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10 adventures point and click inesquecíveis

The Dig, Day of the Tentacle, Full Throttle... Relembre alguns dos melhores jogos que marcaram um dos gêneros mais fascinantes dos games, os point and click

05/11/2020 às 13:48

Um gênero que foi extremamente popular a quase totalmente esquecido, os adventures point and click nos deram uma grande quantidade de jogos excelentes. Sendo assim, que tal revisitarmos alguns desses clássicos?

Full Throttle Remastered - point and click

Crédito: Divulgação / Double Fine Productions.

Dos textos aos cliques

Muito antes das pessoas discutirem sobre a possibilidade dos gráficos dos jogos se tornarem fotorealistas, antes mesmo de termos acesso a títulos com efeitos 3D rudimentares ou até telas mostrando poucas cores, algumas pessoas perceberam que os computadores poderiam servir também para nos entreter. Entre elas estavam William Crowther e Don Woods, programadores que no final da década de 70 começaram a trabalhar naquela que ficaria conhecida como a primeira obra de ficção interativa criada, o Colossal Cave Adventure.

Totalmente baseado em texto, no jogo tínhamos que explorar uma caverna, com os comandos tendo que ser digitados pelo jogador, estilo que serviria como base para os adventures que só surgiriam em 1980, quando Roberta e Ken Williams lançaram o Mystery House para Appel II. Aquele foi um salto imenso, um dos momentos que pode ser considerado um divisor de águas na indústria, mas a popularidade do gênero ainda demoraria um pouco para acontecer.

E um dos responsáveis por mostrar à muitas pessoas como esse tipo de jogo poderia ser divertido foi o King's Quest, jogo lançado em 1984 e que embora não tenha sido o primeiro adventure a trocar os gráficos vetorizados por bitmaps, foi o que conseguiu um grande sucesso comercial. Aquilo permitiu que a Sierra passasse a apostar com mais força no gênero, mas ainda faltava um elemento que seria responsável por fazer com que o gênero alcançasse outro nível, o mouse.

Conforme mais pessoas começavam a utilizar esta interface, os estúdios perceberam que ela poderia tornar a jogabilidade mais acessível e foi a Silicon Beach Software, com o jogo Enchanted Scepters, quem deu início ao estilo que hoje chamamos de point and click. Porém, aquele jogo aproveitava o mouse de maneira bem rudimentar, nos permitindo apenas escolher ações em um menu e quando em 1985 a ICOM Simulations lançou o Déjà Vu, enfim pudemos arrastar objetos pela tela, novidade esta que transformou aquele jogo num grande sucesso.

O clássico Maniac Mansion (Crédito: Divulgação / Lucasfilm, Disney)

Mais tarde, quando em 1987 a LucasArts resolveu entrar na brincadeira e lançar o clássico Maniac Mansion, fomos apresentados a uma interface “verbo-objeto”, algo que adicionava uma maior complexidade à jogabilidade e que se tornaria um dos principais pilares do gênero. Depois dele, o que vimos foi uma enxurrada de ótimas criações, com esse tipo de jogo se tornando tão adorado que chegou a fazer com que o mercado de computadores pessoais fosse alavancado.

Contudo, mesmo sendo capazes de entregar ótimos enredos e gráficos muito bonitos para a época, os adventures point and click não estavam preparados para toda a revolução tecnológica pela qual os games passariam na década de 90 e por isso eles praticamente desapareceram. Só recentemente vimos o gênero retornar, seja através de remasterizações, seja com jogos que beberam muito da sua fonte, como The Walking Dead, The Wolf Among Us ou Life is Strange.

Feito este resumo da história dos point and click, vamos à lista!

Grim Fandango

Para começar, temos um jogo que pode causar alguma polêmica. Eu mesmo nunca considerei o Grim Fandango como um point and click, até porque a sua famigerada jogabilidade no estilo tanque foi uma das poucas coisas que nunca gostei naquele excelente jogo. Porém, como a versão remasterizada lançada em 2015 adicionou esse tipo de interface, hoje podemos dizer que ele merece estar em uma lista como esta.

Com um roteiro brilhante, personagens extremamente carismáticos e uma das ambientações mais geniais já vista em um jogo, esse é o tipo de obra que nos dá orgulho por gostarmos de videogame. Destaque também para a inesquecível dublagem que o game recebeu no Brasil, sem dúvida um dos melhores trabalhos já feitos nesta área.

