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Apps de Android no Windows 10 são pequena vitória do Linux

Project Latte promete entregar apps do Android no Windows 10 via Microsoft Store, graças ao Windows Subsystem for Linux (WSL)

34 semanas atrás

O Windows 10 e o Android estão se tornando ainda mais próximos: segundo fontes próximas à Microsoft, um projeto interno está sendo conduzido para fazer com que seu sistema para desktops rode apps do SO mobile do Google de forma nativa, distribuindo-os pela Microsoft Store.

Só alguns celulares da Samsung podem reproduzir apps no Windows 10 (Crédito: Reprodução/Microsoft)

Só alguns celulares da Samsung podem reproduzir apps no Windows 10 (Crédito: Reprodução/Microsoft)

Conhecido como Project Latte, o experimento pode ser introduzido de forma definitiva no Windows 10 já em 2021, graças ao casamento recente de Redmond com o Linux, que vem dando vários frutos ao longo dos anos.

Android no Windows 10 hoje

A ideia de executar apps do Android em desktops é antiga e nem é restrita ao sistema do Google. Do lado da Apple, muitos usuários gostariam de abrir nativamente as aplicações do iOS em seus Macs, algo que só está sendo concretizado para valer agora, com a migração da plataforma para o ARM.

O Google por sua vez possui o Chrome OS, instalável até certo ponto em computadores que não sejam um Chromebook. A Microsoft não possui uma ligação direta com Mountain View de forma oficial até o momento, e usa o recurso Meu Telefone para espelhar apps rodando em celulares. O problema, ele só funciona com uma seleção limitada de aparelhos da Samsung.

Outra solução, embora menos prática, é apelar para emuladores do Android. Programas como Bluestacks, MEmu Play, Nox Player e outros conseguem executar uma grande quantidade de aplicativos e jogos do robozinho, mas como você está rodando um SO inteiro, a performance pode ser prejudicada em PCs menos parrudos.

A questão é que sejam os emuladores, seja o app Seu Telefone, nada disso é suporte nativo. A Microsoft estaria estudando uma forma de distribuir ela mesma as aplicações de forma direta ao usuário do Windows 10, sem que ele tenha que conectar o celular ao PC, ou dependa de programas de terceiros.

Emuladores como MEMu Play são opção para rodar apps e games do Android no Windows 10 (Crédito: Reprodução/Microvirt)

Emuladores como MEMu Play são opção para rodar apps e games do Android no Windows 10 (Crédito: Reprodução/Microvirt)

Project Latte e WSL 2, ponto para o Linux

O que nos traz ao Project Latte. Ele seria uma reimaginação do Project Astoria descontinuado em 2016, que visava portar apps do Android para o Windows 10, mas na forma convertida. Seu "co-irmão" do Islandwood, que portava apps do iOS, e os "primos" Centennial (apps .NET e Win32) e Westminster (web apps) também rodaram.

De acordo com informações apuradas pelo site Windows Central, o Project Latte não é uma conversão. Trata-se de distribuir os próprios apps do Android, assim como são na Google Play Store, pela Microsoft Store, como já ocorre em lojas alternativas do robozinho.

Para isso, o Windows deve estar preparado para reconhecer e executar os aplicativos do Android, e é aí que entra aquele com quem a Microsoft se casou tempos atrás: o Linux.

Outrora chamado de "câncer" e "comunismo" pelo então CEO Steve Ballmer, o Linux e o código aberto foram reconhecidos como forças transformadoras na gestão de Satya Nadella, que nos últimos anos moveu a Microsoft de uma empresa de produtos para serviços, pronta para oferecer soluções a todos, independente se usam Windows, macOS, Android, iPhone, consoles de mesa da Nintendo e Sony, ou produtos e serviços corporativos.

É mais prático e lucrativo juntar forças do que fomentar brigas, e essa forma a Microsoft entrou para o Project Eclipse, liberou o SQL, o Skype e o PowerShell 7.0 para Linux, e lançou duas distros próprias, Azure Cloud Switch e Azure Sphere OS, respectivamente para clientes corporativos e Internet das Coisas.

Para o usuário do Windows 10, a Microsoft reservou o Windows Subsystem for Linux, ou WSL, um módulo de compatibilidade que permite rodar distribuições compatíveis (Ubuntu, OpenSUSE, SLES, Kali e Debian) dentro do seu SO, e que na segunda versão recebeu o kernel completo na versão 4.19 LTS, em que todos os patches e atualizações providas pela Microsoft no código são publicados e disponibilizados, seguindo a licença de código aberto GNU GPL (General Public License).

Durante evento em 2014, Nadella surpreendeu com o "Microsoft ama o Linux" (Crédito: James Niccolai/Twitter)

Durante evento em 2014, Nadella surpreendeu com o "Microsoft ama o Linux" (Crédito: James Niccolai/Twitter)

O WSL 2 está recebendo suporte a aplicações do Linux em GUI (interface gráfica) e aceleração via GPU, e segundo as fontes, ele seria o responsável por parte do trabalho para executar os apps do Android no Windows 10. Faz sentido, já que o robozinho roda em um kernel modificado para dispositivos móveis. Logo, é justo deixar o módulo cuidar da tarefa.

Muito provavelmente o Project Latte não terá suporte ao Google Play Services, recurso que é usado para atualizar os apps do Google. e que alguns aplicativos de terceiros implementam. Dessa forma, na possibilidade de Mountain View não permitir que a Microsoft faça uso dele, tais programas e jogos deverão ser preparados para não trazer suporte ao Google Play Services.

Também não há informações sobre se a Microsoft permitirá que usuários instalem os arquivos .apk manualmente, restringindo os apps do Android apenas aos disponíveis na Microsoft Store, o que pode significar que nem todos serão disponibilizados, mas este é um pormenor que muito provavelmente a comunidade conseguirá driblar, graças ao WSL 2.

De qualquer forma, tais informações são rumores e devem ser levadas em conta com os dois pés atrás, mas na possibilidade disso vir a acontecer, 2021 tem tudo para finalmente ser o Ano do Linux no Desktop.

A parte engraçada é que não chegará da forma que todos, Linus Torvalds incluso, imaginavam.

Fonte: Windows Central.

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