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Windows 35 anos: uma breve retrospectiva

Em comemoração aos 35 anos do Windows, vamos passear pela história do sistema operacional, desde os primórdios até hoje em dia

23/11/2020 às 11:55

A Microsoft chegou aos 45 anos em 2020, enquanto que o Windows, seu mais valioso produto, completou 35 anos de janela (heh) na última sexta-feira (20). Lançado em 1985, a primeira versão do sistema operacional pavimentou o caminho para a revolução digital em PCs, se afastando da interface de texto em prol de uma gráfica e grande suporte ao mouse.

Tecla Windows de teclado (Crédito: Tadas Sar/Unsplash)

Tecla Windows de teclado (Crédito: Tadas Sar/Unsplash)

Ainda que a Apple tenha introduzido o Macintosh um ano antes, o trunfo do Windows foi não focar numa integração de software e hardware, o que permitiu à empresa vender o software separado, e o usuário tinha total liberdade para montar seu setup.

No princípio...

O Windows era bem diferente do sistema que conhecemos antes, e foi desenvolvido como um programa e uma interface gráfica para o MS-DOS, que continuava rodando por trás. A ideia era simplificar o acesso aos comuptadores por quem não fosse um "micreiro", acostumado com linhas de código e comandos esotéricos na tela de prompt para operações simples.

O Windows deveria facilitar tudo, resolvendo toda a macumbaria de execução sem que o usuário visse, e este tendo apenas que se preocupar com digitar textos ou manusear o mouse. O acessório, aliás, foi endossado fortemente pela Microsoft, que já o hvia adotado na primeira versão do Word para DOS e Xenix, sua antiga distribuição Unix.

Bill Gates exibe caixa do Windows 1.0 (Crédito: Carol Halebian)

Bill Gates exibe caixa do Windows 1.0 (Crédito: Carol Halebian)

Claro, a Microsoft não foi a primeira a lançar um SO gráfico completo para uso pelo usuário final. A Xerox PARC, divisão de pesquisa da companhia mais conhecida por suas fotocopiadoras, desenvolveu uma série de produtos que foram copiados por empresas menores. O Xerox NoteTaker, por exemplo, deu origem ao Osbourne 1 e ao Compaq Portable.

No entanto, foi o Xerox Alto o pioneiro, que deu origem ao severamente modificado Xerox Star, que chegou ao mercado consumidor em 1981. Subprodutos da Apple, que foram desenvolvidos em cima do Alto graças a uma visita guiada (e paga) de Steve Jobs ao Xerox PARC, só viriam surgir em 1983, com o Lisa, e em 1984, com o Macintosh.

Bill Gates também copiou a estrutura do Alto, mas através da Apple. A Microsoft possuía contratos de desenvolvimento de softwares para o Macintosh (a origem daquele constrangedor talk show parodiando programas de namoro na TV), que foram cumpridos e os produtos entregues, enquanto licenciava aspectos da interface do Mac, e espertamente limitava outros para não dar tanto na cara.

Claro que a Apple colocou a Microsoft (e a HP) no pau mesmo assim, em um litígio onde até a Xerox entrou para bater na maçã, acusando a empresa de roubar a GUI do Alto (na verdade, Jobs pagou por ela). Cupertino perdeu o caso, com o júri decidindo que "identidade visual" não é algo patenteável.

Tela do Windows 1.0 (Crédito: Reprodução/Microsoft)

Tela do Windows 1.0 (Crédito: Reprodução/Microsoft)

Voltando ao Windows 1.0, o sistema assim como o MS-DOS era relativamente simples para desenvolvedores, permitindo que eles pudessem criar softwares compatíveis para o sistema operacional e a interface gráfica sem muita dor de cabeça. Essa decisão de Gates, em que ele negociou independência da IBM e liberdade para vender seu software para quem quisesse, ajudou a lá na frente impedir que a gigante dominasse o mercado IBM-PC.