Plataformas Disponíveis: PC, PlayStation 4, PS Vita, Nintendo Switch, Xbox One, Android e iOS.

Day of the Tentacle

Os adventures costumam ser conhecidos por entregar uma dose cavalar de quebra-cabeças, mas se tivermos que apontar um título que conseguiu entregar os melhores, talvez seja o Day of the Tentacle. Quase sempre sendo muito bem elaborados, os puzzles desta obra de arte ainda contam com um detalhe muito importante: durante a aventura controlaremos três personagens, com cada um estando num período da história e aquilo que eles fazem influencia diretamente no outro.

Recentemente o jogo recebeu uma remasterização que torna os gráficos mais adequados aos dias atuais, mas se preferir jogar com o visual original, basta apertar um botão para fazer a mudanças. Além disso, o enredo ainda conta com muito humor e caso você fique com vontade de mais desafio após concluir sua campanha, saiba que ainda poderá aproveitar uma versão completa do seu antecessor, o também excelente Maniac Mansion.

Plataformas Disponíveis: PC, PlayStation 4, PS Vita, Xbox One e iOS.

Thimbleweed Park

Nos últimos anos vimos diversos estúdios lançarem adventures, alguns até do tipo point and click, mas acredito que nenhum desses jogos conseguiu reproduzir tão fielmente o espírito dos clássicos como o Thimbleweed Park. Grande parte disso se deve ao fato de que entre as pessoas que participaram da sua criação estão Ron Gilbert e Gary Winnick, duas lendas que que fizeram parte do época de ouro do gênero.

Aqui controlaremos cinco personagens numa história que funciona como uma inusitada, bizarra e extremamente engraçada mistura de Twin Peaks, Arquivo X e True Detective. Repleto de quebra-cabeças desafiadores, o jogo ainda conta com diversos eventos que acontecem de forma aleatória, algo que traz um ar de novidade ao estilo e que aumenta o se fator replay.

Plataformas Disponíveis: PC, PlayStation 4, PS Vita, Nintendo Switch, Xbox One, Android e iOS.

The Secret of Monkey Island

Seria exagero afirmar que o The Secret of Monkey Island é o aventure mais conhecido de todos? Talvez, mas como foi este o responsável por fazer com que muitas pessoas se apaixonassem pelo gênero, tenho certeza que vários de você carregam este point and click em algum canto do coração.

Idealizado pela santíssima trindade dos adventures, Ron Gilbert, Dave Grossman e Tim Schafer, a saga de Guybrush Threepwood continua sendo tão divertida quanto era há 30 anos.

Para algumas pessoas, a continuação Monkey Island 2: LeChuck’s Revenge é um jogo ainda melhor, com aperfeiçoamentos em praticamente todos os aspectos, mas dada a sua importância para a indústria, se você não conhece a série, recomendo começar pela versão remasterizada do primeiro capítulo. Duvido não se apaixonar.

Plataformas Disponíveis: PC, PlayStation 3, Xbox 360 (Xbox One via retrocompatibilidade), iOS, Amiga, Ataria ST e Sega CD.

Full Throttle

Se tem uma coisa da qual não podemos acusar Tim Schafer, é que ele tem medo de sair do lugar comum e Full Throttle é um ótimo exemplo disso. Depois de ter nos levado por viagens no tempo e nos colocado na pele de um aspirante a pirata, o game designer achou uma ideia fazer com que o protagonista do seu próximo jogo fosse um motoqueiro barra pesada e como ele estava certo.

Embora contasse com uma campanha curta, a animação, dublagem e trilha sonora fizeram com que este jogo se tornasse um clássico cult e depois de muitos pedidos, em 2017 uma nova geração teve a oportunidade de conhecê-lo graças a uma remasterização. E acredite quando digo que tratá-lo como um jogo imperdível ainda é pouco.

Plataformas Disponíveis: PC, PlayStation 4, PS Vita e iOS.

