto G9 Plus não é nem de longe "bom e barato" como nos bons tempos da linha Moto G, e está mais para um Motorola One com nome trocado. Fica evidente que a Motorola está mirando em concorrentes intermediários premium, como o Samsung Galaxy A71 e o LG Velvet.

Ironicamente, sua principal vantagem frente aos dois rivais é o preço: o celular da LG chegou por salgados R$ 4.299, enquanto o Galaxy A71 possui preço sugerido de R$ 3.199; este, no entanto já pode ser adquirido por cerca de R$ 2 mil.

Caso os aparelhos da Samsung e Motorola fiquem com valores equiparados, o Moto G9 Plus leva vantagem por ter mais bateria (5.000 mAh contra 4.500 mAh), enquanto ambos são equivalentes em performance; hoje, entretanto, o Galaxy A71 é uma escolha mais interessante por ser menos caro.

Motorola Moto G9 Plus — Ficha Técnica

  • Processador: SoC Qualcomm Snapdragon 730G, octa-core Kryo 470 com 2 núcleos Gold de 2,2 GHz e 6 Silver de 1,8 GHz;
  • GPU: Adreno 618;
  • Memória RAM: 4 GB;
  • Armazenamento interno: 128 GB;
  • Armazenamento externo: expansível via cartão microSD de até 512 GB;
  • Tela: LCD IPS de 6,8 polegadas com proporção 20:9 e resolução de 2.400 x 1.080 pixels (386 ppi), com notch em forma de furo;
  • Câmera traseira: Conjunto quádruplo:
    • Principal (Wide): 64 megapixels, abertura f/1,8;
    • Ultrawide: 8 megapixels, abertura f/2,2;
    • Macro: 2 megapixels, abertura f/2,2;
    • Profundidade: 2 megapixels, abertura f/2,2;
    • Flash LED, autofoco com detecção de fase, giroscópio, grava vídeos em 4K a 30 fps ou 1080p a até 120 fps;
  • Câmera selfie: 16 megapixels, abertura f/2,0, grava vídeos em 1080p a 30 fps;
  • Sensores: Proximidade, acelerômetro, giroscópio, bússola, barômetro, leitor de digitais no botão Liga/Desliga;
  • Conectividade: 4G Dual-SIM (bandeja híbrida), Wi-Fi 802.11ac, Bluetooth 5.0, AD2P, BLE, NFC, A-GPS, GLONASS, GALILEO, LTEPP, SUPL;
  • Bateria: 5.000 mAh, com suporte a carregamento ultrarrápido de 30 W;
  • Portas: USB 2.0 Type-C e P2 para fone de ouvido;
  • Sistema operacional: Android 10;
  • Dimensões: 170 x 78,1 x 9,7 mm;
  • Peso: 223 g;
  • Cor: Azul Índigo, Ouro Rosê.

Pontos fortes:

  • Tela com suporte a HDR10 e ótima reprodução de cores;
  • Performance excelente, mesmo em jogos pesados;
  • Carregamento ultrarrápido é sempre bem-vindo.

Pontos fracos:

  • O preço;
  • Grande e pesado, o que pode não agradar todo mundo.

Leia mais sobre: , .

relacionados


Comentários