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Nintendinho (NES), uma lenda resumida em 10 clássicos

Repleto de jogos fantásticos, o NES fez a alegria de muita gente na década de 80 e aqui relembraremos a criação do console e algumas dessas obras de arte

18/12/2020 às 10:44

De um início um tanto conturbado no Japão a se tornar o salvador da indústria de games, o NES entrou para a história como um dos consoles mais importantes de todos os tempos e o principal motivo para isso foi a incrível biblioteca que ele recebeu. Vamos relembrar um pouco dessa história?

NES

Crédito: Tomasz Filipek/Pexels

Após conseguir algum sucesso criando jogos para fliperamas, uma empresa japonesa chamada Nintendo decidiu que estava na hora de se aventurar pelo mercado de consoles e no início da década de 80 deu início a um ambicioso projeto. Idealizado por Masayuki Uemura como um computador, o então presidente da companhia, Hiroshi Yamauchi, achou que entregar um aparelho com teclado e disquetes poderia intimidar os não-familiarizados com tecnologia e assim ordenou que o foco seria algo mais simples e barato.

Entre as influencias para aquela criação estava o ColecoVision, aparelho que era capaz de entregar uma qualidade visual muito melhor que a vista no Atari 2600 e que havia impressionado o gerente de desenvolvimento, Takao Sawano. Conseguir atingir aquele nível passou a ser o objetivo da equipe, que inicialmente pretendia chamar o aparelho de GameCom, mas graças a uma sugestão feita pela esposa de Uemura, que via o videogame mais como um “computador familiar”, ele foi batizado de Famicom.

Após vários testes e mudanças em relação ao projeto original, em 15 de julho de 1983 o Famicom chegou às lojas, mas com as primeiras unidades apresentando problemas na placa-mãe e com o console rodando apenas títulos da própria Nintendo, num primeiro momento as vendas não foram muito animadoras. O cenário só viria a mudar após um recall realizado pela fabricante e um acordo firmado com Hudson Soft e a Namco, fazendo com que o videogame se tornasse o mais vendido de 1984.

Crédito: Matt Coleman/FreeImages

Porém, naquela época a indústria de videogame passava por um momento delicado, principalmente nos Estados Unidos. Devido a uma série de fatores, com o principal deles sendo a saturação do mercado, as pessoas começaram a perder o interesse pelos jogos eletrônicos, até que em 1985 a indústria viu uma queda de quase 97% nas receitas. Parecia que os videogames haviam chegado ao fim.

Mesmo assim, a Nintendo acreditava que havia espaço para o seu console no ocidente e procurou a Atari para fazer uma parceria. A ideia era lançar o Famicom nos EUA com o nome Nintendo Advanced Video Gaming System e quando tudo parecia acertado, a Coleco aproveitou a Summer Consumer Electronics Show para demonstrar seu novo videogame e para isso usou o Donkey Kong. Revoltados com a quebra de exclusividade, a Atari colocou a parceria em banho-maria e quando o CEO da empresa acabou sendo demitido, o negócio foi desfeito.

Restava à Nintendo se aventurar sozinha pela terra do Tio Sam e após Lance Barr redesenhar a aparência do Famicom e o seu nome ser alterado para Nintendo Entertainment System (NES), em fevereiro de 1986 foi dado início a o acabou ficando conhecido como a retomada da indústria. Com uma campanha de marketing focada em recuperar a confiança dos consumidores e com jogos com muito mais qualidade do que as pessoas se acostumaram a experimentar, o NES rapidamente se tornou um enorme sucesso.

Era praticamente impossível encontrar uma crianças norte-americana que não quisesse ganhar um Nintendo e o simpático R.O.B. (Robotic Operating Buddy), um robozinho cujo objetivo era vender a ideia do quão tecnológico era aquele videogame. O console transformou-se um verdadeiro fenômeno, fazendo com que a sua fabricante dominasse o mercado por vários anos e com a sua política agressiva, fosse vista com temor por qualquer empresa da área.

