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2 milhões de pessoas ainda alugam DVDs na Netflix

Acredite, a Netflix ainda tem milhões de usuários recebendo pelo correio discos com seus filmes e séries preferidas, e isso não vai acabar tão cedo

27/09/2020 às 18:24

Gostamos de achar que tecnologias mais modernas enterram definitivamente as antigas, mas o futuro não é igualmente distribuído. Por causa disso mesmo nos Estados Unidos temos um fenômeno fascinante: Gente ainda usando o serviço de DVDs da Netflix e gente usando... linha discada.

Crédito: Jorge Gryntysz - Pixabay

A Netflix surgiu em 1997 como uma locadora virtual. A grande sacada de Reed Hastings e Marc Randolph foi apostar em um novo formato, o DVD. O conceito começou como locação, mas logo mudaram para o modelo de assinatura, aonde você paga um valor fixo, e assiste quantos filmes quiser.

De acordo com o valor, você pode ter mais ou menos discos ao mesmo tempo. Ou seja: Pode pegar quantos quiser, mas só um determinado número de cada vez. Sem prazo pra devolver, sem taxa de atraso.

Devolver também é simples, você recebe o DVD pelo correio, junto com um envelope pré-pago, depois de assistir coloca o disco no envelope, lacra (no bom sentido) e bota no correio. A diferença é que nos Estados Unidos você pode postar o envelope apenas deixando na sua caixa de correio, o carteiro cuida do resto.

A única coisa mais prática que isso é o streaming, que a Netflix começou em 2007, e só vem aumentando, mas mesmo assim dois milhões de pessoas ainda assinam o serviço de DVDs. POR QUÊ????

Os velhos DVDs da Netflix. (Crédito: Joe - Flickr - CC BY 2.0)

A pergunta fica mais complexa quando descobrimos que pelo menos um milhão de usuários de Internet nos Estados Unidos se conecta via linha discada. Isso é uma mistura de falta de infraestrutura nas zonas rurais e no alto custo de banda larga.

Nos EUA o preço médio pago por banda larga é de US$60/mês. (R$333,68 em valores de 9/2020). Não é muito se você é personagem de sitcom, vivendo em um apartamento de andar inteiro em NY com salário de garçonete, mas no mundo real nem todo mundo pode arcar com esse valor.

Muito menos em zonais rurais, aonde os salários são menores e os custos de conexão são maiores. O resultado é que as pessoas acessam menos e acessam pouco. Quem tem que cuidar da lavoura não tem tempo de ficar vagabundeando no Instagram. Com planos na faixa de US$10/mês e alguns provedores de acesso discado oferecendo planos gratuitos para as primeiras 10h de uso, dial up acaba sendo a opção de muita gente.

Os usuários da Netflix por sua vez continuam adeptos dos DVDs pelo correio por motivos bem simples: Alguns não possuem banda larga, outros não ficam satisfeitos com o catálogo online, que é bem menor do que a gente imagina. Mais ainda: Filmes não são removidos do catálogo em mídia física.

A Netflix por sua vez está desesperada, a estrutura pra manter o envio de DVDs é caríssima. Eles já tentaram se livrar da divisão de mídia física, mas não conseguiram. A estratégia agora é reduzir os lançamentos, pra tentar convencer os usuários a abandonar os discos.

O curioso disso tudo é que enquanto parte dos Estados Unidos não conseguem abandonar a mídia física da Netflix, o Brasil simplesmente pulou essa fase. Principalmente por causa da ineficiência do Correio, ter que ir até uma agência ou localizar uma caixa de coleta nega toda a vantagem do modelo da Netflix.

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