O Windows 1.0 era também um contraponto à Apple, pois quem quisesse usar o System 1, o SO da companhia, era obrigado a comprar um Mac, como é até hoje com o macOS. Vale lembrar que com a chegada dos processadores Apple M1, soluções como o Boot Camp e gambiarras como os Hackintoshs chegarão ao fim.

Apesar de tudo, o Windows 1.0 não foi tão popular quanto a Microsoft desejava, levando a companhia a lançar o Windows 2.0 em dezembro 1987, com versões gráficas do Word e Excel e melhor gerenciamento de janelas, já que elas não ficavam sobrepostas no 1.0, um dos recursos implementados para fugir de um processo da Apple (não adiantou, como já mencionado).

O Windows 2.1, que chegou seis meses depois, foi o primeiro a exigir um disco rígido para funcionar.

Ah sim: o comercial do Windows 1.0 com Steve Ballmer é uma paródia, criado para entreter os funcionários da Microsoft, e nunca foi veiculado na TV.

Windows 3.0: agora vai

Lançado em 1990, o Windows 3.0 sua subversões foram as primeiras do SO da Microsoft com massiva adoção por parte do público, e motivos não faltam: ícones clicáveis para facilitar ainda mais a operação, suporte a multimídia (adicionado posteriormente) e a redes, via o "novíssimo" Winsock, introduzido no 3.11.

Esta versão, voltada para estações corporativas, foi a primeira que implementou suporte a 32 bits. Ele também trouxe aplicativos presentes no Windows até hoje, como o Bloco de Notas e o jogo Paciência.

Área de Trabalho do Windows 3.11 para Workgroups (Crédito: Reprodução/Microsoft)

Área de Trabalho do Windows 3.11 para Workgroups (Crédito: Reprodução/Microsoft)

Muitos PCs da época já vinham com o Windows 3.x instalado de fábrica, ocupando um espaço considerável para a época, de...  5 MB.

Bye bye, DOS

Em 1995, Bill Gates cimentou que todos os esforços da Microsoft seriam voltados para a popularização da internet, e o Windows não seria exceção. O programa foi remodelado de alto a baixo, deixando de ser um programa rodando em cima do MS-DOS, para um sistema operacional híbrido, totalmente em 32 bits, e que assumia praticamente todas as funções vitais do PC.

O Windows 95 relegou o DOS 7.0 a uma camada de compatibilidade, embora fosse ainda necessário para que o sistema funcionasse. De qualquer forma, esta versão do Windows trouxe toda uma nova interface, com a introdução do Menu Iniciar, suporte nativo à internet e o IE, incluído em uma atualização posterior como navegador padrão.

Área de Trabalho do Windows 95 (Crédito: Reprodução/Microsoft)

Área de Trabalho do Windows 95 (Crédito: Reprodução/Microsoft)

O Windows 98, por sua vez trouxe suporte a portas USB, maior compatibilidade com programas e recursos, total suporte ao sistema de arquivos FAT32 (arquivos com até 4 GB) e uma interface bem parecida com a do Windows 95, mas sendo um SO completo desta vez: o MS-DOS foi completamente removido, restando apenas como um prompt limitado no Menu Iniciar.

Ele também foi o primeiro a trazer o IE pré-instalado desde o início e como navegador padrão, o que foi motivo de processos antitruste nos EUA e na Europa. Por causa disso, o Windows até hoje é vendido sem navegador padrão no Velho Mundo, e o usuário precisa decidir qual ele quer instalar na primeira execução, assim como acontece hoje com o Android.

O Windows 98 Second Edition (SE) foi lançado para corrigir bugs da primeira versão, mas nada se compara à catástrofe ambulante chamada Windows Millenium Edition (ME). Lançado em 2000, ele foi um SO voltado à multimídia e especialmente para o consumidor final, para separá-lo do mais confiável Windows 2000, o SO corporativo que sucedeu o Windows NT.

