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Aniversário da Sega tem brindes e polêmica com ex-programador

Em seu 60° aniversário a Sega está fazendo a alegria dos fãs, mas lançamento de um protótipo do Golde Axe tem desagradado ex-funcionários da empresa

15/10/2020 às 10:12

Em 2020 chegamos ao 60° aniversário da chegada do primeiro produto que a Sega lançou para o mercado doméstico, uma jukebox conhecida como Sega 1000 e para comemorar a tão emblemática data, a empresa está organizando um evento que se estenderá pelos próximos dois meses. Basicamente, nele seremos presenteados com diversos títulos que marcaram a história da editora, com o calendário podendo ser acompanhado através do site sega60th.com.

Sega 60 Anos

Crédito: Divulgação / Sega

Mas além de também estar oferecendo bons descontos em diversos títulos vendidos no Steam e uma cópia do Sonic The Hedgehog 2, nesta primeira semana o jogo dado pela Sega para aqueles que se inscreverem no site supracitado será o adorado Nights Into Dreams. Já para quem possui o Total War: Shogun 2 e/ou o Two Point Hospital, os presentes vêm na forma dos DLCs Battle of Kawagoe e SEGA 60th Items, respectivamente.

No entanto, de todos os agrados que eles pretendem nos fazer nos próximos dias, aqueles que considero os mais interessantes são os mini-games baseados em algumas de suas franquias. Disponíveis por um breve período (mas permanecendo nas nossas bibliotecas após serem ativados), serão quatro jogos desenvolvidos por estúdios diferentes, com seus lançamentos já tendo começado. São eles:

  • Armor of Heroes (Relic Entertainment) - Jogo multiplayer de tanque com inspiração retrô, para até quatro jogadores. Disponível de 15 a 19 de outubro.
  • Endless Zone (Amplitude Studios) - O universo Endless e Fantasy Zone colidem neste jogo de tiro com visão lateral. Disponível de 16 a 19 de outubro.
  • Streets of Kamurocho (Sega) - Kiryu e Majima, da aclamada série Yakuza, estão atacando as Ruas de Kamurocho em um jogo no melhor estilo Streets of Rage. Disponível de 17 a 19 de outubro.
  • Golden Axed (Sega) - Compilação de um nunca antes visto projeto chamado Golden Axe: Reborn. Disponível de 18 a 19 de outubro.

Crédito: Divulgação / Sega

Desses, o que mais me interessou para jogar é esta fusão de Yakuza com SoR, mas em se tratando da “história por trás do desenvolvimento”, todos os holofotes estão apontando para esta modernização do clássico Golden Axe. O motivo para isto está relacionado ao tratamento em tom de deboche dado pela editora, um período de produção insano, dois ex-funcionários insatisfeitos e o lançamento do protótipo sem que eles ficassem sabendo.

O primeiro a reclamar da postura da Sega foi o designer Sanatana Mishra, que através do Twitter fez o aviso de que além deles terem trabalhado no jogo por apenas duas semanas, os antigos chefes nem permitiram que se dedicassem a parte de combates. Então foi a vez do programador Tim Dawson dar sua versão para o caso e também usando a rede social, revelou alguns detalhes tão interessantes quanto assustadores.

Um produtor em que confiávamos nos pediu se poderíamos fazer, em cerca de duas semanas, um ‘protótipo polido de jogabilidade’ para uma apresentação interna do Golden Axe para conseguir um segundo projeto. Nós concordamos, porque nos garantiram que a gerência queria que o desenvolvêssemos ‘do nosso jeito’ (ou seja, outro milagre, por favor), mas eles exigiram um Golden Axe mais sombrio e sangrento, com respingos de sangue, decapitações e combate de dois botões. Então, tentamos combinar tudo isso com o espírito do jogo original.

Na época Dawson havia acabado de entregar um protótipo para o remake do Castle of Illusion, jogo que foi aprovado e lançado em 2013, mas mesmo com o tempo tão curto, em uma semana eles conseguiram uma versão jogável do Golden Axe e foram fazer uma apresentação para os executivos da Sega. Com várias pessoas sentadas ao redor de uma mesa, ninguém mostrou empolgação com a demonstração, com o designer chefe afirmando que aquele não era o jogo no estilo God of War que ele queria e alguém até chegou a sugerir que teria sido melhor eles terem mostrado um vídeo pré-renderizado onde o bárbaro enfrentasse um monstro.

Mesmo assim o programador continuou trabalhando naquele projeto, adicionando efeitos e aperfeiçoando o sistema de combate, e quando o apresentou novamente, a recepção foi bem diferente. Ainda assim, Tim Dawson disse ter ficado muito decepcionado com a situação, já que ela fez com que perdesse completamente a confiança nas pessoas que comandavam a empresa.

Ainda de acordo com Dawson, aqueles que tiverem curiosidade devem testar o Golden Axed, mesmo “achando estranho ele ter surgido agora e sob tais circunstâncias.” Já para Sanatana Mishra, mesmo com ele não vendo problemas em protótipos serem lançados, a Sega deveria ter explicado o contexto em que este foi criado e como o projeto mudou tanto desde que ele deixou a companhia, de certa forma ficou feliz por o projeto nunca ter sido concluído e o jogo não ter sido lançado.

Atualização: através da sua assessoria, a divisão europeia da Sega emitiu o seguinte posicionamento sobre o caso:

A SEGA Europe procurou ex-membros da equipe de desenvolvimento Golden Axe: Reborn para produzir o protótipo do jogo para o Steam como parte das comemorações do 60º aniversário. Queríamos trazer à luz o trabalho dos desenvolvedores da época e celebrá-lo como parte de nossa história. Algo que não tivemos a chance de fazer na primeira vez. Certamente não pretendíamos trazer à tona memórias dolorosas para o Sr. Dawson e seus ex-colegas ou parecer desrespeitosos. Removemos o trecho do Steam que poderia ser considerado um insulto ao desenvolvimento e gostaríamos de reafirmar a todos que se tratava de um comentário sobre a build que havíamos exportado para o PC, e não sobre a qualidade do trabalho original. Esperamos que muitos fãs joguem o protótipo e apreciem os esforços que ele e seus colegas colocaram neste desenvolvimento.

Fonte: Videogamer

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