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Robôs poderão se tornar cães terapeutas no futuro

Estudo aponta que robôs caninos podem trazer os mesmos benefícios que cães terapeutas aos pacientes, sejam crianças ou idosos

14/12/2020 às 8:03

Mais uma da série "robôs vão realizar todos os trabalhos, nenhum emprego está a salvo": um novo estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Portsmouth levantou a possibilidade de que cães de terapeutas, que ajudam na recuperação de pacientes como idosos e crianças, possam ter robôs como auxiliares e substitutos.

Isso porque a pesquisa conclui que os mesmos benefícios podem ser conseguidos com suas contrapartes robóticas, que trazem vantagens óbvias.

Unidades do MiRo-E, o cãozinho robô voltado para educação e pesquisa (Crédito: Divulgação/Consequential Robotics) / robôs

Unidades do MiRo-E, o cãozinho robô voltado para educação e pesquisa (Crédito: Divulgação/Consequential Robotics)

Um cachorro terapeuta é um pet que recebe um tipo de treinamento específico, em muitos casos similar ao cão de serviço/cão-guia, mas a função para a qual será destinado pode ser bem distinta. Por exemplo, o cão é ensina a não lamber se não lhe for permitido, a conter os movimentos da cauda para não sair derrubando tudo, e claro, a ter um comportamento estável e tranquilo.

Cães terapêuticos são empregados em diversos locais, como hospitais, hospitais psiquiátricos, escolas que passaram por uma grande situação de estresse (um tiroteio, por exemplo), presídios, asilos e clínicas geriátricas, e cada destino implica em um treinamento diferente.

Por exemplo, o cachorro deslocado para um asilo deve ser preparado para agir como um companheiro de idosos que estão demonstrando sinais de depressão, principalmente os em situação de abandono, que não são mais visitados por seus parentes. O pet então age para suprir as carências emocionais do idoso.

Já um cão enviado para um hospital infantil, por exemplo, para entreter pequenos com câncer, é ensinado a interagir com as crianças de modo a permitir que elas possam realizar atividades que quebrem a rotina do tratamento, de modo a reduzir o estresse pelo qual está passando.

Cães terapeutas desempenham um papel importante na recuperação e conforto de pacientes (Crédito: Divulgação/Bayer)

Cães terapeutas desempenham um papel importante na recuperação e conforto de pacientes (Crédito: Divulgação/Bayer)

Mas e quando um cão terapeuta não está disponível? Além dos custos com o treinamento dos animais, há os óbvios que envolvem os cuidados responsáveis do mesmo, como o de qualquer outro animal de estimação ou de serviço. Um cachorro robô, especialmente programado para interagir de forma similar, poderia suprir a demanda e atender às necessidades dos pacientes.

Segundo o estudo publicado, sim. O experimento observou um grupo de crianças, com idades entre 11 e 12 anos, interagirem com o MiRo-E, um robô canino voltado para fins de pesquisa e aplicações educacionais para os pequenos, por duas semanas. O objetivo era constatar se haveriam benefícios similares aos conseguidos com um cão terapeuta real, e após 2 semanas, os resultados foram positivos.

Segundo a supervisora do experimento, a Dra. Leanne Proops, chefe do Departamento de Psicologia da Universidade de Portsmouth, o MiRo-E tem vantagens que vão desde os cuidados óbvios que um robô não tem, como comida e limpeza (não no mesmo nível), ao fato de que o autômato pode interagir com quem é alérgico a pêlos de animais, sem falar que muitos pacientes têm medo de cachorros.

Robôs companheiros de 4 patas (ou quase)

Embora o MiRo-E não seja tão anatomicamente correto quanto o Aibo, ele possui componentes bem simplificados. Seu cérebro, por exemplo, é um Raspberry Pi 3B+ com 1 GB de RAM e um cartão microSD de 16 GB, rodando o Raspbian. Suas câmeras e sensores lhe permitem ver e interagir com o paciente de maneira correta, e ele responde a estímulos como carinhos, igual a um cachorro de verdade.

Especificações do MiRo-E (Crédito: Divulgação/Consequential Robotics) / robôs

Especificações do MiRo-E (Crédito: Divulgação/Consequential Robotics)

A dra. Proops aponta que o estudo é preliminar, e que um cachorro automatizado não deve ser visto hoje como um substituto definitivo dos cães terapeutas, até porque nada é igual a interagir com outro ser vivo. No entanto, ela diz que o MiRo-E e outros robôs biomiméticos (que imitam ações e comportamentos de um animal real) são uma opção alternativa para quando não é possível contar com o pet de carne de osso.

Já a doutoranda Olivia Barber, pesquisadora líder do estudo, e ela própria cuidadora de um cão terapeuta, diz que robôs como o MiRo-E podem ser opções para aliviar a carga de estresse sobre os cachorros de serviço, que toda toda criatura, também precisa de um tempo para si mesmo, de modo a se recuperar e permanecer saudável, para que possa ajudar os outros sem prejuízos a si mesmo.

De qualquer forma, o estudo aponta para a possibilidade de que no futuro, cães robóticos como o MiRo-E se tornem se não a norma, ao menos um aliado valioso no tratamento e manutenção do conforto de crianças, idosos e pacientes em geral.

Referências bibliográficas

BARBER, O. et. al. Children’s Evaluations of a Therapy Dog and Biomimetic Robot: Influences of Animistic Beliefs and Social Interaction. International Journal of Social Robotics (2020), 15 páginas, 9 de dezembro de 2020.

Fonte: Digital Trends

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