Por aqui o Nintendinho, como ficou carinhosamente conhecido, só chegou oficialmente em 1993 pelas mãos da Playtronic e quando o Super Nintendo já existia. Porém, isso não impediu que muito antes o nosso país fosse invadido por clones, tantos produzidos por aqui quanto importados da China. Entre eles estavam o Dynavision 2 e o Phantom System, fabricados respectivamente por Dynacom e Gradiente, e que foram os responsáveis por fazer com que muitos brasileiros se apaixonassem pela Nintendo.

Crédito: Tomasz Filipek/Pexels

Feito este resumo da história do NES, também é preciso dizer que aquele fantástico console foi responsável por nos apresentar a uma enorme quantidade de séries que duram até hoje e que se transformaram em algumas das mais bem-sucedidas da indústria. A seguir eu listarei alguns desses jogos, criações que me divertiram bastante na época e que em muitos casos, permanecem excelentes até hoje. Vamos a eles!

The Legend of Zelda

Olhar para o The Legend of Zelda hoje é ter a certeza de como um jogo pode envelhecer mal. Descobrir boa parte dos seus segredos requer uma alta dose de sorte, o sistema de batalha é bastante simples e o mundo criado por Shigeru Miyamoto não parece mais tão fascinante quanto era lá em 1986. Ainda assim, como ignorar a importância que esse jogo teve para o NES e para a Nintendo em geral? Na época em que o jogo surgiu não havia nada parecido nos consoles, com os seus calabouços oferecendo um bom desafio e a sua jogabilidade sendo completamente viciante.

Mesmo só tendo experimentado este primeiro capítulo anos depois dele ter sido lançado, com o tempo a série acabou se tornando uma das minhas preferidas e por isso sou muito grato ao título que deu início a tudo isso.

Super Mario Bros. 3

Em termos de importância, não há discussão sobre o peso do primeiro Super Mario Bros., mas como o objetivo desta lista é citar os jogos que considero os melhores, minha preferência é pelo SMB3. Aliás, para algumas pessoas, este ainda é o ápice da franquia, status que prefiro dar ao Super Mario World, mas de qualquer maneira, o que a Nintendo conseguiu tirar do NES naquele jogo é algo impressionante.

Além de adicionar diversos power-ups que tornaram a jogabilidade ainda mais divertida, o SMB3 tinha muitos segredos para serem descobertos, um fator replay altíssimo e gráficos simplesmente espetaculares. Como eu nunca tive um Nintendinho, lembro das vezes em que contei as horas para ir na casa dos amigos sempre que um deles alugava esse cartucho.

Metroid

Outra das minhas séries favoritas e que admito, seu jogo de estreia não parece tão impressionante atualmente. Ainda assim, poucos são os títulos que podem ser orgulhar por terem sido tão influentes e com o seu mundo claustrofóbico, trilha sonora espetacular e itens que precisavam ser descobertos para que pudéssemos avançar pela campanha, Metroid certamente merece um lugar de destaque na biblioteca daquele videogame.

Se fosse para indicar a franquia para alguém hoje, diria para encarar o Super Metroid primeiro, mas isso não quer dizer que o capítulo para o NES não seja muito bom.

Mega Man 2

O Nintendinho recebeu diversos jogos da Franquia Mega Man, mas nenhum ficou tão marcado na minha memória quanto o segundo. Melhorando o seu antecessor em praticamente todos os aspectos, aqui tínhamos design de fases mais interessantes, inimigos mais memoráveis, a muito bem vinda introdução do slide e do cão Rush (correção: eles apareceram no Mega Man 3), além daquela que talvez seja a melhor trilha sonora de toda a franquia.

