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Cientistas identificam 24 exoplanetas "superhabitáveis"

Time de astrobiólogos identifica grupo de exoplanetas que demonstram condições favoráveis à vida melhores do que as da Terra

12/10/2020 às 10:30

Encontrar exoplanetas tem se tornado uma tarefa mais corriqueira nos últimos anos, dado o avanço de nossas técnicas e equipamentos para vasculhar o espaço; na última década, cientistas catalogaram centenas deles, com vários situados na zona ideal para suportar vida.

A mais recente novidade, publicada por um trio de astrobiólogos adiciona mais 24 exoplanetas à conta, com uma particularidade interessante: eles seriam "superhabitáveis", ou seja, demonstram condições para sustentar a vida melhores do que as encontradas na Terra.

NASA Ames / SETI Institute / JPL-Caltech /renderização de exoplaneta / exoplanetas

Créditos: NASA / SETI / JPL

O artigo (cuidado, PDF) foi publicado por uma equipe de pesquisadores da Universidade do Estado de Washington, liderada pelo prof. dr. Dirk Schulze-Makuch; eles identifiaram duas dúzias de exoplanetas que diferem um pouco dos tradicionais divulgados por agências e mídia, quando falamos de mundos habitáveis.

No geral, as descobertas se concentram em planetas parecidos com a Terra, numa órbita ao redor de uma estrala situada na "região dos Cachinhos Dourados", perto o bastante para ter água em estado líquido e temperaturas favoráveis.

Os planetas "superhabitáveis" não são mundos onde um terráqueo chegaria e viraria o Superman, mas ao invés disso, eles apresentam condições favoráveis ao surgimento e manutenção de vida superiores às originais daqui, o que poderia inclusive permitir o desenvolvimento de vida complexa.

Outro ponto a favor dos exoplanetas "superhabitáveis" diz respeito à sua massa: os cientistas se concentraram em encontrar mundos rochosos com pelo menos 1,5 vezes o tamanho da Terra, o que sugere a formação de uma atmosfera densa e maior área de ocupação.

O terceiro fator, e o mais importante é a estrela que orbitam. Nosso Sol por exemplo tem cerca de 4,5 bilhões de anos de idade, e daqui a aproximadamente 6,5 bilhões de anos irá se tornar uma gigante vermelha. Mesmo isso sendo muito tempo, ele é considerado uma estrela de "vida curta" na escala cósmica.

Uma estrela de classe G como o Sol tende a se extinguir antes de que os planetas que a orbitem desenvolvam vida, no entanto, uma estrela de classe K, também chamadas de anãs laranjas, devem ser segundo o estudo as preferidas nas buscas: embora menores, menos brilhantes e mais frias, possuem uma vida média entre 20 e 70 bilhões de anos.

Como esperado, o estudo não considerou planetas que orbitam gigantes vermelhas, dada a instabilidade dessas estrelas: mundos próximos seriam constantemente bombardeados pelas explosões solares, o que inviabilizaria a vida (ou seja, nada de Krypton).

Daniel Rutter / NASA / Kepler-1649c render / exoplanetas

Créditos: Daniel Rutter / NASA

Os cientistas sugerem que mundos "superhabitáveis" podem ter vida inteligente e que a condição da Terra não é tão rara; de fato, um observador alienígena poderia ficar espantado ao constatar que há alguém vivendo no que ele consideraria um "pedaço de pedra inóspito", quando comparado a seu próprio lar.

Muito tempo atrás Konstantin Tsiolkovski, um dos pais da astronáutica moderna, disse que "a Terra é o berço da humanidade, mas ela não pode permanecer no berço para sempre"; as descobertas mais recentes vêm mostrando que talvez, a condição de nosso planeta não seja tão rara no universo e que há sim, grande possibilidade de vida em outros locais, inteligente ou não.

Embora seja primordial cuidarmos de nossa casa, é igualmente importante começarmos a traçar planos para explorar novas paragens, pois como Neil DeGrasse Tyson diz, asteroides são a forma do Cosmos perguntar "como vai seu programa espacial?"

O que não é saudável para nós, enquanto espécie, é ficarmos todos em um único lugar esperando pelo próximo evento de extinção em massa, que não é uma questão de se, mas de quando. Um "planeta plano B", que permita as próximas gerações se estabelecerem em um futuro muito distante, não é um plano tão insano quanto soa, dada nossa situação atual.

Referências bibliográficas

SCHULZE-MAKUCH, D.; HELLER, R.; GUINAN, E. In Search for a Planet Better than Earth:
Top Contenders for a Superhabitable World. Astrobiology, Volume 20, Número 12/2020, Artigo Nº 10.189, 11 páginas, 18 de setembro de 2020.

Fonte: Astrobiology, ExtremeTech

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