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Seriam os consoles da Nintendo voltados para crianças?

Criador da série Yakuza, Toshihiro Nagoshi diz que consoles da Nintendo são voltados para público mais jovem e levanta a discussão: seria isso um problema?

07/12/2020 às 9:59

Depois do fiasco que o Wii U acabou se mostrando, não há como classificar o Nintendo Switch como menos do que um enorme sucesso. Com as vendas do híbrido seguindo muito bem, ele se tornou o queridinho da indústria, com a sua biblioteca agradando todos os gostos, Porém, uma recente declaração do game designer Toshihiro Nagoshi sobre os consoles da empresa foi responsável por causar polêmica e até ofender alguns.

Nintendo Switch lite

Crédito: Divulgação/Nintendo

Contando com uma extensa carreira na Sega e atualmente respondendo como diretor de criação da empresa, Nagoshi é mais conhecido como o criador da série Yakuza, mas o seu currículo pode causar inveja em muitos profissionais. Ao longo dos anos ele trabalhou em títulos como Virtua Racing e Daytona USA, além de ter sido o responsável por um jogo muito importante para a companhia, o Super Monkey Ball.

Lançado originalmente para o GameCube, vale lembrar que ele foi a primeira criação da Sega a aparecer num console da Nintendo, depois que a empresa abandonou o mercado de hardware e decidiu se transformar em apenas uma software house. Pois foi ao explicar o que levou a Sega a escolher aquele console para o lançamento do Super Monkey Ball, que Toshihiro Nagoshi fez a afirmação que tem causado confusão. Ele disse:

Penso que mesmo agora a plataforma da Nintendo continua sendo um console que é jogado por uma ampla gama de faixas etárias, mas basicamente, acho que é um hardware para crianças e adolescentes. Em meio a tudo isso, naquela época, a Nintendo estava colocando muito esforço no mercado infantil e pensei que ele se encaixaria.

Feita durante uma entrevista que faz parte das comemorações pelos 60 anos da Sega, a declaração pode ser vista no vídeo abaixo, por volta dos 12 minutos e para algumas pessoas, ela também serve para explicar porque o atual aparelho da BigN continua sem receber versões da série Yakuza. No entanto, há quem questione a tradução que foi feita pela própria Sega, assim como a maneira como alguns sites tem criado manchetes dizendo que para Nagoshi, o Nintendo Switch é um console para crianças.

De acordo com o usuário do Twitter Gaijinhunter, o mais correto seria dizer que o game designer defendeu que “no geral” — e não “basicamente” — aquilo que a Nintendo produz tem maior força entre o público mais jovem, embora isso não signifique que adultos também não estejam entre aqueles que admiram e consumam o que a empresa tem produzido.

Mas independentemente da intenção de Toshihiro Nagoshi ao fazer tal comentário, é difícil discordar do fascínio que esta empresa costuma despertar em crianças e adolescentes, o que na minha opinião, está longe de poder ser apontado como um defeito. O que também não pode ser visto como algo errado são os adultos que continuam se divertindo com os jogos criados pela Nintendo, seja no 3DS, no Switch, nos dispositivos mobile ou até em miniaturas de antigos consoles.

Isso me fez lembrar de uma época em que muitos estavam sempre tentando menosprezar aqueles que gostavam de videogames e não eram mais crianças. Com os jogos eletrônicos tendo conquistando tantas pessoas e se tornado uma parte tão importante da indústria do entretenimento, felizmente hoje em dia isso não é mais tão comum, com a exceção vindo dos próprios gamers, que por preferirem jogar em outra plataforma, tentam afirmar seu gosto dizendo que tal console ou empresa só faz jogo para crianças.

De qualquer forma, lá pelos lados da Sega esse conceito de o Nintendo Switch ser muito mais forte entre as crianças e adolescentes parece ser algo comum. Em 2018 foi a vez do produtor Daisuke Sato afirmar que o aparelho não seria ideal para o lançamento da série, já que “talvez o público não esteja esperando este tipo de jogo no Switch” e que “eles podem estar acostumados a jogos diferentes.

Essa percepção pode ser fruto do péssimo desempenho registrado pela versão do Yakuza 1 & 2 HD que apareceu no Wii U japonês em 2013. Com apenas 1.878 cópias vendidas na semana do lançamento, Toshihiro Nagoshi até disse na época que eles não esperavam que o jogo vendesse muito, tratando-o apenas como um experimento. Porém, pelo jeito o resultado foi tão ruim que as prováveis broncas dadas pelos executivos da Sega continuam ecoando pelos corredores da empresa.

Fonte: GoNintendo.

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