Para algumas pessoas, a grande falha do Mega Man 2 estava no seu nível de dificuldade, inferior ao dos demais, mas ainda assim acho que o jogo é capaz de torturar aqueles que não são bons jogadores e se você tiver que pegar um título da franquia para entender do que ela se trata, pode começar por este aqui.

Castlevania III: Dracula's Curse

Com a sua história se passando antes do que tínhamos visto nos dois jogos que o antecederam, aqui controlávamos Trevor Belmont, um antepassado do famoso caçador de vampiros, Simon. Mas além dele, o jogo também nos permitia assumir o papel de outros três personagens: Sypha Belnades, uma feiticeira que conseguir disparar magias poderosas; Grant Danasty, um pirata que tinha a habilidade de escalar paredes e por fim, Alucard, que era filho do próprio Drácula.

A grande sacada aqui é que o Castlevania III nos permitia seguir por caminhos diferentes durante as fases e assim, não necessariamente cruzaríamos o nosso caminho com o desses ajudantes, o que garantia que o fator replay fosse bem alto.

Kirby’s Adventure

Lançado apenas em 1993, quando consoles bem mais poderoso já estavam no mercado, Kirby’s Adventure pode ser considerado o Canto do Cisne do NES, sendo o título que introduziu a mecânica que viria a se tornar a principal característica do personagem, que é a sua habilidade de engolir os inimigos e adquirir suas habilidades.

Com cenários bastante coloridos e uma jogabilidade divertidíssima, infelizmente muitas pessoas não experimentaram este jogo na época pois já haviam pulado para a outra geração e assim perderam uma aventura que continua excelente mesmo hoje em dia.

Batman: The Video Game

Levemente baseado no filme de Tim Burton que foi estrelado por Michael Keaton e Jack Nicholson, este jogo desenvolvido pela Sunsoft agradava por entregar gráficos muito bonitos, uma dificuldade elevada e uma jogabilidade que transformava o Cavaleiro das Trevas quase em um ninja. Na verdade, havia uma certa semelhança entre esse jogo e o próximo da nossa lista, o que em hipótese alguma pode ser considerado algo ruim.

Ninja Gaiden II: The Dark Sword Of Chaos

E por falar em ninjas… Quem passou pela geração 8 bit e não sentiu vontade de arremessar um controle na parede enquanto jogava um Ninja Gaiden, me desculpe, mas não viveu plenamente. Em se tratando do segundo jogo, mesmo com ele inicialmente parecendo um pouco mais fácil por permitir que Ryu Hayabusa subisse e descesse pelas paredes enquanto estava pendurado, aquele era um jogo digno de irritar até um monge tibetano.

Destaque ainda para as cenas não-interativas, que assim como no primeiro jogo ajudavam a contar a história e não eram comuns nos games da época.

Contra

Battletoads, Silver Surfer, Mike Tyson’s Punch Out!… O NES estava repleto de jogos bastante difíceis e um deles atendia pelo nome Contra. Para conseguir chegar ao final era preciso ter reflexos bastante apurados, sendo que só teríamos três vidas à nossa disposição. Agora some a isso o fato de qualquer coisa que nos acertasse seria suficiente para nos matar, sem barra de energia, escudo, nada!

Foi ele o responsável por popularizar o Konami Code, o que nos garantiria 30 vidas e assim a nossa missão seria um pouco mais tranquila.

Final Fantasy

Aproveitando o sucesso que a Enix havia alcançado com um tal Dragon Quest (Dragon Warrior nos EUA), a Square achou que seria uma boa ideia lançar um RPG nos mesmo moldes e assim nasceu o Final Fantasy. Entre as inovações estava a possibilidade de formarmos uma equipe com quatro personagens, sendo que eles poderiam pertencer a uma das seis classes disponíveis, o que adicionava bastante estratégia às batalhas.

Viajar pelo vasto mapa do jogo usando um dos veículos era uma experiência fantástica, assim como conhecer os detalhes do enredo que estava muito acima de quase tudo o que já havia sido criado para os consoles até então.

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