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A adoção que atrasou (um pouco) o lançamento do Apex Legends

Conheça a história de Jon Shiring, programador do Apex Legends e cuja audiência para adoção da filha seria na mesma hora do lançamento do jogo

14/10/2020 às 9:21

Quando se trata de um grande estúdio, criar um jogo hoje em dia pode significar um investimento na casa de dezenas de milhões de dólares, além de exigir a dedicação (muitas vezes sobre-humana) de um enorme grupo de profissionais. Por isso temos visto tantas reclamações por parte daqueles que trabalham no desenvolvimento de jogos, mas a história sobre o lançamento do Apex Legends é um pouco diferente.

Apex Legends

Crédito: Divulgação / EA

Lançado de maneira surpreendente em fevereiro de 2019, depois de um rumor circular pela internet por apenas alguns dias, na época ninguém deve ter se dado conta disso, mas naquele dia 4 o jogo foi disponibilizado mais tarde do que o normal. Normalmente esse atraso aconteceria por alguma instabilidade nos servidores ou mesmo um problema de última hora, mas agora sabemos que tudo não passou de um imprevisto com um dos responsáveis pelo Apex Legends.

Quem contou a história foi Jon Shiring, então chefe de programação da Respawn Entertainment e que usou seu Twitter para relembrar o caso:

Então, o Apex Legends foi lançado estranhamente tarde naquele dia — hora do almoço no fuso horário do Pacífico —, noite na Europa. Não quando você poderia esperar. Nós o planejamos para aquela manhã e então meu compromisso no tribunal para finalizar minha adoção surgiu — o tribunal escolheu 4 de fevereiro, às 10h00 — o mesmo horário do lançamento do Apex. Entrei em pânico. Como eu comandava as equipes de operações e serviços online para o jogo, aquilo era ruim.

[O produtor executivo] Drew McCoy e todo mundo na Respawn secretamente atrasou o lançamento para que eu pudesse chegar à minha audiência, então correr de volta para o escritório e gerenciar o lançamento com [o programador] Michael Kalas e [o engenheiro de software] Mike Durnhofer, e celebrar com a equipe. Foi uma manhã incrível para mim e para a minha família!

E foi por isso que o Apex foi lançado num horário estranho, perto do almoço em 4 de fevereiro de 2019. Porque a Respawn priorizou a minha família.

É difícil saber o impacto que tal adiamento teve no sucesso do jogo, mas se pensarmos que não se tratava de algo que vinha sendo aguardado pelos jogadores, acredito que apenas algumas horas não seria o suficiente para prejudicar o Apex Legends. O que ajuda a reforçar essa sensação é o fato de o início do FPS ter sido tão bom que chegou a aumentar o número de jogadores no Titanfall 2, título de onde o jogo gratuito surgiu.

Sendo assim, alguém até poderá dizer que a alta cúpula da Respawn não fez mais do que sua obrigação, mas temos que levar em consideração toda estratégia por trás de uma criação deste porte e principalmente, o fato deles responderem a uma gigante como a Electronic Arts. E pela maneira como Jon Shiring, a editora nem ficou sabendo o motivo por trás do atraso no lançamento do jogo.

Pois são situações como esta que nos ajudam a ter um pouco de esperança nesta indústria, já que nem é preciso procurar muito para achar inúmeros relatos de pessoas ligadas ao desenvolvimento de games e que sofrem ou sofreram assédio sexual/moral, cargas horárias absurdas, etc.

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