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Cyberpunk 2077: de mais um adiamento às ameaças de morte

Graças ao PS4 e ao Xbox One, o Cyberpunk 2077 sofrerá um novo adiamento, o que tem feito alguns se acharem no direito de ameaçar os desenvolvedores de morte

29/10/2020 às 10:29

Quanto mais perto ficamos do lançamento do Cyberpunk 2077, maior é a expectativa para experimentar um dos jogos mais promissores da geração que está acabando. O problema é que esta ansiedade também tem despertado o que de pior existe em algumas pessoas e o fato do jogo ter sido novamente adiado só piorou a situação.

Cyberpunk 2077

Crédito: Divulgação / CD Projekt

Após passar por vários anos de desenvolvimento e a companhia polonesa ter feito bastante mistério em relação a sua jogabilidade, o Cyberpunk 2077 recebeu como data inicial de lançamento o dia 16 de abril de 2020. Depois o jogo passou para setembro e então para novembro. Como em 5 de outubro a conta no Twitter informou que o título havia sido enviado para a fabricação, inclusive com uma publicação nas semanas seguintes afirmando que não haveria mais atrasos, tudo indicava que a data de 19 de novembro seria mantida. Ledo engano.

Na última terça-feira (27) fomos surpreendidos com a afirmação de que o lançamento seria adiado em três semanas, passando então para o dia 10 de dezembro. De acordo com a CD Projekt, otimizar um jogo deste tamanho para nove plataformas (Google Stadia, PC, PS4, PS4 Pro, PS5  Xbox One, Xbox One X, Xbox Series S e Xbox Series X) no meio de uma pandemia mostrou-se uma tarefa muito difícil e que por isso seria necessário mais tempo.

Já o gerente de comunicações da empresa, Fabian Mario Döhla, disse que foi ele o responsável por garantir que o lançamento aconteceria em novembro e a justificativa para o deslize, se é que pode ser chamado assim, confirmou algo que o jornalista Jason Schreier já havia revelado: boa parte dos funcionários da desenvolvedora só souberam do adiamento no momento em que ele foi anunciado ao público.

Enquanto isso pode ser visto por alguns como amadorismo ou até falta de respeito com os profissionais, o próprio Döhla explicou que por se tratar de uma empresa com ações na bolsa, torna-se quase impossível avisar todo mundo antecipadamente, mesmo porque as leis trabalhistas na Polônia não obrigam os chefes a revelarem mudanças num projeto ao seus subordinados. Mas independentemente de quem tenha sido a culpa, faltava saber qual problema fez com que um jogo que já havia sido enviado para replicação tivesse que ser adiado mais uma vez.

As dificuldades de um final de geração

Pois ao participar de uma conferência com investidores, o CEO Adam Adam Kiciński deu uma declaração que fez com que todos os holofotes se virassem para o PlayStation 4 e o Xbox One. Segundo ele, seriam esses os responsáveis por impedir que o Cyberpunk 2077 rode da maneira que a empresa gostaria.

Esta situação é diferente se comparada as mudanças anteriores no prazo de entrega. O jogo para PC está pronto, ele roda muito bem nos consoles da próxima geração e a companhia está finalizando o processo referente aos consoles de geração atual. A decisão não foi fácil, mas sabemos que existe apenas um lançamento e a primeira impressão é crucial.

A justificativa de não queimar a imagem de um jogo com um lançamento ruim faz todo o sentido, mas o que não consigo entender é como eles só foram notar isso agora, faltando poucas semanas para a data que haviam dado e depois de título “ir a Gold”. Não é possível que as pessoas envolvidas não tenham notado esses problemas e por isso só consigo acreditar que os responsáveis estavam fazendo vista grossa.

Além disso, será que a CD Projekt não poderia ter atrasado apenas as versões para os atuais consoles, respeitando assim o lançamento para PC? Eu sei que aqueles que possuem um PS4 ou Xbox One ficariam bravos com esta escolha, mas da maneira como foi feito, o estúdio acabou desagradando todo mundo. E por falar em desagradar, isso nos leva à próxima — e pior — parte desta história.

Crédito: Divulgação / CD Projekt

E novamente, prevalece a estupidez e a intolerância

Mesmo com boa parte da equipe responsável pelo jogo tendo que encarar jornadas de trabalho com seis dias por semana e de 100 horas semanais, bastou o novo adiamento chegar ao conhecimento do público para voltarmos a ver uma das atitudes mais absurdas que alguém pode ter, que é ameaçar os outros de morte. Quem revelou o caso foi o game designer Andrej Zawadzki, que em sua conta no Twitter, escreveu:

Eu entendo que vocês estejam sentindo raiva, desapontados e querendo expressar sua opinião sobre isso. Contudo, enviar ameaças de morte a desenvolvedores é absolutamente inaceitável e simplesmente errado. Nós somos pessoas, assim como vocês.

Em outra mensagem Zawadzki até divulgou um print dessas ameaças, onde a pessoa afirma saber onde ele mora e que se o jogo não for lançado ele e sua família serão perseguidos. A mensagem termina dizendo que “eu te queimarei vivo caso não lance o jogo” e o pior de tudo é ver várias respostas do tipo “não concordo com ameaças, mas…” ou “sua empresa deveria respeitar datas”.

Para ser sincero, eu não sei se isso acontece por as pessoas se sentirem mais poderosas por estar atrás de uma tela, se elas não possuem a menor ideia do que estão fazendo ou qualquer outra maluquice desse tipo. O que fico imaginando é o quão patética deve ser a vida de alguém que se sente no direito de ameaçar os outros, só porque um jogo foi adiado.

Sim, eu estou extremamente ansioso para conhecer o Cyberpunk 2077 e também fiquei decepcionado por ter que esperar mais um pouco para ter acesso ao jogo. Porém, se fosse algo que me revoltasse tanto, no máximo eu iria às redes sociais pra criticar a empresa ou até mesmo cancelar a compra.

Pois é numa hora como esta que consigo perceber melhor como a dita “comunidade gamer” pode ser tão absurdamente tóxica.

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