No entanto, o Windows ME foi feito à moda zaralha, era instável ao extremo e lotado de bugs, que renderam inúmeras piadas por todo o globo, sendo a mais conhecida a mascote não-oficial ME-tan, que com as OS-tans derivadas deu um boost na onda dos softwares, produtos e etc. antropomorfizados no estilo anime.

OS-tans (Crédito: 2ch)

As OS-tans foram a única coisa boa que o Windows ME trouxe (Crédito: 2ch)

Do Windows XP ao Windows 10

Em 2001, a Microsoft entendeu o recado e tratou de consertar todas as gafes cometidas com o Windows ME, ao introduzir o Windows XP, que unificou pela primeira vez num só produto soluções domésticas e corporativas.

O SO era inteiramente baseado no Windows NT e por tabela, no Windows 2000, o que lhe garantiu uma maior estabilidade e grande suporte a novos recursos e padrões. Isso fez com que o Windows XP seja até hoje relativamente popular, mesmo sem suporte oficial.

Área de Trabalho

Área de Trabalho do Windows XP (Crédito: Reprodução/Microsoft)

Claro que a Microsoft iria meter os pés pelas mãos mais uma vez: em 2007, a empresa decidiu que daria prioridade a máquinas mais parrudas, PCs com especificações mais altas e dessa forma, o Windows Vista chegou como uma versão mais bonita e mais elegante... e terrivelmente mais pesada do que o XP.

A Microsoft consumiu 6 anos de desenvolvimento para entregar um produto com segurança reforçada, mas a única coisa que realmente se destacava no Vista era a interface Aero, com transparências e efeitos visuais.

O SO só rodava direito em máquinas novas, e mesmo assim não era livre de bugs. O Windows XP, mesmo um tanto antigo, atendia todas as situações de uso que o Vista, com mais eficiência e sem precisar investir em um novo PC.

De novo, a Microsoft entendeu o recado e lançou o Windows 7 em 2009, uma versão que trazia as melhorias do Vista e a confiabilidade do XP, em um pacote onde o código foi todo retratado e otimizado. Como resultado, a nova plataforma rodava lisa em qualquer máquina que executasse o SO de 2001.

O novo sistema estabeleceu uma "zona de conforto" para grande parte dos usuários, que não se sentiram à vontade para migrar em 2012 para o Windows 8, que trazia a interface Modern com grande foco em telas touch, laptops híbridos e tablets. Hoje, o Windows 7 ainda é a segunda versão mais usada do sistema, com 16,8% do market share do SO.

O Windows 8.1 foi um remendo na outra presepada da Microsoft, que voltou a implementar o Menu Iniciar, mas a companhia entendeu que não dá para ficar reinventando a roda. Mesmo a Apple não foge muito do feijão-com-arroz no macOS, por mais que ele seja um sistema baseado no kernel do Unix.

O que nos trouxe ao tempo atual, com o Windows 10.

Área de Trabalho

Área de Trabalho do Windows 10 (Crédito: Reprodução/Microsoft)

A principal mudança em relação ao Windows 10 é o fato de que o sistema operacional agora é tratado como um serviço, não um produto, seguindo a atual filosofia do CEO Satya Nadella de "Microsoft Como um Serviço": as soluções da empresa devem ser disponibilizadas de maneira descentralizada, sem priorizar plataformas ou hardware.

Assim, o sistema foi planejado para ser o último Windows que qualquer pessoa irá instalar, e que receberá atualizações massivas de forma periódica, de modo parecido com as versões de distros do Linux. Além disso, a empresa vem se apegando menos a soluções próprias do passado, como ter aberto mão do Edge interno para abraçar o Chromium no novo navegador.

Mesmo que haja um Windows 11, ou 20 no futuro, a mudança de estratégia da Microsoft com seu sistema operacional, hoje bem mais flexível, pode permitir que a plataforma continue na liderança do mercado de SOs por mais algumas décadas.

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