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Rettungsboje – uma ideia nazista tão boa que todo mundo imitou

Rettungsboje não é uma palavra que muita gente conheça, mas foi uma idéia nazista simples e genial que salva vidas até hoje.

17/12/2020 às 1:43

Costumamos achar que toda pesquisa em tempos de guerra é voltada parar criar métodos mais eficientes de matar o inimigo, mas em alguns casos, como o da Rettungsboje, é o oposto, a invenção é 100% benigna e usada para salvar vidas.

Uma Rettungsboje em Piroux-Lessaix, Fevereiro de 1941. (Crédito: Domínio Público)

Durante o Cerco de Leningrado não havia armas pra todo mundo e os soldados foram instruídos a seguir atrás de alguém com arma, esperar ele ser morto e pegar o rifle do defunto, mas isso é uma exceção. Existe uma ilusão de soldado é bucha de canhão, mas em realidade é investido muito tempo e dinheiro na formação de um combatente.

Se é de uma força especializada, esse custo sobe, e muito. Um piloto de F-22 pode custar US$11 milhões para ser treinado, e esse treinamento leva anos. O ideal é que ele não morra.

Durante a Batalha da Inglaterra a Luftwaffe perdeu mais de 1700 aviões e 2662 tripulantes, mas esse número poderia ser muito maior se o Reichsluftfahrtministerium (Ministério do Ar do Reich) não tivesse adotado a idéia de Ernst Udet, um ás da 1ª Grande Guerra e Diretor-Geral de Equipamentos da Luftwaffe.

Os chucrutes de muita sorte conseguiam pousar em terra. (Crédito: Domínio público)

Udet, que odiava sua posição burocrática, mas tentava dar seu máximo, percebeu que estavam perdendo muitos pilotos que eram abatidos sobre o Canal da Mancha, e morriam afogados ou de hipotermia, enquanto esperavam os esporádicos e nem sempre presentes hidroaviões ou barcos de resgate.

Aquela história de balsa inflável, colete salva-vidas é pura groselha, ninguém sobrevive numa balsa no meio de uma tempestade no Canal da Mancha, que dirá no Mar do Norte.

Udet botou seus engenheiros para pensar numa alternativa, e eles se saíram com a Rettungsboje, que soa como codinome de invasão da Polônia mas é apenas “Bóia de Resgate” em alemão.

A idéia da Rettungsboje era lindamente simples: As bóias seriam colocadas em posições pré-determinadas, conhecidas pelos aviadores E equipes de resgate. Em caso de emergência, o sujeito faria o máximo para cair no mar próximo de uma delas, nadaria até a balsa, entraria e se abrigaria.

A Rettungsboje, embora fosse um equipamento de emergência, não era nada acanhada. Pintada de amarelo-claro com uma torre com o símbolo da Cruz Vermelha marcado nos quatro lados, cada uma dessas bóias tinha treze metros quadrados de espaço interno, dois beliches, podendo abrigar quatro sobreviventes por vários dias.

Havia equipamento de primeiros-socorros, remédios, um fogareiro, comida em forma de rações, cigarros, jogos de tabuleiro, baralhos, material de escritório, roupas, sapatos, pistolas de sinalização, um transmissor automático de SOS, e o mais importante: Conhaque.

Diagrama de um dos modelos de Rettungsboje usados pela Luftwaffe. (Crédito: Domínio Público)

Havia uma bandeira de sinalização para indicar se a bóia estava ocupada. Durante a noite luzes de navegação alertavam para evitar colisão com navios.

A Rettungsboje foi tão bem-pensada que faixas de material colorido presas à ela indicavam a direção das correntes marinhas, pro sujeito não pousar na água no lado errado e ser arrastado pra longe.

Aviões patrulhavam constantemente as balsas, às vezes duas vezes ao dia, e se fosse o caso lanchas de alta velocidade (Flugsicherungsboot) eram enviadas para recolher os sobreviventes e repor os estoques de comida e suprimentos que eles usaram.

O projeto deu tão certo que em dois meses os alemães construíram e instalaram 50 unidades.

Imagem colorizada de como seria uma Rettungsboje em seu tempo. (Crédito: internet)

Os ingleses inicialmente não entenderam quando essas Rettungsbojes começaram a aparecer no Canal da Mancha, e logo uma operação discreta foi montada, para capturar duas daquelas estruturas e entender seu objetivo.

Não é preciso ser nenhum gênio pra perceber que a Rettungsboje era uma ótima idéia, e correram para criar sua própria versão, com o nome sem-imaginação de “Air-Sea Rescue Float”. Os ASRs eram mais convencionais, pareciam com um bote salva-vidas moderno. Tinham capacidade para seis pessoas. Foram construídos 16, espalhados pelo Canal da Mancha e pelo Mar do Norte, seguindo a rota dos bombardeiros. Apenas um sobreviveu até hoje, o ASR-10, e está no Museu Marítimo Escocês.

ASR-10. (Crédito: Wikimedia Commons/ Rosser1954)

Agora o mais legal: Em uma região na Alemanha, nos arredores de Cuxhaven há um monte de lodaçais, aonde o Reno deságua no Mar do Norte. É uma região turística bem popular, mas a maré sobe muito, muito rápido e era comum turistas serem pegos de surpresa, e se afogarem.

Um belo dia, nos Anos 70 alguém se lembrou das Rettungsbojes, adaptou a idéia e surgiram os Rettungsbakes, ou Faróis de Resgate.

Um Rettungsbake. (Crédito: Wikimedia Commons /Geoz)

Placas apontam a direção para os Rettungsbakes, em caso de emergência os turistas correm pras estruturas, que são grandes postes fincados no solo. No alto, uma gaiola metálica com capacidade para seis pessoas, com suprimentos de emergência e sinalizadores.

A gaiola metálica serve a mais de uma função; primeiro, evita que os faróis sejam usados como moradia ou motel, mas a principal função é agir como uma Gaiola de Faraday, protegendo os turistas de raios, e de sua própria burrice.

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