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O fã que recriou os piores The Legend of Zelda já feitos

Para aprender a criar jogos, fã resolveu remasterizar o The Faces of Evil e o The Wand of Gamelon, dois dos piores capítulos da série The Legend of Zelda

30/11/2020 às 11:13

Eu sou fã de várias séries que tiveram início há algumas décadas, mas entre elas, uma das minhas favoritas é a The Legend of Zelda. Sempre achei fantástica a experiência passada por esses jogos da Nintendo, com seus mundos estando entre aqueles que considero entre os mais legais dos videogames. Ainda assim, existe dois capítulos desta saga que nunca tive coragem de chegar perto, o Link: The Faces of Evil e o Zelda: The Wand of Gamelon.

The Legend of Zelda - Link: The Faces of Evil

Link: The Faces of Evil (Crédito: Reprodução/Youtube)

Desenvolvidos pela Animation Magic e lançados em 1993, tais jogos foram fruto de uma negociação entre a Philips e a BigN, depois que esta decidiu que a empresa holandesa não faria uma expansão que permitiria ao Super Nintendo rodar jogos em CD. Contando com pouco investimento e tempo para o seu desenvolvimento, os títulos exclusivos para um console chamado CD-i até receberam uma boa avaliação por parte da mídia especializada da época, mas com o tempo passaram a ser conhecidos como os patinhos feios da franquia.

Sem que muitos tivessem a oportunidade de jogá-los no seu lançamento, é curioso notar que esta má reputação só começou a ser forjada lá pela metade dos anos 2000, quando algumas pessoas passaram a publicar no Youtube vídeos mostrando como eram as cenas não-interativas dos jogos. Com as animações tendo envelhecido muito mal desde então, quem não conhecia as criações da Animation Magic ficou assustado com a sua qualidade e por isso tais títulos começaram a ser achincalhados pelos fãs.

Mas mesmo com toda esta fama negativa, alguém achou que seria uma boa ideia remasterizar aqueles The Legend of Zelda para CD-i, o que nos leva à história de Dopply. Ela teve início há alguns anos, quando o sujeito decidiu que estava na hora de aprender a fazer um jogo e após escolher a engine GameMaker, ele teve a ideia de aprender enquanto recriava aqueles títulos.

Eu queria provar a mim mesmo que poderia fazer um jogo. Começou como uma piada entre amigos, mas então quis ver se eu realmente conseguiria. Eu tinha flertado com a criação de jogos por um tempo, mas nunca terminei algo. Esta foi a minha primeira chance de fazer isso (bem, ao longo de quatro anos, acho). Com o tempo, versões remasterizadas desses notórios títulos era algo que eu também queria para mim.

Usando arquivos que foram extraídos dos originais por outras pessoas, Dopply tratou de montar os jogos e o resultado foi o Faces of Evil & Wand of Gamelon Remastered, versões que contam com suporte a widescreen, legendas, sprites mais bonitos, um modo remasterizado que traz alguns ajustes à jogabilidade e até mesmo desbloqueáveis.

Segundo o criador, o seu trabalho conseguiu melhorar títulos que ele nem considera tão ruins assim, com o segredo estando em conseguir entregar jogos com um esquema de controles mais acessível e que conseguem ter performances melhores. Dopply ainda afirmou que ambos contam com cenários e músicas muito boas, por isso será bom as pessoas terem a oportunidade de conhecer suas excelentes trilhas sonoras.

O problema aqui é que, provavelmente temendo pelo inevitável contato que seria feito pelos advogados da Nintendo, ao menos na página de FAQ do projeto não é possível mais encontrar o download de tais remasterizações. É muito provável que os jogos ainda estejam disponíveis por aí, mas nem mesmo essas melhorias conseguiram me convencer a experimentá-los, pois talvez o melhor mesmo seja manter na memória apenas as boas experiência que tive com os The Legend of Zelda.

CD-i, o tudo-em-um que foi um fracasso

Conhecido como Compact Disc-Interactive, ou simplesmente CD-i, ele nasceu em 1990 como uma tentativa da Philips e da Sony de produzir um sistema de entretenimento para um público mais velho. Com ele as empresas pretendiam ainda atingir o mercado educacional e de treinamento, com o aparelho sendo capaz de reproduzir enciclopédias interativas e viagens virtuais a museus. Além disso, ele também contava com acesso a internet, permitindo assim que o usuário pudesse navegar pela web, ler email, realizar downloads e até jogar online.

Mas apesar de tentar se distanciar dos videogames, o CD-i acabou ficando marcado como um. Ao todo o aparelho recebeu mais de 190 jogos, entre eles diversos no estilo full motion video, como Mad Dog McCree, Dragon's Lair e Burn:Cycle — que para muitos é o melhor jogo do console. Por lá também apareceram diversos jogos que recriavam alguns programas de televisão, como Jeopardy! e Name That Tune.

Outra curiosidade sobre o CD-i foi a maneira como ele recebeu franquias como The Legend of Zelda e Super Mario. Tudo começou com o rompimento entre a Sony e a Nintendo, numa parceria que deveria ter dado origem a um leitor de CDs para o Super Nintendo. Ainda pretendendo criar o acessório, a Casa do Mario procurou os holandeses e o acordo fechado por eles previa que, enquanto a Philips ficaria responsável por criar a expansão, caberia à Nintendo ceder alguns dos seus personagens para que eles aparecessem no CD-i.

Como bem sabemos, o SNES nunca chegou a receber aquele leitor de CDs, mas o contrato fechado pelas empresas foi mantido e isso permitiu que a Philips tivesse um dos poucos videogames que chegou a receber alguns dos principais personagens da Nintendo, mesmo que esses títulos tenham sido criados por outros estúdios e sejam lembrados até hoje como alguns dos piores já feitos.

Hotel Mario rodando em um CD-i (Crédito: Reprodução/Frédéric Bisson)

Sem nunca ter conseguido conquistar muitas pessoas, o CD-i foi descontinuado nos Estados Unidos em 1995, com o seu ciclo de vida ainda tendo durado por mais três anos na Europa. O número exato da base instalada daquele aparelho é incerto, mas uma das estimativas fala em apenas 570 mil unidades vendidas. De qualquer forma, ele ainda é tratado como um dos consoles mais malsucedidos da história e um ótimo exemplo de como é difícil competir neste mercado.

Fonte: Eurogamer

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