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Starlink está chegando, beta iniciado com direito a preço e tudo

Starlink é o serviço de internet via satélite criado pela SpaceX, que agora começou uma fase beta, conheça os preços do pacote!

27/10/2020 às 17:44

Starlink é o projeto da SpaceX que vai financiar a colonização de Marte pela SpaceX. Em termos de negócios, é uma idéia que não tem nada de revolucionária, mas vale mais que a própria SpaceX.

A antena do Starlink, um UFO espetado como disse Elon Musk (Crédito: SpaceX)

O conceito de fornecer acesso Internet através de satélites não é novo, há várias empresas que atuam nesse mercado, mas as desvantagens são imensas. Os links são caros e lentos, com limitação de banda trafegada e principalmente, uma latência horrenda, culpa desse alemão aqui:

Um alemão malvado. agora já vi e tudo. (Crédito: Biblioteca do Congresso)

O problema é que esses serviços usam satélites geoestacionários, na chamada Órbita de Clarke, na altura do Equador, a 35786Km de altitude. Nessa altitude um satélite leva 23h56m4s para completar uma órbita, que por acaso é o mesmo tempo que o planeta leva para girar em torno de seu eixo. Assim o satélite aparece fixo em relação a um ponto no solo.

A parte ruim é que a velocidade da luz é finita, e lenta. Então mesmo desconsiderando tempo de processamento, um sinal enviado ao satélite e retransmitido de volta para o mesmo ponto na Terra percorreria 71 572Km.

Na velocidade da luz esse percurso leva 238.7ms. Na prática o ping dos serviços de satélite fica na casa de 600ms. Isso inviabiliza jogos, controles de drones, telecirurgias e vários outros usos.

A vantagem é que um satélite sozinho consegue cobrir um hemisfério inteiro.

Lote de 60 satélites Starlink (Crédito: SpaceX)

Cada satélite do Starlink tem bem menos área de cobertura, mas eles compensam isso com muitos satélites. Quantos muitos? Muitos muitos. Originalmente a SpaceX conseguiu aprovação para lançar 12 mil satélites. Em Outubro de 2019 o FCC autorizou mais 30 mil.

Como uma empresa vai conseguir lançar tantos satélites, se é algo tão caro? Simples, você só precisa criar uma empresa de lançamentos espaciais, desenvolver tecnologia de reutilização de foguetes, vender seus serviços para clientes pagantes, e depois que os foguetes voarem umas 3 ou 4 vezes, use-os para lançar seus próprios satélites.

Com isso a SpaceX já colocou em órbita 895 satélites, e depois de testes fechados resolveram começar a convidar usuários para um programa beta chamado “Beta Melhor do que Nada”.

No email-convite eles explicam que ainda estão com uma cobertura bem esparsa, portanto os usuários não devem esperar nada mais rápido do que 50Mb/s a 150Mb/s nos próximos meses, com ping entre 20ms e 40ms. Por volta do Inverno de 2021 eles esperam alcançar pings de 16ms a 19ms.

Agora a dolorosa: O kit da antena, receptor e um roteador WIFI sai por US$499. O custo mensal, US$99.

A opinião entre os especialistas é que a SpaceX está subsidiando a instalação. Para receber sinais de um satélite geoestacionário qualquer lata de goiabada resolve, mas os satélites da Starlink estão se movendo, e rápido. A antena precisa apontar para um satélite enquanto ele se move de horizonte para horizonte, depois voltar, achar outro satélite e repetir o processo.

Isso era feito mecanicamente, nos primórdios do radar era inclusive feito manualmente, com uma manivela que os operadores usavam para mudar a direção da antena.

Claro, hoje em dia isso é inviável, pois embora até dê pra usar o XVideos com uma mão só, outras atividades, como games demandam o uso completo dos membros superiores.

Foi desenvolvida então uma tecnologia chamada phased array, na qual uma antena altera o ângulo e direção do sinal que transmite e recebe eletronicamente, sem nenhuma parte móvel.

Nos destroieres com sistema de combate Aegis a tecnologia é utilizada para enviar feixes precisos do radar de controle de tiro para vários alvos simultaneamente, sem precisar de mais de um radar. Chegando a mais de 5MW, um radar SPY-1 desses é capaz de fritar os equipamentos eletrônicos de um inimigo que chegue perto demais.

Essas placas mais claras são de fibra de vidro e protegem as antenas do radar AN/SPY-1 (Crédito: US Navy)

Como a maioria das casas é menor que o destroier, a SpaceX teve que miniaturizar uma antena com tecnologia phased array para caber em algo do tamanho de uma pizza grande. Isso não é nada barato. Com certeza na escala atual de produção, não dá pra ser feito com US$500.

E claro, como a Internet é a Internet no Reddit já estão chilicando dizendo que “é muito caro”.

Só que Starlink não é pra quem mora em Nova York ou São Paulo. Não é nem mesmo pra quem mora em Niterói. Starlink é um serviço para regiões remotas, interior, áreas sem cobertura (ok, isso pode ser dito de boa parte do Rio).

A triste realidade é que saindo dos grandes centros as opções são escassas, mesmo nos Estados Unidos. E o preço mesmo de beta está BEM competitivo. A Hughesnet oferece 25Mbps via satélite a US$150/mês, e a Viasat 50Mbps a US$170.

Comparando laranjas com laranjas, a Starlink já é vantajosa só no preço.

Por isso que a Forbes avaliou que em 2025 o valor de mercado da Starlink deve chegar a US$30 bilhões, com receita anual na faixa de US$10.4 bilhões. Em comparação Elon Musk avalia que a receita da SpaceX deve estabilizar em US$3 bilhões.

 

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