Indiana Jones and the Fate of Atlantis

Lá pelo início da década de 90 as pessoas sabiam que se um jogo fosse baseado em um filme, era muito provável que se tratasse de uma bela porcaria. Pois quando a LucasArts decidiu criar um adventure baseado na franquia Indiana Jones, eles conseguiram quebrar esta regra. Embora não se trate de uma adaptação direta dos filmes, com o Indy saindo em busca da lendária cidade de Atlântida, tudo o que nos acostumamos a ver nas aventuras do personagens estava presente aqui.

Porém, mesmo com um bom enredo e gráficos extremamente detalhados, o destaque de Indiana Jones and the Fate of Atlantis vai para os três caminhos que poderemos escolher e que afetavam bastante o desenrolar da aventura: o caminho da equipe, onde teremos a companhia de Sophia Hapgood; o caminho da inteligência, em que os quebra-cabeças serão mais abundantes e complexos; ou o caminho do punho, que terá o foco nas sequências de luta e ação.

Plataformas Disponíveis: PC.

Discworld

Baseado na série de livros escritos por Terry Pratchett, este pode não ter o mesmo peso ou qualidade de outros títulos citados nesta lista, mas como foi um dos poucos point and click a aparecerem nos consoles da época, é preciso reconhecer a sua importância, principalmente por ter sido ele o responsável por apresentar esse tipo de jogo a um público muito maior.

Em Discworld acompanhávamos a história de Rincewind the Wizard, um mago que tem como objetivo acabar com um dragão que ameaça destruir a cidade de Ankh-Morpork. Com uma história muito bem-humorada, o jogo ainda contava com belos gráficos e alguns recursos interessantes, como o fato dos nossos itens serem carregados num baú com pernas ou um dispositivo que nos permitia viajar no tempo e que era usado para solucionarmos alguns quebra-cabeças.

Plataformas Disponíveis: PC, PlayStation e Sega Saturn.

The Dig

Inspirado em uma ideia que o cineasta Steven Spielberg teve para a série Amazing Stories, The Dig conta a história do Comandante Boston Low, que ao lado de outras quatro pessoas terá como missão plantar explosivos em um asteroide que está vindo em direção à Terra. Porém, ao chegar lá eles descobrem que o lugar é oco e enquanto exploram o objeto, acabam sendo transportado para um planeta alienígena.

Ao contrário do que nos acostumamos a ver em jogos dos estilo, aqui temos uma atmosfera mais sombria e um enredo mais maduro escorado na ficção científica. Embora utilize a boa e velha pixelart durante quase todo o jogo, há trechos em 3D que foram feitos pela Industrial Light & Magic e entre o seu elenco de dubladores temos a participação de figuras famosas como Robert Patrick e Steve Blum.

Só prepare o cérebro quando for jogar The Dig, pois além da “história cabeça”, o jogo conta com quebra-cabeças bem difíceis.

Plataformas Disponíveis: PC.

Beneath a Steel Sky

Pegue um artista conceituado como Dave Gibbons (Watchmen), crie uma interessante história ambientada num universo cyberpunk e deixe o seu desenvolvimento nas mãos de um estúdio que vinha ganhando algum destaque na época. Pronto, você teria Beneath a Steel Sky, um título que com o tempo conquistaria alguns admiradores e marcaria seu nome no gênero.

Repleto de reviravoltas em seu roteiro, personagens marcantes e quebra-cabeças bem elaborados, em 2020 vimos o lançamento da sua continuação, o Beyond a Steel Sky e se você nunca jogou o original, saiba que isso pode ser feito facilmente, já que eles está disponível gratuitamente no GOG.

Plataformas Disponíveis: PC, Amiga e iOS.

Broken Sword: The Shadow of the Templars

Neste jogo seremos George Stobbart, um americano que está visitando Paris e que se vê no meio de uma enorme conspiração envolvendo os templários após ele presenciar um terrorista vestido de palhaço. Ao lado da fotojornalista Nico Collard, ele viajará para diversos lugares do planeta para tentar desvendar o mistério, num enredo que chegou a ser indicado ao BAFTA.

Tendo sido muito elogiado pela crítica especializada devido seus belos gráficos, ótima dublagem e jogabilidade refinada, The Shadow of the Templars costuma ser citado como fonte de inspiração por diversos game designers e se você quiser conhecer esta pérola, recomendo a versão Director's Cut, que está disponível em serviços de distribuição digital como o Steam ou GOG.

Plataformas Disponíveis: PC, PlayStation e Game Boy Advance.

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